por Sulamita Esteliam
Nesta sexta, 17 de agosto, chove sem cessar no Recife. A cidade está sendo chicoteada pela água e pelo vento, e o corpo da gente, até, pede algum agasalho. Já a alma, melancólica, pede poesia, na contramão da faina cotidiana. Forçoso lembrar que, nesta data, encantou-se o Poeta.
Ainda ontem, em tarde agradável com visita amiga, lembrei-me de poemeto-homenagem a Carlos Drummond de Andrade. Escrito há 25 anos, na cidade de Belo Horizonte, onde fui semeada, cresci e pari três dos quatro frutos que gerei. Publico-o abaixo, não sem corar diante do, para mim, Poeta Maior:
Vá, Carlos!

Drummond virou passarinho.
Não resistiu à ausência da filha
e voou ao encontro dela – doze dias depois.
Meu filho faz doze anos e pergunta:
– Por que logo hoje…!?
Morte empatando alegria.
Vida embaçando morte.
O Poeta fez amigos aqui em casa:
moldou carinho e respeito
em bem traçados versos.
“Vá, Carlos, ser gauche…” no céu!
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Clique para relembrar um pouco sobre o Poeta de Itabira do Mato Dentro, nas Minas Gerais.