Clara Nunes, eterna claridade

por Sulamita Esteliam

Clara NunesCresci ouvindo histórias sobre Clara Nunes, a mineira guerreira que este blogue homenageia. Algumas, acredito que são lenda. Outras, a biografia da “tal mineira” as confirmaram ao longo do tempo. A força do mito construiu o carinho que tenho por ela, desde tenra infância. E a claridade do seu canto me conservaram sua fã vida afora.

Em comum nós temos Caetanópolis. Foi lá que viemos ao mundo. Clara, no ainda Cedro, distrito de Paraopeba, onde foi registrada, em 1942. Euzinha, na festa da emancipação, pouco mais de 11 anos depois. Minha certidão de nascimento, porém, é de Belo Horizonte. Lá meus pais foram morar depois do casamento, e lá me fizeram.

Também sou regida por Iansã, mas com Oxóssi.
(clique para ver o vídeo, não consegui incorporá-lo).

A mão da vida, e da morte, me levaram de volta a pequena cidadezinha – que ainda hoje gravita em torno da fábrica de tecidos – várias vezes. Na fábrica trabalharam minha mãe, meu pai, minhas tias, meus tios, minhas primas mais velhas.

Minhas famílias, materna e paterna, se encontraram no Cedro em meados dos anos 40, vindas, cada qual, de uma banda do imenso tabuleiro roseano, centrado em Sete Lagoas. E a tecelagem era o trabalho possível.

Minha tia caçula e minha primeira prima foram colegas de Clara na tecelagem, e dela são fãs incondicionais. Em estada recente pela terrinha, a prima Gê me contou da emoção de visitar o Memorial Clara Nunes, em Caetanópolis – aqui e aqui . Foi inaugurado em 2012, na celebração dos 70 anos dela. Aliás, preciso visitá-lo.

Foi minha mãe a principal responsável por meu encantamento por Clara. Quando perdemos meu pai, em 1958 – ano em que Clara migrou para Beagá -, a família nos levou para Caetanópolis. Creio que, de alguma forma, minha mãe alimentava o desejo de eu vir a seguir os passos da conterrânea.

É que eu gostava de cantar, assim como minha mãe e meu pai, e até fazia algum sucesso nas festas da escola e da igreja, no pouco tempo que permanecemos por lá. Havia quem me chamasse de “Clarinha”…

Ficamos no sonho. A comparação não procedia.

Que passem tantos outros 30 anos daquele 02 de abril que a levou encantada, Clara Nunes é eterna em todos nós – clique para ler reportagem do Correio Braziliense.

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Para saber mais sobre a trajetória de Clara Nunes, acesse:

Blog Oficial: www.claranunesvozdeouro.blogspot.com

E ainda: http://www.dostearesaoexpoentedampb.blogspot.com.br/

Ambos linkados na coluna lateral deste blogue.


4 comentários sobre “Clara Nunes, eterna claridade

  1. Então vou contar minha história com participação especial de Clara Nunes.
    Ou melhor, eu de codjuvante. Melhor ainda: de figurante.

    —Meu avô – lado materno – era presidente da matriz do Banco Comércio e Industria, que por sua vez era sócio da Pepsi Cola / Mate Coura em Minas. Sigefredo tinha também lá suas ações do banco e da Pepsi ( o filho perdeu tudo jogando mal na Bolsa).
    Pois bem, a Pepsi fez festa para o lançamento do refrigerante Mirinda – concorrente da Fanta. Bem no início dos anos 1960.
    — Meu avô chamou dois ou três dos netos homens e mais velhos para o regabofe.
    A estrela da noite, mais que Mirinda, era Clara Nunes, que cantou e encantou marmanjos e nós garotos olhando aquele mulherão sensual bem de pertinho.
    Depois de muitos copos de Mirinda e do show, meu avô foi comprimentar a artista e nos levou junto. Eu muito tímido, recebi sem reação, a mão de Clara na cabeça e um beijo. Para poder sonhar de noite e outros dias/noites que se seguiram.
    E assim foi.
    — Só não me lembro onde foi o lançamento. Talvez num salão de hotel. Porque no do banco sei que não, porque era lugar que de vez em quando aos domingos de manhã a gente ia ver filmes e depois ‘brincar de banco’ na rua Espírito Santo.

  2. Já a algum tempo, parei de escrever sobre Clara. Muito embora o tempo escasso tenha sido um dos motivos da ausência, algumas peculiaridades de seus admiradores se tornaram um balde de água fria em meu compromisso e dedicação.

    No entanto, ao ler sua publicação, Sulamita, senti uma renovação em minha vontade. Por ser sua admiração despida de sentimentos de disputa de atenção e propriedade sobre o ídolo, coisas comuns ultimamente por entre os aficionados em Clara.

    O que se vê são disputas de fotos, vídeos, blogs, amizades com D. Mariquita e o que mais estiver relacionado a Clara. Triste. Muito triste. Certa de que ela jamais admitiria essas formas de gostar, me retive em minha admiração “quieta”, embora intensa sempre, desde a minha meninice.

    Tenho 47 anos e vivi Clara plenamente. Ia a seus shows, tinha todos seus discos, enfim, uma fã incondicional, mas sempre admirando seu lado verdadeiro. A Clara que errava, que não era perfeita, muito menos santa! Aliás, por vezes já disse isso, seu lado “desafiador” sempre me encantou.

    Lendo seu depoimento hoje, volto a pensar que nós, que tivemos o privilégio de “viver” Clara, temos sim o compromisso de disseminar o que sabemos e vimos, para que sua história não fique distorcida ao longo dos anos.

    Clara foi mais que Deusa dos Orixás. Clara foi muito mais do que coroas de conchas. Clara foi muito, muito mais do que uma não-mãe. Clara foi além. Foi ídolo com qualidade. Sem maracutaias. Verdadeira em erros e acertos. Mulher. Intérprete. Amante da música, não só da MPB. Clara foi, sim, iluminada. Clara foi muito mais do que se está conseguindo mostrar às novas gerações.

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