Fatos e fotos de dezembro no Rio

Por Sulamita Esteliam
Praia do Flamento, com o Pão de Açúcar ao fundo. Foto arrastada da internet

O Rio de Janeiro continua lindo, e continua sendo O Rio -um espetáculo de cidade. A paisagem que se descortina da janela de meu quarto de hotel, no Flamengo, ao lado do Palácio do Catete, é de perder o fôlego: em frente, o parque, com suas palmeiras imperiais assistindo, de camarote, ao concluio do mar com a Urca. Lá, onde o Pão de Açúcar se descortina, soberbo.  Terra abençoada!

Vim para o encontro Mulher e Mídia, 7, aberto nesta quinta-feira com uma sessão de cinema no Cine Odeon, na Cinelândia de tantas histórias. Esta reles blogueira não assistiu: foi vencida pelo cansaço de mais uma virada de noite sem dormir. Ironicamente, por obra e graça do trabalho e da viagem – empreendida de madrugada, exatamente, para acompanhar a programação. Quem muito quer, tudo perde, diria o conselheiro Acácio.

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, participou do debate que se seguiu à exibição do filme “Reze para que o Diabo Volte ao Inferno”, no final da tarde de hoje. Amanhã e sábado acontecem o Seminário Mulher, Mídia e Poder,  no Hotel Novo Mundo, na Praia do Flamengo.

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Aqui, neste recanto privilegiado da Zona Sul, passa-se ao largo do drama recém-vivido pela Cidade Maravilhosa, que resultou na ocupação do  Complexo do Alemão, a maior das várias comunidades instaladas ao pé do Morro da Penha, na Zona Norte, conhecidas como Complexo da Penha.

Eis o restropecto, a partir de resumo feito pelo portal Terra: no domingo anterior, 21 de novembro, instalou-se a barbárie. A Linha Vermelha, que liga a Zona Norte à Zona sul, foi palco de ataques violentos, patrocinados por bandidos. Seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos, no início da tarde. Na rota de fuga, o grupo atacou um carro oficial do Comaer – Comando da Aeronáutica.

Desde o início do mês, a população carioca vinha sendo alvo de arrastões nas principais vias de acesso à cidade, sempre aos fins de semana. As autoridades estaduais atribuiam as investidas à reação do tráfico à ocupação das comunidades pelas UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora.

Vigilância permanente também no pátio da Igreja da Penha, antes usada como mirante pelos bandidos. Fotos arrastadas do Portal Terra

É o Estado cumprindo seu papel de resgate da gente trabalhadora do jugo da bandidagem. Registre-se que a expressão inclui as milícias, que cobram proteção usurpando o mando pelo terror. Que, aliás, se instalou – tráfico e milícia – de forma progressiva e avassaladora, no vácuo da ausência do poder público junto à população mais carente, anos e décadas a fio.

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Bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro no Alto do Complexo do Alemão. Território Recuperado

Na terça, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater o recrudecimento dos ataques, que somou 181 veículos incendiados. O confronto resultou em 124 prisões, até agora. A polícia conta quatro PMs feridos no embate e cinco suspeitos baleados.  Oficialmente, houve 39 mortos – alguns inocentes, a maioria pretos e pardos, como sempre.

As forças de segurança apreenderam 222 armas de diferentes calibres desde o dia 22 de novembro. Há mais: 12 coquetéis molotov, oito artefatos explosivos, 179 granadas ou bombas caseiras, uma bazuca, uma espada, seis dinamites, seis espoletas e farta quantidade de munições de diversos calibres. E material inflamável a rodo.

A colheita inclui 24 toneladas de maconha e 88 kg de cocaína. Junte-se 1,1 mil frascos de lança-perfume e 563 papelotes de crack. E mais quatro radiotransmissores, uma calculadora, cinco cadernos com anotações do tráfico e material para embalagem de drogas.

A Polícia Rodoviária Federal foi chamada a fiscalizar as estradas. Marinha, Exército e Polícia Federal, ao longo da semana, se juntaram às forças de segurança estadual no combate à onda de violência.

Guerra civil.

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Farta colheita de armas, drogas e assemelhados

Há uma semana, na quinta-feira, 200 policiais do Bope – Batalhão de Operações Especiais tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeus, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.

Tim fazia reportagem investigativa, para a Globo, sobre a exploração sexual de meninas nos bailes funks da  comunidade. Foi sequestrado, torturado, morto e icinerado. Zeus confessou ter comprado a gasolina usada para queimar o corpo. Valente com uma arma na mão, Zeus molhou as calças ao ser pego.

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Vigilância permanente

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira, pelo Ibope, indica que 88% da população do Rio de Janeiro aprova as medidas tomadas contra o tráfico de drogas no Estado. A maioria da população confia na capacidade da polícia em reprimir a ação dos bandidos, 82%. Está otimista com a expectativa de desfecho do confronto, 72%. E acredita que a ação melhora a imagem do Rio no exterior, 69%. Os números traduzem: demorou.

Entretanto, não basta a repressão ao crime. É preciso que o Estado mostre sua face e cumpra seu papel, também, com ações que atendam às reais necessidades do população, no que diz respeito à educação, saúde, saneamento ambiental, segurança, cultura, esporte e lazer. Sem isso, a retomada de território será efêmera.

É o que deixa claro documento elaborado pelos movimentos sociais do Complexo do Alemão, apresentado nesta quinta, no Rio. Cobra avanços nas políticas públicas para a região e respeito aos direitos humanos.

Chocante!

Ninguém duvida de que houve excessos e abusos por parte das forças de ocupação. A forma como muitos policiais têm entrado nas casas, arrombando portas e quebrando móveis, é o cerne das reclamações. O governo estadual diz que vai apurar e punir os desvios. É o que se espera.

O encontro das entidades e o documento foi organizado pelo Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia, que reúne organizações não governamentais que atuam no Alemão e no seu entorno.



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