A desinteligência emocional não deixa enxergar o óbvio

Marcha Lula Livre para o registro da candidatura de Lula, dia 15 de agosto, em Brasília – Foto: Peu Andrade
por Sulamita Esteliam

Não sei o que passa na cabeça de certas pessoas, letradas, até diria intelectualizadas, que se acham donas da razão acima do que cabeças pensantes do mundo inteiro pensam. Aquela história de ter que justificar o porquê optam pelo lado errado da História.

Aí, apontam “vitimismo” nos que reclamam direitos, e emocionalismo aos que se permitem interpretar com o coração aquilo que a própria razão não explica.

Querem com isso dizer que somos burros, os que clamam pelo Estado de Direito, pelo restabelecimento das instituições democráticas e do primado Constitucional. Inteligentes são eles, que engolem pronto o que pregam os sanguessugas de plantão, o próprio sangue deles no canudinho da jugular.

É muita desinteligência emocional para o meu gosto. Ainda assim, confesso que tenho que me segurar, muuuito, para não dar corda a toda essa sapiência de varejo.

Bom, sinto muito pelos senhores e senhoras donos da verdade, para mim supra-irracional. Euzinha só ando em boa companhia.

Como por exemplo o professor Jorge G.Castañeda, da Universidade de Nova York, ex-ministro das Relações Exteriores do México, no período 2000-2003.

Mais abaixo, pego carona na matéria do Jornal GGN, do Luis Nassif, sobre o artigo do Castañeda, exatamente sobre o direito de Lula ser candidato.

O original está publicado na sessão de opinião do The New York Times, na terça, 21 e pode ser acessado aqui. Assim como a versão em espanhol.

Antes, e por falar na emoção de seduzir, que é como a gente estabelece a empatia na comunicação, vale à pena ver o primeiro programa da campanha eleitoral de Lula-Haddad:

“Por que se deve permitir a Lula disputar a Presidência” …

é o título do artigo de Jorge Castañeda no NYT. Transcrevo alguns trechos, com os comentários do GGN:
Jorge Castañeda – Foto capturada na Revista Forum

“As acusações contra ele são muito frágeis, o pretenso crime tão insignificante (até agora), a sentença tão descaradamente desproporcional e as apostas tão altas que, na América Latina de hoje, a democracia deveria trunfar no estado de direito. Em um mundo ideal, os dois caminham juntos e certamente não se chocam. Mas no Brasil, democracia e estado de direito colidem”, concluiu o professor da Universidade de New York.

Na coluna, o articulista do jornal norte-americano, um dos mais reconhecidos no mundo, lembrou que as eleições no próximo dia 7 de outubro será a terceira para os brasileiros elegerem o presidente da República, desde o retorno à democracia em 1985.

Nesse sentido, destacou a importância destas eleições para a democracia e para o Estado de Direito, com “eleições livres e justas e o devido processo legal”. Assim, não permitir a Lula participar dessa disputa democrática, destaca Castañeda, é cenário de “contradição”.

Após indicar os pontos a favor e contra a elegibilidade do ex-presidente, com base no sistema legal brasileiro, o articulista concluiu que “não há uma boa solução para esse dilema, especialmente em um país que tem uma elite política terrivelmente desacreditada e que mal está emergindo da pior recessão econômica em décadas”.

“Permitir que Lula dispute as eleições seria apaziguar seus apoiadores, que são muitos, ao mesmo tempo enfraquecendo severamente a sensação de que após quase dois séculos de privilégios, corrupção, ausência de leis igualitárias e a derrubada dos altos e poderosos, o Brasil estava finalmente entrando na modernidade, conquistando o domínio do qual o país e os seus vizinhos sempre falharam: o estado de direito. Mas, ao negar a dezenas de milhões de eleitores de Lula a possibilidade de que seu ídolo fosse devolvido ao Palácio do Planalto implicaria em privá-los de direitos”, continuou.

Junto à comunidade internacional, vem aumentando a cada dia o apelo pela liberdade de Lula ou pela simples possibilidade de que ele consiga, enquanto alvo de julgamento, participar das eleições. Como exemplo, Castañeda citou dezenas de membros do Congresso norte-americano, incluindo o senador Bernie Sanders, que escreveu uma carta ao embaixador do Brasil em Washington, pedindo a soltura do ex-presidente.

Ao mencionar Fernando Haddad como o “plano B” do PT, o colunista afirmou que as possibilidades baixas de vencer em segundo turno do ex-prefeito podem ocasionar “desafios esmagadores para o Brasil”.

Do ponto de vista da América Latina, o ex-ministro do México citou casos da Nicarágua, Venezuela e do próprio México em que a candidatos foram proibidos ou desencorajados de concorrer a cargos eleitorais. Entre as duas categorias: de desqualificação por razões “válidas ou legais” e vítimas de inquestionável perseguição política, Castañeda aposta que Lula vive o segundo.

“Por fim, embora eu acredite que o escândalo da Lava Jato, assim como a diligência de juízes como o Sr. Moro, tenham servido bem ao Brasil e à América Latina, prefiro ver Lula nas urnas do que na cadeia”, defendeu.

 


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