Dilma em campo, e na ofensiva

por Sulamita Esteliam
A presidenta Dilma Roussef - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
A presidenta Dilma Roussef – Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Bem que eu queria mudar de assunto. Só que o povo está na rua, a Dilma está no ataque, e não tem como fugir: ou pega a bola ou leva gol. Voltar à tona pós-feriadão (aqui em Pernambuco o São João é dia de folga, ninguém é de ferro) e encontrar o Brasil discutindo seu futuro político, com pauta propositiva, não tem preço.

Estardalhaços de celebração, dúvidas, esperneios e as tentativas de sempre de desqualificar. Mas, também, adesões. Tudo isso indica que o esquema tático da presidenta da República, sinalizado já no seu pronunciamento em cadeia de rádio e TV na sexta última, sacudiu o time, mexeu com a torcida e confundiu os adversários.

Das cinco propostas de pacto (clique para ler ou para relembrar) colocadas na reunião com os governadores e prefeitos das capitais, na segundona, a dominante é a da reforma política. Urgência que o Congresso cozinha há 20 anos.

Outra, que já faz década, é a proposta que torna hediondo o crime de corrupção, agregada por Dilma. Lula enviou a proposta para o Legislativo em 2003. Não anda porque inclui o corruptor-empresa na roda,  e portanto não interessa à bancada de empresários, majoritária – pelo menos enquanto se mantiver financiamento privado a turbinar campanhas milionárias. Quem sabe agora vai…?

Dilma propôs, de início, a realização de plebiscito para autorizar a convocação de uma Constituinte Exclusiva para fazer a reforma.  Nesta terça, passou o dia ouvindo diferentes atores: OAB, STF, Congresso, movimentos sociais.

Consolidou a ideia do plebiscito centrado na reforma política, apoiada até pelo Joaquim Batman Barbosa – leiam no Conversa Afiada e também no Luiz Nassif.

Afastou a Constituinte exclusiva – aqui na Agência Brasil. Rechaçada como inconstitucional por uns, inclusive por seu vice Temer, há vozes em socorro da constitucionalidade, entretanto. Uma é de Luís Roberto Barroso, o mais novo ministro do Supremo,  em Carta Capital. Outra é do jurista Pedro Serrano, da PUC São Paulo, ouvido por Carta Maior.

A questão é, essencialmente, política. E Dilma, ao assumir o comando, partir pro ataque e fazer recuo tático, preserva o essencial e mostra que tem, sim, apetite para o jogo.  Não pode a Constituinte? Tome soberania popular. Quem tem medo?

Resumo, a essa altura do campeonato: a presidenta colocou Congresso, governadores e prefeitos mais o Judiciário em campo, pontuou responsabilidades e refrescou a memória dos movimentos sociais e da nação.

Em outras palavras, é como se dissesse: “Alô! Sou presidenta da República, não imperatriz ou fada madrinha, não tenho poderes absolutos nem varinha condão.”

Ou se preferem: “Ouviram a voz das ruas? A República tem três poderes e o Executivo três níveis de responsabilidade. Aviem-se, pois o tempo urge, sem direito à mais prorrogação”.

 


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