Filhos de Maristela Just: ‘Por que conosco, por que com ela, por que ele?’

por Sulamita Esteliam

“Alívio, satisfação e saudade. 
Eis os sentimentos que nos tomam ao saber que, enfim, o assassino foi preso e deverá começar a pagar pelo mal que nos fez. Começar a pagar, sim, pois temos certeza que sua punição está apenas no início. Foi com alívio que recebemos a notícia e pudemos transmiti-la aos nossos sofridos e queridos avós ainda em vida; foi com satisfação que vimos a justiça chegar até nós e, de certa forma, servir de exemplo para outros covardes e foi com saudade que, mais uma vez, nos lembramos do nosso grande amor que se foi pelas mãos de um fraco.

É uma mistura de sentimentos que nos confunde, talvez pela longa espera, talvez pela frustração de sentir que, ainda assim, dói e dói muito. A prisão de José Ramos, em nossa visão, fechou um ciclo, mas, é como se ainda faltasse algo, como se ainda não tivesse sido respondida a pergunta “por que”.

Por que conosco? Por que com ela? Por que ele?”

(Extrato da postagem Natália Just, dia 30.10.2012, no blogue casomaristelajust.blogspot.com.br)

Fico arrepiada cada vez que acesso o blogue acima citado. Até porque, guardadas todas as devidas proporções e circunstâncias, digo que posso me colocar no lugar deles. Mas esta é a história, ou melhor, é a sina desta menina e menino, não a minha. As sequelas físicas são superáveis, as emocionais são indeléveis.

Nathália Just tinha 04 anos e o irmão, Zaldo, quando tudo aconteceu. O pai, José Ramos Lopes Neto, então com 22 anos, resolveu cobrar a tiros a rejeição de Maristela Just, 25 anos, sua ex-mulher há dois anos. Matou-a e por pouco leva junto suas crias e o cunhado, Ulysses.

Zaldo carrega a paralisia do lado esquerdo do tronco, permanentemente e também a lhe ativar a memória. Ambos se formaram em Direito. Foram testemunhas-chave no julgamento que condenou José Ramos a 79 anos de cadeia. O tio sobreviveu, mas é estrela, desde os anos 2000.

A atitude covarde, agora, 23 anos depois, agora, começa a ser paga.: 79 anos de cadeia foi a pena arbitrada no julgamento acontecido em junho deste ano – este blogue se refere à tragédia aqui.

Não à toa, a manchete dos três principais jornais pernambucanos, nesta terça, 30, versa sobre o mesmo assunto: a prisão, ontem, do foragido da Justiça, e assassino confesso, que andou foragido pelas calendas brasileiras e, quiçá, pela estranjas, mas acabou pego na segunda, 29, a partir de delação do Disque-Denúncia. Placidamente instalado no lar de sua segunda mulher e mais dois filhos – coitados -, no Espinheiro, bairro de classe média na Zona Centro-Oeste do Recife; desde setembro – aquiaqui e aqui.

Fim das costas quentes. O pai é um poderoso, e inescrupuloso, criminalista, que perdeu o direito de advogar, por decisão da OAB-PE, por conta de suas declarações à época do julgamento: “Se não matasse, não comia na minha mesa” . Tamanha desfaçatez, reza a boca miúda do meio-afim no Recife, é quase nada perto do que o avô destes jovens seria capaz de engendrar. Assista ao vídeo que capturei no Youtube:

O Gajop – Gabinete de Assessoria Jurídica às organizações Populares divulgou nota sobre a captura do assassino de Maristela – clique para ler.

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PS: Se você acessou esta postagem antes, deve ter observado a repetição a não mais poder do parágrafo que antecede o vídeo. Não sei o que houve, costumo revisar cuidadosamente tudo o que posto, embora sempre é possível escapulir uma ou outra coisita. De qualquer forma, agora está corrigido, e peço desculpas.

* em 06.11.2012, às 11:53, hora do Recife.

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