O DNA do “apagão” é da Cemig, confirma Nassif

por Sulamita Esteliam
Charge capturada no blogue O Mundo na Mochila/com.br

Na semana anterior à eleição, comentei no Twitter, a propósito do apagão que deixou o Nordeste, o Norte e parte do Distrito Federal sem energia por mais de quatro horas – do fim da noite do dia 25 ao alvorecer do dia 26 de outubro: “(…) às vésperas de eleições, sei não…”, escrevi.

Linquei postagem do Adivivo, do Luis Nassif, sobre a “anormalidade” dessas ocorrências, segundo o ministro interino das Minas e Energia, Márcio Zimermman: quatro desde setembro e, desta vez, no território da Taesa, subsidiária da Cemig.

Lembrei em tuítes posteriores, que Carta Capital, semanal que assino, havia publicado matéria sobre a “resistência mineira” à decisão do governo federal de reduzir as contas de luz – aqui, no Conversa Afiada -, o que também foi apontado por Nassif, no Twitter, com igual pergunta: coincidência?

Pois bem, não tenho as fontes nem a atividade diuturna do colega, um bamba na área da Economia – desde quando Euzinha ainda frequentava gabinetes e bastidores da área econômica. Há coisa de 21 anos. As antenas, entretanto, essas permanecem ativadas.

Eis que o próprio Luis Nassif, em sua Coluna Econômica no sítio de Carta Capital, traduz o imbróglio a explicar o apagão pré-eleitoral – operado pela Cemig, “a potência energética” mineira:

Transcrevo, para não me alongar -numa quinta, véspera de feriadão:

Há algo de sério com a Cemig

Luis Nassif em Carta Capital

Há algo de sério ocorrendo com a Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais). É dela a responsabilidade direta pelo “apagão” que afetou imensas regiões do país nos últimos dias.

Nos últimos anos, enquanto a estatal paulista CESP definhava, a Cemig tornava-se uma potência energética. Essa expansão, aparentemente, está sendo feita à custa de perda de qualidade e de um novelo acionário.

Como estatal, ela tem limitações para os financiamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Para contornar esse empecilho, assim como os controles burocráticos do Tribunal de Contas, passou a criar uma série de empresas satélites, em um novelo societário incompreensível.

É o caso da Taesa, seu braço de transmissão responsável pelo “apagão”.

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A aquisição da Taesa foi feita através do fundo Coliseu, administrado pelo Banco Modal. O fundo tem mais de 50% do controle da Taesa, mas seu “funding” é da própria Cemig. Ou seja, o controle da fato da Taesa é da Cemig.

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Há pouco tempo, a falta de segurança nas linhas de transmissão da Cemig provocou uma tragédia em Bandeira do Sul, Minas Gerais, com a morte de 16 jovens em um caminhão de carnaval.

Agora, o caso do “apagão” que, na sexta-feira passada, propagou-se pelas regiões Norte e Nordeste.

Segundo informou ontem o Ministro interino das Minas e Energia, Márcio Zimmerman, o equipamento havia passado por manutenção uma semana antes. Ele possui uma chave de proteção, que deveria ter sido reativada após a manutenção e não foi.

Depois da manutenção, o sistema deveria ter sido submetido a testes operacionais, que certamente identificariam o esquecimento da chave. Também não houve os testes.

Com isso o equipamento desligou e o problema propagou-se por todo o sistema elétrico.

***

Não se ficou nisso. Constatado o “apagão”, a empresa demorou mais de quatro horas para providenciar o religamento. Segundo Hermes Chipp, diretor-geral do Operacional Nacional do Sistema Elétrico (ONS), houve falha nos três caminhos principais de religamento da energia.

É um conjunto inadmissível de falhas continuadas. Primeiro, uma falha humana. Depois, uma falha nos procedimentos básicos, que se sucede ao fim de cada processo de manutenção. Finalmente, uma demora injustificada para religar.

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Tudo isso ocorre em um momento em que a própria Cemig encabeça um movimento de resistência à nova política energética.

Afim de reduzir o custo da energia, o Ministério das Minas e Energia decidiu que, na prorrogação das concessões, as concessionárias não poderiam embutir na tarifa de energia a amortização do investimento – mesmo porque, devido à sua idade, as usinas já estavam amortizadas.

A Cemig reagiu alegando que essa cláusula impediria a substituição de máquinas, podendo acarretar problemas futuros. Recusou-se a renovar as concessões das usinas de São Simão, Jaguara e Miranda, e ameaçou entrar na Justiça contra as mudanças.

De repente, não mais que de repente, estoura um problema que deixa sem energia parte relevante do país. E a causa foi um acúmulo de erros humanos e operacionais, que nada têm a ver com investimentos.

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