Manda quem tem dinheiro. Obedece quem não se respeita

por Sulamita Esteliam

Todas as vezes que ouço, vejo o Bob Fernandes nos vídeos que acesso no Youtube, penso o quanto é uma pena que a TV Gazeta e seu jornal noturno, onde atua no comentário político, esteja restrita a alguns poucos telespectadores nesse Brasil continental.

Na postagem da quarta-feira finda, o jornalista fala sobre a ingerência dos órgãos de segurança estadunidenses nos nosso sistema homólogo, o que inclui a polícia federal, a inteligência e, ele não diz mas é óbvio, nosso sistema de Justiça.

Comenta a propósito de evento promovido em São Paulo, que inclui análise da Lava Jato, por ninguém menos que o FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos – o equivalente ao Ministério Público brasileiro.

Ao que se depreende, só o Conjur, sítio de notícias do mundo jurídico, cobriu. A imprensa, mesmo a venal, não teve acesso e, claro, esperneia. Só que não.

Faz de conta que não vê e não sofre com a consequência dos seus atos e omissões. A tal liberdade de imprensa não se sustenta em nações sob golpe, mas que golpe!?  Isso é noia conveniente de petista, cacareja.

É um escândalo de promiscuidade e de cumplicidade com a desfaçatez atrás do outro. E a culpa é de quem, quem?

Todavia, nesses tempos obscuros, como pontua Wilson Ferreira em sua coluna na Revista Fórum, referindo-se aos escritores libertinos diante do Iluminismo, não causa espécie que os “vícios privados sejam transformados em virtudes públicas”.

Com a conivência e prática ativa das des-autoridades brasileiras constituídas nos três poderes. E uma ajuda providencial do poder do Norte, da des-Justiça a serviço da plutocracia e do PIG-associado.

RenatoAroeira, sempre genial, resume à perfeição: missão cumprida.

Aliás, não fogem, aqueles do desgoverno usurpador golpista, o que caracteriza a nossa elite e a maioria de nossa classe média, eterna candidata ao deslumbramento, já que a ascensão anda de ré: o eterno complexo de vira-latas.

Ora, direi, manda quem tem dinheiro. Obedece quem não se respeita.

O convescote estadunidense, por exemplo, contou com a presença do chefe da CGU – Controladoria Geral da União. E de ícones do empresariado nativo e advogados encantados, com perdão da rima pobre.

A soberania em troca de espelhinhos…

Aí é melhor reclamar com o papa.

Assim, coube a Bob Fernandes, na TV Gazeta, registrar o assunto. Mais importante: desnudar o que significa o FBI, a Cia e que tais da terra do Tio Sam saracotearem em nosso território sem dar acesso à divulgação até pelo PIG;

Mesmo que o sinal digital da emissora paulista possa ser acessado em diversas regiões do País, além, é claro, dos lares que canais por assinatura, o alcance é limitado.

Enquanto isso, a emissora dos Marinho está em todas as salas de espera, nos consultórios médicos, nos dentistas e até, incompreensivelmente nos sindicatos.

Espalha-se Brasil afora, captura até os habitantes da Amazônia com seus repórteres adestrados, apresentadores-estrelas e comentaristas mamulengos como Merval Pereira e Míriam Leitão, só para ficar nos mais caricatos.

Não está sozinha no modus operandi manipulativo. Só que as demais, mesmo as que arrotam importância como a Band, o SBT ou mesmo a Record, acabam sendo apenas espectros.

É por isso que as ruas gritam, e este blogue anão, e esta velha escriba ecoam: “Desliga a Globo que o Brasil melhora”.

Compartilho o vídeo do comentário do Bob Fernandes na edição da última terça-feira do Jornal da Gazeta, e fecho com a transcrição para ajudar a fluir o que ele diz:

“Publicado em 7 de fev de 2018

Nesta terça o FBI estrelou evento em São Paulo. Sobre corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes, compliance… E a Lava Jato.

Presente Antônio Carlos Vasconcellos Nóbrega, Corregedor-Geral da CGU. 

Presentes Chrstopher Delzotto, Supervisor Especial do FBI, e Leslie Bachchies, do FBI para América Latina.

Também George McEachern, ex-chefe de combate internacional à corrupção do FBI. 

E Robert Appleton, Chefe de Execuções Governamentais e crimes do colarinho branco do CKR Law. Ex-promotor do Departamento de Estado dos EUA. 

Evento do escritório norte-americano CKR e da Câmara Internacional do Comércio.

Empresários, investidores, advogados brasileiros. Proibida a entrada da imprensa. Só imaginem: nossa Policia Federal estrelando evento como esse em território norte-americano. 

No governo FHC, Carlos Costa chefiou o primeiro escritório oficial do FBI no Brasil. Entrevistei-o, para 17 páginas. Chamou a tudo isso “influenciar”. Cooptar. 

Dezenove agências de espionagem dos EUA atuando no Brasil, sediados na Embaixada. 

Jack Ferraro chefiava a CIA. Antes dele, Craig Peter Osth, Bock, Jimmy, e Bramson Brian. 
DAT, a Divisão Anti-Terrorismo da PF, já se chamou CDO e SOIP. Instalação de espionagem eletrônica criada no governo Sarney. Doação da CIA.

Nos anos FHC, a CIA chegou a ter 15 bases regionais no Brasil. No SOIP/ CDO, a CIA atuava com a PF em “regime de informação compartilhada”.

Antes de Marcio Thomas Bastos, e Paulo Lacerda chefiando a PF, não havia dinheiro. Mostramos depósitos feitos pela DEA na conta de delegados. 

No hoje DAT, agente brasileiro só trabalhava se submetido ao detector de mentiras. Testes feitos nos EUA. Revelamos os nomes. 

Pós 11 de setembro o Chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, recebeu e recusou uma ordem: grampear, espionar mesquitas e líderes muçulmanos no Brasil. 

Que teve grampeados Palácio da Alvorada e Itamaraty. Biotecnologia, química fina, aço, biopirataria, telecomunicações, energia, entre os alvos.

Com Obama, escândalo e soubemos: a NSA tentou hackear a Petrobras e grampeou Dilma e Palácio. 

Em 99, chefiando provisoriamente a embaixada, confrontado James Derham foi claríssimo: “Temos o dinheiro, então as regras são as nossas”. 

Segue o baile. Bom Carnaval.”


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