EPM em livre tradução: mais do mesmo

Erenice pediu demissão

Por Sulamita Esteliam

Você sabe o que é EPM?  Pois ele acaba de fazer sua primeira vítima nesta campanha eleitoral: no jogo sujo da manipulação de Escândalos Políticos Midiáticos, reais ou fabricados, a ministra Eurenice Guerra, agora é ex: pediu demissão, nesta quinta, 16, “para se defender em paz”. Ex-auxiliar da confiança de Dilma Roussef, desde o Ministério das Minas e Energia, foi transformada em mira na tabela para a bola principal – a candidatura-líder nas pesquisas de intenção de votos clique aqui para ler em Carta Maior. A expressão EPM é lembrada, e explicada no contexto, pelo jornalista e professor Venício Lima, da UNB, em artigo no Observatório de Imprensa.

No popular, é mais do mesmo. Faço minhas as palavras de Urariano Motta, jornalista e escritor pernambucano, em artigo no Direto da Redação : “O roteiro é conhecido, o filme é velho, mas continua a ser exibido a cada quatro anos, quando se anunciam mudanças políticas no Brasil. É um filme B, de candidatos a canastrão, de poucas locações, mas ainda assim caro, muito caro, pelo preço cobrado e pelas repercussões na vida econômica do Brasil”.

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Todo mundo se lembra do que tentaram fazer com Lula em 2002, quando, no frigir dos ovos, “a esperança venceu o medo”. Voltaram à carga em 2005, na tentativa de derrubá-lo ou enfraquecê-lo para 2006, com a amplificação, à náusea, da chamada “crise do mensalão”. Veio a campanha e, na antevéspera do pleito, entram em cena “os aloprados do PT” e o escândalo do dinheiro para comprar suposto dossiê – eita palavra danada! – contra os tucanos. Tudo para forçar o segundo turno. Acabaram perdendo de lavada.

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JK nos braços do povo - QTML

A história do Brasil é repleta de EPMs. Alguns redundaram trágicos, como Getúlio Vargas, que deu um tiro no peito, em 1954 e Jango Goulart, que foi apeado da Presidência pelo golpe civil-militar, em 1964. Outros usaram a porta do lado, ou a habilidade política para não fazer o jogo do inimigo, a exemplo de Juscelino Kubitschek, que governou o país de 1955 a 60.

Já em 1989, Lula foi alvo, quando usaram sua filha, Lurian, para atingi-lo, e ele perdeu a eleição para Collor de Mello, “caçador de marajás”. O próprio perdeu o mandato presidencial por impeachment, em 1992, após uma série de escândalos detonados a partir de entrevista do próprio irmão. Hoje ele está em sua base aliada de Lula – o poder tem imã.

Agora, Dilma é a bola da vez, e Erenice a primeira vítima. Novamente, a velha mídia faz o papel da oposição, travestida em pretenso jornalismo – de esgoto, como diz o Cloaca. Destaque para o papel da revista Veja, cuja postura antijornalismo é objeto de estudo do jornalista Fábio Jammal, agora assessor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Pernambuco.

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Washington Araújo, mestre em Comunicação pela UNB, em artigo reproduzido pelo Vi o Mundo, a partir do OI, fala, sem meias palavras, sobre a fabrica de escândalos 24 horas, com poucos substantivos e muitos adjetivos:

“Refiro-me a jornalistas e a políticos que consideram a busca da verdade nada mais que

Jango e Tereza: Comício da Central do Brasil, 1964 - Escrevinhador

uma quimera. Profissionais que chegam primeiro às conclusões para depois construir os marcos indispensáveis à formulação de uma tese. Profissionais que difundem suas opiniões na forma de notícias sem atentar para o ritmo que a lógica impôs há séculos no discurso racional e que deve tornar sólida a democracia. Não posso deixar de ver que tal técnica de ignorar a lógica e atacar a verdade pode conduzir o Brasil a um caminho de tristíssima memória (….)”

A pergunta é, será que há espaço no Brasil para golpes de Estado? Não são outros os tempos?

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Cautela e caldo de galinha, já dizia a minha avó, não fazem mal a ninguém. Quanto mais num país de curta memória. É o que alerta o Escrevinhador, em recente postagem.

As últimas pesquisas de opinião mostram que o bombardeio tem saído pela culatra: Dilma permanece à frente das pesquisas de intenção de votos, com larga vantagem sobre o Zé, filho adotivo da mídia e pode liquidar a fatura no primeiro turno. Institutos de pesquisas, como Sensus, arriscam a dizer, que a eleição está “tecnicamente definida”.

Significa que procura da “bala de prata”, como diz o Luiz Nassif, continua. Sobre o assunto, leia também Luiz Carlos Azenha.

Antídoto para desespero e manobras políticomidiáticas é boca no trombone e mobilização. Por isso, o Centro de Estudos Midiáticos Barão de Itararé convoca Ato em Defesa da Democracia, Contra a Baixaria nas eleições e Contra o Golpismo Midiático: dia 23 de setembro, quinta-feira próxima, às 19 horas, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Clique aqui para ler o convite reproduzido no Blogue do Miro.

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