O efeito coronavírus na patologia governamental

por Sulamita Esteliam

À essa altura da pandemia já reconhecida pela OMS – Organização Mundial de Saúde, não sou Euzinha que vou dizer que não precisamos nos preocupar com o coronavírus, mas também não é preciso surtar. A despeito de ele já ter aportado no Recife, onde há dois casos confirmados – um casal que chegou da Itália – dos cerca de 100 casos anunciados o Brasil.

Por conta disso atividades com propensão de aglomerar gente, foram canceladas. Até mesmo o espetáculo Boi Voador, que celebra o aniversário da capital Recife e sua irmão Olinda, respectivamente 483 e 485 anos completados neste 12 de março. E salve a Terra dos Altos Coqueiros!

Um navio de cruzeiro, com 600 passageiros, todos estrangeiros, está isolado no porto da cidade, devido um senhor já idoso que foi socorrido com suspeita de contágio.

Ah, sim, também o capiroto recomendou o adiamento das manifestações golpistas, que ele nega mas convocou duas vezes, contra o Congresso e o STF. O coronavírus é a desculpa perfeita para não passar vergonha, mas sem com isso desfazer a incursão nas veredas do crime de responsabilidade.

“O Congresso já recebeu o recado”, disse ele confirmando o que desdisse.

Usou uma máscara cirúrgica – do modelo errado, que não protege nada – para simular cuidado para sua matilha, uma vez que é suspeito de estar infectado, já que andou junto ao chefe da Secom já soropositivo. Um fotógrafo, Dida, do Estadão, porém, o flagrou sem máscara nos corredores do Palácio do Planalto. Mentiroso compulsivo.

Não obstante o que é mentira e o que é verdade, vou insistir num ponto: em 2019, até o dia 07 de dezembro, 754 pessoas brasileiras morreram por conta da dengue, segundo o Ministério da Saúde, que espera novo agravamento de surto este ano, sobretudo a partir de março.

O número de casos ultrapassa a 30 mil nesses três primeiros meses de 2020, e as mortes já somavam 14 em meados de fevereiro. Acre, Mato Grosso do Sul e Paraná são os principais focos.

Dengue, uma doença tropical, que se espalha e mata em velocidade espantosa, se não forem tomadas as precauções sanitárias adequadas. Para isso é imprescindível um sistema público que funcione em esquema de guerra.

Não o temos mais, desde o mordomo usurpador temeroso que o SUS – o maior sistema universal de saúde do mundo, com todos os seus problemas – vem sendo desmontado.

Em Cuba, por exemplo, ilha em condições climáticas semelhantes às brasileiras, não há dengue porque há prevenção.  Mas em matéria de medicina e saúde, os comunistas do Caribe são outro papo.

A mesma Cuba que fornece à China o Interferon Alfa 2B, um dos medicamentos usados na contenção da Covid-19, o mal que vem do coronavírus. A mesma ilha que cercou-se de cuidados para impedir a entrada do vírus em seu território, ponto de grande afluência de turistas do mundo inteiro, ao contrário do que destila o gado.

O novo coranavírus – Sars-cov-2 – já matou 1400 no mundo inteiro, e embora seja mais chegado ao frio, se propaga com mais rapidez do que pode ser letal. Quer dizer mata menos, proporcionalmente, do que a dengue, mas não deixa de ser um problema grande por sua capacidade de infectar – a média é 2,5 pessoas contaminadas por cada uma doente – com o consequente aumento de demanda .no sistema de saúde.

Palavra de sanitarista ativo. Longe, ademais, de ser “uma gripezinha qualquer”, como chegou a apregoar o capiroto que desgoverna este país.

Então, imagine o tamanho do estrago de dois surtos juntos, dengue e corononavírus, num sistema em desmantelo!?

Agora que ele próprio, a exemplo de seu secretário e até de seu filho senador também sob suspeita, pode ser vítima do Covid-19, tudo deixa de ser invenção da imprensa – exageros à parte -, o desgoverno anuncia a recriação do Mais Médicos. Vai contratar 5 mil profissionais e reforçar o horário de atendimento dos postos de saúde, com prioridade para as capitais.

Efeito coronavírus providencial, possibilitando medidas necessárias, mas negadas há tempos, benéficas num ano eleitoral.

Tem mais, a economia em descalabro, com a bolsa perdendo o pé e a mão, com saudades de 1998, e o dólar ultrapassando 5,02, o “possível efeito Haddad”, o Posto Ipiranga se socorre nos velhinhos que queria sufocar.

Resolve antecipar metade do 13º de agosto para abril, estender o número de parcelas do consignado e reduzir o teto de juros para o empréstimo e prorrogar o prazo para a prova de vida de aposentados e pensionistas do INSS.

Assim, quem vai se lembrar das patacoadas, irresponsabilidades e excrescências do comandante da Nação!?

Há controvérsias. Está aí a genialidade do Aroeira para não me contrariar.

 

 

 


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