Funai joga PM contra indígenas: já não é um órgão de proteção DOS POVOS ORIGINÁRIOS

por Sulamita Esteliam

Pesos e medidas abusivos. Nesta quarta, a Funai provou mais uma vez o desvirtuamento de seu propósito: deu ao Choque da PM o papel de comitê de recepção de grupos indígenas que reivindicavam falar com o presidente Marcelo Xavier. Ao invés de diálogo, bombas de gás lacrimogênio e gás de pimenta.

Povos originários de 40 nações estão em Brasília para o Levante pela Terra, em protesto, particularmente, contra o PL 490, em tramitação no Congresso.

O projeto muda as regras para demarcação dos territórios indígenas, franqueando-as exploradores de toda sorte. Os indígenas exigem a expulsão de garimpeiros e invasores.

Parte dos acampados – 800 homens e mulheres de diferentes regiões do país – marcharam até a sede da Funai. A expectativa era de que uma delegação fosse recebida pelo presidente do órgão, Marcelo Xavier.

Não foi o que aconteceu.

A repressão foi denunciada por representantes indígenas em coletiva de imprensa, em frente à própria Funai, cuja queda é exigida pelos atingidos – íntegra da carta abaixo:

 – O tempo do deste senhor à frente da instituição acabou.

Clique para assistir ao vídeo da entrevista

CARTA PÚBLICA DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL SOBRE A FUNAI

Nós, povos indígenas reunidos no Levante Pela Terra, em Brasília, estamos mobilizados há mais de 10 dias contra a agenda anti-indígena que tramita nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, colocando em risco a vida de todos os povos indígenas.

Ainda sob as restrições da pandemia e com maioria de nós vacinados – vacinação que só aconteceu com muita luta do movimento indígena, reunimos mais de 1 mil indígenas de todas as regiões do Brasil e afirmamos: o delegado Marcelo Xavier não é mais o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai)!

Trata-se da pior gestão da história da Fundação, que deixou de cumprir a função de proteger e promover os direitos dos povos indígenas para negociar nossas vidas e instrumentalizá-la em prol de interesses escusos e particulares do agronegócio, da garimpo ilegal e de outras tantas ameaças que colocam em risco a nossa existência.

Um delegado que transformou a Funai na “Fundação da INTIMIDAÇÃO do Índio”, órgão que, hoje, mais se parece com uma delegacia política que persegue e criminaliza lideranças. Edita atos administrativos anti-indígenas, como a Instrução Normativa nº 09 e outras, negocia medidas no Congresso Nacional, a exemplo do lobby que ele apresentou aos inimigos dos povos indígenas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, pedindo – pasmem! – a aprovação do PL 490.

O PL 490 na prática acaba com a política de demarcação de terras indígenas no país, abrindo possibilidade inclusive de revisão de terras já demarcadas.

Chega de tantos absurdos.
Fora Marcelo Xavier.

Levante pela Terra
Brasília – DF, 16 de junho de 2021

card doação indígena

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