Deuses nas ‘redes da insustentabilidade’…

por Sulamita Esteliam
A imagem representa o termo "Dilma" no Twitter em junho/2013: capturada em Labic.net - Laboratório de Cibercultura
A imagem representa o termo “Dilma” no Twitter em junho/2013: capturada em Labic.net – Laboratório de Cibercultura

Ando bastante desligada. Tento convencer meu ouvido esquerdo, tuberculoso, a considerar que o cérebro entra em parafuso com excesso de informação. E devolve em forma de mal-estar…

Conversa mais atravessada para uma noite de domingo, quando até os deuses adormecem na pasmaceira do pós-almoço, e janta.

Então, me deparei com este poema de Jomard de Britto em minha caixa de mensagem. Faz tempo não publico seus versos por aqui, e não é porque ele tenha me excluído de seus gestos poéticos de generosidade.

Este chegou em outubro. Um mês passado não interfere no espírito que permeia os versos. Bem a calhar para dar tratos aos botões num início de semana. Que seja profícua, como os poemas de Jomard:

TODAS AS COISAS ESTÃO CHEIAS DE DEUSES?
Jomard Muniz de Britto, jmb
Tudo se faz por contraste: da luta dos contrários
nasce a mais bela e justa harmonia.
Os pré-socráticos por NÓS.
Heráclito nos entrelugares contemporâneos
percorrendo reais, simbólicos, imaginários.
Tudo sempre singular no plural.
O que aguarda os humanos após a morte
(e mesmo antes) é o que desesperam
nem tentam pelos deuses imaginar.
Investigam caminhos, labirintos, enigmas
e jamais encontrarão os limites da vida
tão profundo é  o seu LOGOS.
O itinerário da espiral sem fio
é reto e curvo, desdobrável ao infinito.
Deuses em conversações analógicas
preferem desconhecer situações-limite
entre espionagens planetárias e outras
bisbilhotices planaltinas e provinciais.
Por NÓS manifesta-se sempre uma e mesma
coisa: vida e morte, vigília e sono,
velhice e juventura, invenção e retrocessos.
Coragem nas redes da insustentabilidade.
O fogo se transforma pelo LOGOS em todas
as coisas e todas as coisas podem ainda
transcender em labaredas clarividentes.
Assim ousamos trocar mercadorias por ouro
e ouro por mercadores partidários.
Deuses pré-socráticos não devem ser reféns
de um Deus do Impossível.
Seres não coisificados investem na
aventura do experimental, desejando
o LOGOS além das lógicas dualistas,
tornando-se fogo, fôlego, fulgor pela
intuição das práticas transformadoras.
Todas as coisas estão cheias de deuses
replicantes, visionários, experimentadores
do tudo ao nada?
Recife, outubro/2013

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