0 #OcupeEstelita resiste e precisa de você

por Sulamita Esteliam

Preliminares: assista aos vídeos.

  • Primeiro este, em ritmo de clip. Objetivo, preciso, um soco no estômago. Ação e Reação. Filme assinado por Marcelo Pedroso:

 

 

  • Depois este, feito no calor da brutalidade dos acontecimentos no Cais José Estelita:

 

 

  • Por último este Estelita, No Right jun2014, com legendas em inglês para o mundo todo conhecer. Dirigido por Benedito Serafim, filmado por Renan Peixe e editado pela Aratu Produções:

 

 

Ocupe-ato torturaMemória é pré-requisito para a cidadania.

Nesta quarta, Dia Internacional em Apoio às Vítimas da Tortura, o movimento #OcupeEstelita programou Ato em Apoio às Vítimas da Tortura e Contra a Violência da desocupação policial, que ontem completou uma semana.

Começou à tarde e prossegue até a noite, segundo a programação ao lado. No fim de semana, também, houve intensa programação cultural, que levou milhares de pessoas para a praça que fica sob o Viaduto Captão Tenudo, que dá acesso ao Cais José Estelita, no Cabanga – aqui.

principios do ocupeSignifica que o #OcupeEstelita está vivo, e completa 35 dias neste 25. Apesar da truculência político-policial do 17 de junho, sob as bençãos da Justiça e dos governos estadual e municipal. E com patrocínio das grandes empreiteiras.

Dois artigos de Leonardo Cysneiros, do Movimento Direitos Urbanos, recuperam o histórico da ocupação/desocupação, e ajudam a compreender a dimensão do embate: aqui e aqui.

Como ajudar o ocupePara ser feliz: O #OcupeEstelita precisa de suporte financeiro e estrutural para se manter – material e humano. O adesivo ao lado indica os caminhos.

Solidariedade é exercício de cidadania.

O #OcupeEstelita, na praça sob o viaduto - Foto capturada no sítio Direitos Urbanos
O #OcupeEstelita, na praça sob o viaduto – Foto capturada no sítio Direitos Urbanos

 

Leia artigo tocante de Liana Cirne Lins, advogada do movimento, sobre o garoto Batoré, um dos heróis da resistência. E o apelo pela colaboração ao trabalho sócio-cultural que vem sendo realizado lá, e que precisa da ajuda de homens e mulheres de boa-vontade.

Reproduzo do Facebook, após consulta à autora:

O DIREITO DE SONHAR

Liana Cirne Lins

Há uma insistência em não reconhecer nosso movimento como horizontal. Sempre dizem “os líderes” do movimento. Que líderes? Não temos líderes. Somos uma estrutura nova e difícil de articular, com inúmeros ônus e bônus que isso acarreta.

Mas é sim possível dizer que a ocupação tem um chefe.

Um chefe afetivo.

E o nome dele é BATORÉ.

Batoré é uma criança.

E ele ama aquela ocupação

Junto com outras crianças, ele ganhou uma barraca e passou a ter o seu status de ocupante oficializado.

Quando a polícia invadiu a ocupação, Batoré e seus amigos foram também alvejados.

Ele saiu revoltado, com a perninha machucada e gritando pra mim “eles me machucaram, tia”, já com uma pedra na mão, querendo revidar a violência que sofreu e testemunhou com aquela pedra que, a contragosto, devolveu ao chão depois de alguma conversa, frustrado por não poder reagir à brutalidade.

Seus olhinhos de frustração ao devolver a pedra ao chão ainda estão marcados em minha memória, assim como todo aquele dia em que fomos vítimas da violência e da vilania de um estado sem palavra e sem honra.

Batoré é uma criança negra e pobre, assim como seus amigos.

Quando dei entrevista ao repórter da BBC, ele me perguntou sobre a violência contra as crianças da ocupação. Expliquei que entre todos e todas, para as crianças era mais difícil.
O Ocupe Estelita é para elas um oásis em meio ao deserto de humanidade.

Lá elas são CRIANÇAS.

E do lado de fora da ocupação elas são “cheira cola”.

Lá elas são respeitadas e tratadas como iguais.

E do lado de fora elas são subgente, “menores de idade”, em conflito com a lei.
Foi por causa delas que Ivana Driele começou a organizar a Escolinha do Estelita, que não teve oportunidade de iniciar suas atividades em razão da desocupação violenta do dia 17 de junho.

Nenhuma criança vai ser expulsa do Estelita por nenhuma razão!

Mas queremos expulsar um inimigo comum: a cola.

Não é fácil, pois esse é um inimigo ardiloso que se finge de amigo.

É um inimigo que chegou há muito tempo, desde sua mais tenra infância, e que ganhou a confiança dessas crianças. Um inimigo que roubou seus sonhos. E que vai lhes roubar a vida mais cedo do que deveria.

Para tirar a cola das crianças, os ocupantes decidiram usar atividades lúdicas, aulas de vilão, aulas de circo, contação de histórias.

Mas isso não tem sido suficiente para vencermos essa guerra, que é tão difícil quanto a própria guerra que estamos travando contra toda a corrupção que envolve o projeto Novo Recife.

Porém, hoje, tivemos uma vitória.

Depois de conversar muito com Batoré e falar novamente sobre como eu jamais deixaria que meu filho usasse cola, sobre como ele, Batoré, era um grande líder, amado por todos na ocupação e que ele poderia ser o que desejasse no futuro – um médico, um advogado, um artista – pedi a ele que ele me dissesse qualquer coisa que ele quisesse em troca da cola. Que eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para fazer essa troca.

Então ele me disse seu sonho: ser jogador de futebol.

Um sonho como o de outras crianças.

Eu perguntei se ele queria ganhar uma bola.

Ele disse que não.

Disse que queria estudar na escolinha de futebol do Santa Cruz, seu time de coração.
Nos abraçamos, nos beijamos e fizemos nosso acordo.

Agora eu gostaria de pedir AJUDA de todos os inúmeros homens e mulheres de boa vontade no Direitos Urbanos.

Assim como Joanna Maranhão é uma inspiração para todos e todas, eu gostaria muito de pedir ajuda para que JOGADORES DE FUTEBOL DO SANTA CRUZ, DO SPORT E DO NÁUTICO fossem até a Ocupação para conversar com nossas crianças, falar sobre a importância do esporte e da saúde, dos malefícios das drogas.

Também gostaria de saber se alguém conseguiria camisetas dos times e apoio para Batoré estudar na escolinha de futebol.

Finalmente, quero pedir apoio para organizarmos atividades em tempo integral com as crianças agora nas férias escolares. Quem tiver experiência, pode organizar atividades voluntárias de educação e recreação, em conjunto com os ativistas.

Eu também gostaria de pedir doações de brinquedos, gibis, livros infantis, doces e tudo que possa servir ao propósito de resgatar a INFÂNCIA de Batoré e seus amigos.

Vamos unir nosso EXÉRCITO DO BEM para resgatar os SONHOS das nossas crianças.
Uma vida não se constroi sem sonhos.

Obrigada antecipadamente a quem quiser assumir mais essa luta conosco.

 

 

 

 

 

 

 


2 comentários sobre “0 #OcupeEstelita resiste e precisa de você

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s