O 1º de abril, a memória e a hipocrisia

por Sulamita Esteliam
Em memória das vítimas da ditadura, protesto em São Paulo - AgBr 2012
Em memória das vítimas da ditadura, protesto em São Paulo – AgBr 2012

Neste 1º de abril, completa-se 49 anos que o Brasil pregou si mesmo uma colossal mentira que durou 21 anos de ditadura, custou a vida de mais de uma geração, e deixou feridas ainda hoje não cicatrizadas: o golpe civil-militar, deflagrado dia 31 de março, com a participação entusiástica da imprensa conservadora do país, é bom não esquecer. A memória é um antídoto poderoso, para que nunca mais volte a acontecer – aquiaqui, aqui e também neste blogue.

Permanece a reinar absoluta a hipocrisia nos meios de comunicação do país. Não à toa recebe há anos a pecha de PIG – Partido da Imprensa Golpista, cunhada com precisão pelo deputado pernambucano Fernando Ferro (PT), em 2005.  E já não mais espanta que o mesmo governo que há uma década vem sendo golpeado, alimente a ferocidade de seu algoz com polpudas verbas publicitárias.  Está claro que a presidenta Dilma não quer meter a mão no vespeiro, e deixa a Helena Chagas e Paulo Bernardo a tarefa de untar o chicote que lhe cai nas costas.

Carta Capital da semana traz alentada reportagem de capa a respeito. Enquanto isso, a mídia alternativa sobrevive no deserto. Ou não.

Mês passado, a revista Caros Amigos demitiu repórteres, em greve por falta de pagamento, e fechou as portas por não dispor de recursos. Hoje, depois de uma semana meio que afastada do mundo virtual, li com preocupação e tristeza, a notícia de que o blogue Vi o Mundo, pilotado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha – com o auxílio competente e decisivo de Conceição Lemes – iria ser desplugado, depois de 10 anos no ar.

O próprio Azenha o anunciou, em postagem na Sexta da Paixão, ao sentir-se crucificado após perder ação judicial para o poderoso global Ali Kamel – diretor da emissora que se locupleta com cerca de 70% da verba publicitária do governo federal. Mais no Blog do Rovai.

Não é o primeiro e, pelo andar da carruagem, não será o último. Rodrigo Vianna, também, perdeu, recentemente, ação para a Globo e seu diretor. Ao que tudo indica, a plim-plim manda no Judiciário, pelo menos no Rio de Janeiro e pauta as ações do governo que execra, diuturnamente.

Agora á noite, na tentativa de alinhavar estas linhas, descubro que Azenha, felizmente, recuou da decisão. Salvou-nos a onda de solidariedade que inundou a blogosfera progressista e as redes sociais diante do gesto. Resgatou-o, especialmente, ele confessa, o manifesto de um leitor no Facebook. O Vi o Mundo permanece, sob novas diretrizes. Viva. A coragem é um atributo dos grandes.

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Postagem revista e atualizada dia 02.04.2013,às 22:34.


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