O Brasil no clima da Copa, queiram ou não os juízes

por Sulamita Esteliam
São Paulo também não resiste ao clima da Copa - Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
São Paulo também não resiste ao clima da Copa – Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Saí esta manhã por Boa Viagem, atrás de uns mimos verde-amarelos para completar nossa indumentária de torcedores, aqui em casa. Fiquei feliz em ver que meu bairro já se veste com bandeiras e adereços nas cores do Brasil. Recife não foge a luta, e ama futebol. Ainda bem.

Confesso que me causou certa surpresa ver os táxis embandeirados. Mas bandeiras do Brasil estão por toda parte, nas varandas e janelas dos prédios de apartamentos, dos mais simples aos suntuosos. Estão nos bares e restaurantes e, claro, no comércio de modo geral. E as pessoas já envergam nossas cores pelas ruas.

As notícias que nos chegam dão conta de que o clima de Copa, enfim, toma conta do país. Até mesmo São Paulo, que anda com o humor mais atravessado do que sempre, já está em campo.

Xô, complexo de vira-latas!

A propósito, encontro em Carta Maior o clipe com a canção oficial do programa da Telesur que vai narrar os acontecimentos da Copa do Mundo no Brasil. Será ancorado por ninguém menos que Maradona e Victor Hugo Morales.

De Zurda/De canhota é um banho de arruda no baixo-astral: lembra que o Mundial engradece o nosso continente, e alerta, no refrão: “Quando o mundo estiver ao contrário, é melhor pegá-lo de esquerda, e vamos celebrar a festa até que saia o campeão”:

 

 

Com tanto espalha-brasa por aí, a assessoria da Presidência da República marcou um tento ao publicar, no último domingo, artigo da presidenta Dilma Roussef sobre a Copa das Copas em jornais de 18 países. Ainda que com comentários nem sempre favoráveis, como no New York Times, alinhado estrangeiro no time que surfa na onda de críticas ao governo brasileiro.

Reproduzo o artigo, publicado também na Agência Carta Maior:

A Copa das Copas

A presidenta Dilma Roussef: bom humor na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Roussef: bom humor na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Por Dilma Rousseff

A partir desta quinta-feira, os olhos e os corações do mundo estarão voltados para o Brasil. Trinta e duas seleções, representando o melhor do futebol mundial, estarão disputando a Copa do Mundo, a competição que de quatro em quatro anos transforma a todos nós em torcedores.

É o momento da grande festa internacional do esporte.  É também o momento de celebrarmos, graças ao futebol, os valores da competição leal e da convivência pacífica entre os povos. É a oportunidade de revigoramos os  valores humanistas de Pierre de Coubertin. Os valores da paz, da concórdia e da tolerância.

A “Copa das Copas”, como carinhosamente a batizamos, será também a Copa pela paz e contra o racismo, a Copa pela inclusão e contra todas as formas de preconceito, a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo, do entendimento e da sustentabilidade.

Organizar a Copa das Copas é motivo de orgulho para os brasileiros. Fora e dentro de campo, estaremos unidos e dedicados a oferecer um grande espetáculo. Durante um mês, os visitantes que estiverem em nosso país poderão constatar que o Brasil vive hoje uma democracia madura e pujante.

O país promoveu, nos últimos doze anos, um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, aumento do nível de emprego e inclusão social do mundo. Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, elevando, em uma década, à classe média 42 milhões de pessoas e retirando da miséria 36 milhões de brasileiros.

Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia vibrante. Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos harmonicamente com manifestações populares e reivindicações, as quais nos ajudam a aperfeiçoar cada vez mais nossas instituições democráticas.

Em todas as 12 cidades-sedes da Copa, os visitantes poderão conviver com um povo alegre, generoso e hospitaleiro. Somos o país da música, das belezas naturais, da diversidade cultural, da harmonia étnica e religiosa, do respeito ao meio ambiente.

De fato, o futebol nasceu na Inglaterra. Nós gostamos de pensar que foi no Brasil que fez sua moradia. Foi aqui que nasceu Pelé, Garrincha, Didi e tantos craques que encantaram milhões de pessoas pelo mundo.   Quando a Copa volta ao Brasil depois de 64 anos é como se o futebol estivesse de volta para a sua casa.

Somos o País do Futebol pelo glorioso histórico de cinco campeonatos e pela paixão que cada brasileiro dedica ao seu clube, aos seus ídolos e a sua seleção. O amor do nosso povo por esse esporte já se tornou uma das características de nossa identidade nacional. Para nós o futebol é uma celebração da vida.

Em nome de 201 milhões de brasileiras e brasileiros, estendo as boas-vindas aos torcedores da França e a todos os visitantes que vierem ao Brasil compartilhar conosco a “Copa das Copas”.

(*) Presidenta da República Federativa do Brasil

 


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