Fifa escapa da Lista da Vergonha 2014

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada no sítio da premiação
Imagem capturada no sítio da premiação

A Fifa recebeu 54 mil 333 votos do mundo todo. Sessenta e dois por cento, ou 33 mil 642 votos, saíram do Brasil, a justificar o humor de parcela dos brasileiros com os abusos cometidos no país em nome da Copa 2014. Pena que a organização comandada por Joseph Blatter e Jerôme Valcke ficou apenas com o terceiro lugar no Public Eye Awards, Olho Público deste ano.

A despeito da significativa votação popular, a Fifa, pois, está fora da Lista da Vergonha, que incorpora apenas os vencedores na categoria de irresponsabilidade ambiental e social. Nesta edição, o troféu é da petroleira russa Gazprom, que recebeu o Prêmio Público, com 95.279 votos. O Prêmio do Juri ficou com a têxtil norte-americana Gap, que recebeu 44.342 votos.

Sim, o segundo lugar ficou com as indústrias de pesticida Sygenta, Bayer, Basf, multinacionais conhecidas como The Bee Killer, ou assassinas de abelhas. Levaram 59.837 votos, 849 dos quais do Brasil – aqui.

Não entendeu nada? Traduzo: trata-se de uma premiação às avessas instituída pela Berne Declaration (BD) e pelo Greenpeace Suíça. Aponta o dedo para o lado perverso do crescimento econômico mundo afora, ao denunciar o poder absoluto e ilimitado das corporações multinacionais em relação às pessoas e ao meio ambiente.

O prêmio expõe a prática de negócios irresponsáveis. E se constitui uma ferramenta para criticar, publicamente, violações de direitos humanos e trabalhistas, destruição ambiental ou corrupção. Nos sete cantos do Planeta.

Justiça ecológica e social é o objetivo da campanha  – clique para saber mais.

O resultado foi divulgado no último dia 23, com a devida conferência de imprensa. Coincidiu, como em todos os anos, com o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Basta uma rápida busca na rede para constatar o tamanho do destaque que a premiação recebeu na mídia convencional. Será por quê?

A Gazprom, desde o mês passado, explora petróleo no Mar Ártico. Começou mal. As perfurações, denunciam organizações não governamentais de defesa do meio ambiente, desrespeitam várias regulamentações federais de segurança e ambientais – aqui.

Aliás, a plataforma Prirazlomnaya está na gênese da prisão de 30 ativistas do Greenpeace pelas forças de segurança russas, em setembro de 2013. Dentre eles, a brasileira Ana Paula Maciel, libertada no final do ano. Eles protestavam contra a iminente perfuração dos poços.

Já a Gap, gigante da moda, explora a mão de obra indiana, com salários miseráveis e violação de direitos humanos. Segundo os organizadores, a multinacional se recusa a assinar acordo compulsório de combate a incêndio e de segurança em prédios em Bangladesh – aqui

O Comitê Popular da Copa indicou a Fifa como concorrente ao Prêmio da Vergonha. A justificativa são os impactos negativos, sobretudo sociais, das obras para viabilizar a realização do mundial no Brasil.

Por exemplo:“Centenas de milhares de pessoas, nas 12 cidades anfitriãs, foram forçadas a deixar suas moradias, perdendo seus lares e subsistência. Além disso, a FIFA não tem nenhuma intenção de permitir que pequenas empresas e negócios familiares se beneficiem das oportunidades emergentes durante o torneio.

A FIFA mantém zonas de exclusão em um raio de dois quilômetros dos seus estádios e concentrações de torcedores, onde controlam o movimento das pessoas e a venda de produtos, fazendo com que uma infinidade de vendedores de rua perca seus trabalhos. As pessoas mais pobres estão arcando com o maior ônus e enfrentam repressão intensa caso tentem defender seus direitos” –  mais aqui.

Os argumentos não sensibilizaram número suficiente de pessoas no mundo, nem o júri.

No blogue Direitos Urbanos, um artigo detalha as incongruências do investimento milionário para adequar o país ao padrão Fifa.

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PS: A edição de agosto da Revista dos Bancários traz entrevista que fiz com o coordenador do Comitê Popular da Copa em Pernambuco, Evanildo Barbosa. Ele fala sobre as mobilizações de junho e sobre as consequências das obras da Copa 2014  na vida de mais de mil famílias no Recife e Região Metropolitana

Achei que a tivesse reproduzido aqui no blogue, mas equivoquei-me. Então, clique para ler a matéria em PDF no sítio do sindicato da categoria, que edita o informativo. O título é: Não nos convidaram para esta festa.

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Postagem revista e atualizada em 30.01.2014, às 10:38, hora do Recife

 

 


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