por Sulamita Esteliam


Programei-me para estar no Coque no domingo à tarde, nos diferentes atos de resistência, solidariedade, cidadania e cultura pelo direito de moradia – aqui no blogue. Não pude, entretanto, resistir ao convite para almoçar, tarde adentro, com meu neto, que completou 17 anos neste 04 de agosto. É o primeiro. Um menino treloso, que começa ganhar ares de gente grande. Damabiah tem poder.

Então, sem pejo, transcrevo texto da amiga jornalista, escritora, atriz, contadora de histórias e mediadora de leitura voluntária na Biblioteca Popular do Coque, Fabiana Coelho. Sim, ela ainda encontra tempo para ser mãe de um casal de rebentos precoces e talentosos, que leva à reboque em suas atividades. Educação-cidadã pelo exemplo e pela prática.
Faz lembrar-me certa pessoa, que, no dizer do filho, carregava as crias “para lá e para cá, feito chaveirinho…” Mas essa é outra história.
Eis o texto da Fabi, como a chamamos carinhosamente, que capturei lá no blogue da BP Coque, onde você pode ler a íntegra e ver outras fotos:
Coque RExiste: ponto de encontro de quem sonha com outra cidade

A cidade que queremos é viva como as ruas do Coque neste domingo, 4 de agosto: Dia de Resistência pelo Direito à Moradia.
A cidade que queremos tem crianças brincando nas ruas e jovens tocando nas praças.
A cidade que queremos tem bicicletas e passeios, dança, música, livros e poesia.
A cidade que queremos é encontro, não muros.
Assim como foi ponto de encontro o Coque RExiste: de pessoas que entendem a cidade de uma outra maneira.
Que não querem vê-la loteada entre construtoras para que as elites se tranquem em seus condomínios de luxo.
Que não querem muros a separar as gentes.
Que não querem ver expulsos para sempre aqueles pedaços de terra em que as pessoas conversam nas calçadas e não se entocam em frente ao computador e televisão.
E, como escreveu Alice Nascimento, de 14 anos, frequentadora da Biblioteca, o Coque é um “bairro de magia e poesia / só precisa de algumas melhorias”.
Coque RExiste surge para cobrar estas melhorias de que fala Alice. Surge para cobrar o direito à moradia e marcar a resistência dos moradores, que não vão aceitar ser expulsos mais uma vez.
Diz o jornal “Diário de Pernambuco” que a Prefeitura revogou a concessão do terreno para a OAB. Era uma concessão ilegal, feita no final do mandato da gestão passada, confrontando a lei do PREZEIS – que estabelece que ali é Zona Especial de Interesse Social. Se, de fato, a concessão foi revogada, o movimento já sai com uma grande vitória.
O Coque RExiste não vai parar por aí. Os vários grupos e pessoas que aqui se encontraram continuarão juntos. Biblioteca, Neimfa, Espaço Livre, Igreja, Coque Vive, MABI, Direitos Urbanos, Centro de Advogados Populares e todos os que se uniram nesta empreitada prometem continuar buscando, a partir do Coque, outro projeto de cidade.
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Mais sobre assunto aqui, no blogue da Releitura PE. Na página do movimento Coque RExiste no Facebook tem fotos de todas as atividades na comunidade ao longo do dia, de cobertura coletiva.
A revista Aurora, do Diário de Pernambuco, publicou em julho boa reportagem a respeito da vida em favelas do Recife, sobretudo no Coque.
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