Delírio ativo: ferramenta desenvolvida por professor da UFMG flagra campanha ‘fake news’ contra universidades públicas, via WhatsApp

por Sulamita Esteliam
Imagem do FB

Ferramenta desenvolvida pelo professor Fabrício Benevenuto, pesquisador de Ciência da Computação da UFMG, detectou campanha ‘fake news’, notícias falsas contra as universidades públicas no WhatsApp. O alerta foi disparado pelo próprio pesquisador e divulgado na rede por uma parceira de ativismo feminista, pelos direitos sociais e pela democracia.

A pergunta que o professor deixa no ar, não cala:

– Quem financia essa fábrica de desinformação?

O fenômeno, digamos assim, é o mesmo que se constatou nas últimas eleições e que levou o Brasil aonde estamos, se repete: esforço orquestrado para disseminar falsidades e infâmias para atingir objetivo obscuro.

Mentiras disparadas e repercutidas em massa, via zap-zap, que se vale da desinformação ampla e irrestrita para manipular consciências ou inconsciências.

A ação governamental visa justificar, se é que isso é possível, o corte de 52% na verba das universidades, estrangulando sua capacidade operacional e de produzir ciência. Sob a capa do enxugamento da máquina pública, sufoca a produção de conhecimento.

Significa que o desgoverno do capitão-fake-delirante só tem uma proposta: destruir. É feito praga de cupim subterrâneo quando, que invade as estruturas pelas frestas, e corrói tudo que vê pela frente. 

É preciso deter seu poder de destruição.

A sociedade não pode ficar de braços cruzados e pés para cima, como fez o técnico Felipão, enquanto a Seleção Canarinho tomava um banho de gols da seleção alemã. Aquele 7 x 1 não pode ser esquecido.

Não é brincadeira de polícia e bandido, de cidadão de bem e celerados. O presente não pode jogar com o futuro  de gerações e gerações, com o destino do País.

O anti-intelectualismo tosco é a base do ataque às universidades, à educação, ao conhecimento. Na visão do sociólogo Jessé de Souza, a ação não é gratuita; visa atingir, sobretudo, a baixa classe média.

Transcrevo um pequeno trecho do artigo publicado no Jornal GGN sobre “o que significa Bolsonaro no poder”:

– A relação da baixa classe média com o conhecimento é ambivalente: ela inveja e odeia o conhecimento que não possui, daí o ódio aos intelectuais, à universidade, à sociologia ou à filosofia. Este é o público verdadeiramente cativo de Bolsonaro e sua pregação. É onde ele está em casa, é de onde ele também vem. Obviamente esta classe é indefesa contra a mentira institucionalizada da elite e de sua imprensa. Ela é vítima tanto do ódio de classe contra ela própria, que cria uma raiva que não se compreende de onde vem, e da manipulação de seu medo de se proletarizar. Quando essas duas coisas se juntam, o pobre remediado passa a ser mais pró-rico que o Dória.

Faz-me lembrar um meme que circulou no segundo turno da campanha presidencial, que rememorava a rivalidade da cigarra com a formiga: a primeira, com raiva da segunda, ou vice-versa, votou no inseticida.

Por falar em Alemanha, a chanceler Ângela Merkel anunciou o investimento de 160 bilhões de euros para pesquisa nas universidades. 

É a diferença entre a estultice a serviço da casa-grande, aliada ao complexo suicida das classes populares, e a visão de responsabilidade de Estado e perspectiva de futuro, horizonte da nação.

Não há solução fora do conhecimento. De onde essa gente acha que vem a internet e as redes sociais? Brotaram do nada? E a busca no pai google, no novo dicionário que tudo sabe? E o remédio para a ressaca, para o fígado, rim, baço, pâncreas, intestino, cabeça, coração? 

Tudo é conhecimento desenvolvido nas universidades públicas ou com financiamento público. 

Ouça o que diz a deputada Margarida Salomão (PT-MG). Não por acaso, ela é ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora. Fala, portanto, com conhecimento – olhaí a palavra mágica – de causa:

E, como escrevi no Twitter, nessa hora o complexo de vira-latas se esconde debaixo da cama ou se perde no abismo infindo…!

A ferramenta desenvolvida por Fabrício Benevenuto é diagnóstica, essencial porque traz à superfície o que é trabalhado subterraneamente.

Quem estudou ou trabalha com Fabrício Benevenuto @benevenuto.fabricio sabe que “ele é fera!!”, comenta a amiga na postagem do FB: “suas pesquisas se dirigem justo para a área de mídias sociais, dentre outras e têm gerado farta produção de artigos científicos, que já dispõem de cerca de 9 mil citações no h-index 34”.

A Wikipédia nos ensina que o h-index 34, ou hindex em inglês, “é uma proposta para quantificar a produtividade e o impacto de cientistas baseando-se nos seus artigos mais citados”.


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