Mulheres de Tejucupapo: a história, a lenda, a arte

 

por Sulamita Esteliam

Tejucupapo me foi apresentada pelas artes da literatura. Há cerca de cinco anos, li o romance Mulheres de Tijucupapo, da escritora e jornalista pernambucana, radicada em São Paulo, Marilene Felinto. Fiquei impressionada com a força da pena da colega de ofício.

Quem me emprestou o livro foi Rosilene, amiga-irmã pernambucana e colega de trabalho. E é o trabalho a Revista dos Bancários que me leva de volta à história da vila praieira, encravada entre as praias Carne de Vaca e Ponta de Pedra. O vídeo acima, Cai pra cima, holandês, encontrei pesquisando o assunto na rede.

O livro de Marilene Felinto é Prêmio Jabuti de escritora-Revelação, 1983. Teve três edições brasileiras pela Record, a última em 2004. Foi traduzido para o inglês, francês, holandês e catalão.

Faz jus à garra das Marias – Camarão, Quitéria, Clara e Joaquina – guerreiras que entraram para a História de Pernambuco e do Brasil, como a primeira resistência coletiva de mulheres que se tem notícia neste país – a Batalha de Tejucupapo. Há quatro séculos.

Ao lado de maridos, pais e irmãos, lideraram a defesa seu torrão, de suas crias, de seu sustento contra os invasores holandeses. A notícia se espalhou, estimulou outras batalhas aqui e alhures, que acabaram levando à expulsão definitiva dos flamengos das terras brasileiras.

As Marias do século XVII valeram-se do que dispunham para encarar o inimigo, além do imperativo da sobrevivência e da necessidade. E da valentia que se insurge do tudo ou nada. Contra os trabucos dos holandeses, usaram chuços, enxadas, pimenta e água quente. Armas, nada refrescantes para os olhos do invasor.

É uma história linda e trágica, que deixa lições indeléveis. Tornou-se lenda. Virou livro, filme, peça de teatro. No plural.

Distrito de Goiana, município da Mata Norte pernambucana, a 63 km do Recife, Tejucupapo tem pouco mais de 10 mil habitantes, 20 mil se somados aos subdistritos de Carne de Vaca, São Lourenço, Carrapicho e Ibiapiçu.

A população multiplicou-se por dez. As carências e necessidades também. O progresso que traz as indústrias que chegam à região, como a Fiat, na atual fase de desenvolvimento do estado, mais ameaça do que alivia – questões como segurança, moradia, coleta de lixo, por exemplo.  Qualidade de vida.

As Marias do Século XXI lutam batalhas cotidianas pela sobrevivência. Têm DNA.

As mulheres de Tejucupapo continuam guerreiras. E valem-se da força da memória e da criatividade para manter viva a história, criar os filhos, manter a família e seguir em frente.

Todos os anos, desde 1995, no último domingo de abril, encenam a Epopeia das Heroínas de Tejucupaco. Iniciativa do Clube de Mães, liderada pela auxiliar de enfermagem, Luiza Maria da Silva. O espetáculo é apresentado ao ar livre, nos terrenos da Fazenda Megaó, no Monte das Trincheiras, local onde teria se dado a batalha ancestral.


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