Financiamento coletivo para a causa Kaiowá-Guarani

por Sulamita Esteliam

Assista ao vídeo:

Projeto Vídeo na Aldeia: 'Martírio'
Projeto Vídeo na Aldeia: ‘Martírio’

A campanha de financiamento coletivo, lançada pelo projeto Vídeo nas Aldeias, está no ar, e você pode ajudar, clicando e espalhando o acesso à comunidade Catarse que a conduz:  http://catarse.me/pt/kaiowa /.

O melhor é que as doações cabem em qualquer bolso – a partir de R$ 10. Euzinha já contribui, dentro das minhas possibilidades. Todo mundo pode contribuir. Só faltam 40 dias para fechar a campanha.

Até a hora em que escrevo, há 480 apoiadores e metade da meta dos recursos necessários: R$ 80 mil é o total. O projeto, no curto prazo, é finalizar o documentário longa-metragem Martírio e promover oficinas de formação audiovisual, dotando as aldeias de equipamentos que possam registrar o abuso sobre os direitos dos Kaiowá-Guarani ou Guarani-Kaiwoá.

O título do filme fala por si: Martírio. Trata-se do registro “sobre as circunstâncias em que os Guarani-Kaiowá foram expropriados de suas terras, as retomadas e o teatro do lobby ruralista no Congresso, e o terrorismo midiático da imprensa”.  

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Semana passada enviei um correio eletrônico para a direção da Funai/Ministério da Justiça. Solicitei informações sobre o processo de demarcação das terras do povo Kaiwoá-Guarani, do Mato Grosso do Sul. Não recebi qualquer retorno – pelo menos até a hora em que traço estas linhas.

Fiz o contato a propósito de notícia publicada no sítio do Cimi, exemplo pronto e acabado do descaso inexplicável, e inaceitável, do governo federal para com os povos indígenas, sobretudo no que toca aos Kaiowá-Guarani. Esse povo vive um cotidiano de guerra civil, e é o lado mais frágil de um conflito que se arrasta há anos com a leniência do governo.

O caso dos índios da aldeia-acampamento Pyelito Kue, na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai é exemplo claro. Em outubro completou-se um ano da divulgação da dramática carta da tribo – aqui, aqui e aqui neste blogue. O governo prometeu solução, só não disse em que era…

Os Kaiowá-Guarani perderam a paciência: “Nós queremos que eles [governo brasileiro] cumpram a sua palavra. Eles falam que vão fazer. Nós já ficamos esperando. E eles não estão cumprindo, não estão chegando e não vem para demarcar a nossa terra. Nós gritamos que esgotou nossa paciência (…) Precisamos ocupar de volta nossa Tekoha”, afirma novo documento, divulgado no final de novembro.

De acordo com a reportagem do Cimi, os indígenas exigem a presença da Força Nacional e da Polícia Federal para garantir sua segurança, uma vez que se tem notícias de que os fazendeiros voltaram a armar suas milícias. Adiantam, entretanto: “Se houver algum pedido de liminar ou reintegração de posse, já vamos deixar bem claro que a guerra será declaratoriamente (sic)”.

A pergunta que não quer calar é: o governo está esperando o quê para cumprir a sua parte, que ocorra um massacre!?

Passou da hora de cobrar atitude do Ministério da Justiça, presidenta Dilma.

Protesto Kaiwoá-Guarani em frente ao Congresso Nacional, em 2012 -Foto:Wilson Dias/AgBR
Protesto Kaiwoá-Guarani em frente ao Congresso Nacional, em 2012 -Foto:Wilson Dias/AgBR

 

 


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