Paulinho Saturnino: o imperativo do contra-ataque à ‘não-narrativa’

por Sulamita Esteliam
Paulinho, fotografado pela amada Katinha , ora encantada, em 2017

Mestre Paulinho Saturnino, cientista social, ex-professor e ex-diretor da Fafich/UFMG – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais me envia o texto, que posto abaixo.

Sim, ele está de volta, depois de longa hospitalização, que incluiu 40 dias na UTI por problemas respiratórios; não foi Covid. Recuperação física e orgânica em processo evolutivo e vigor intelectual invejáveis.  Fenômeno!

Paulinho me diz que publicou em seu perfil no Facebook, mas não encontrei para lincar. Digo que, se você não o conhece, vale uma visita por lá.

Em análise semiótica precisa, chama a atenção para a ‘não-narrativa’, o fenômeno de comunicação de que se vale o capiroto-presidente et caterva para encantar uma legião de incautos.

A meu ver, parte do que convencionamos chamar de “guerra híbrida”, que não conseguimos decifrar para combater com eficácia. Algo como tática de guerra de ataques simultâneos por todos os flancos, sem pudor ético, compromisso com a verdade, dó ou piedade de outrem.

Mentir e confundir para avançar terreno e ganhar a guerra, para si e para os seus, pela desinformação, a ponto de criar uma “nova verdade”.

Na visão de Paulinho, esse é um dos pontos vulneráveis, que favorece o contra-ataque que precisa ser produzido com urgência.

Transcrevo, com título da minha lavra:

O desafio da ‘não-narrativa’

por Paulinho Saturnino Figueiredo

Até faz pouco, o termo “narrativa” visitava conversas, discussões e escritos diversos. Eram narrativas da esquerda, da direita, feminina etc, em pouco discretas buscas de influências e hegemonias.

Todas com suas lógicas, coerências, e se escorando em dados tão racionais, históricos e científicos quanto possível. E expondo seus argumentos em terreno que acreditavam civilizado, e mesmo democrático.

Esse mundo das ideias e exposições, mesmo em suas diversidades e idiossincrasias, se deparou com um furacão, e nem teve tempo para se articular, se unir ou defender. A ventania não escolheu alvos ou inimigos diletos. Sua varrição assustou e confundiu até adeptos fiéis.

A família Bozo, inspirada no picareta Olavo e em alguns intelectuais e jornalistas revanchistas, todos esses que se sentiam menores do que acreditavam merecer da vida, trouxeram para o cenário a mentira, o medo, a ilusão, a maldade e o ódio como norma. E, através de redes piratas de robôs, se infiltraram com rapidez e eficácia em todos os recantos, alcançando um surpreendente sucesso (ao menos, pra mim), e instalando um caos cruel.

Contaram, claro, com a maior parte das igrejas evangélicas, baixo clero parlamentar e lideranças das forças repressivas, policiais e militares.

Muitos, incluindo eu, ficaram tontos e perplexos com as cargas dessa cavalaria digital. E viram crescer, em oposição, uma não-narrativa, espraiada sobre a ignorância, o ódio, o ressentimento e a desinformação. E essa não-narrativa embaralhou as cartas, escondeu coringas e vem tentando mudar as regras do jogo, e a própria noção de verdade, ao bel-prazer de sua perversidade intensa.

Temos que decifrar os enigmas dessa não-narrativa, mapear seus pontos vulneráveis (um deles é se crer portadora de uma “nova verdade”), e produzir contra-ataques eficazes, capazes de por em crise os sonhos hegemônicos da direita egoísta, espertalhona, verdadeira aberração histórica.

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