A paisagem como direito de cidadania

por Sulamita Esteliam

letra-cidadaoÓtimo resgate do pessoal do Brasilina  Teimosina, Movimento de Brasília Teimosa, no Facebook: a letra da música Cidadão, linda, gravada em 1979 pelo conterrâneo Zé Geraldo, nascido em Rodeiro, na Mata mineira e cria de Governador Valadares. A autoria, entretanto, é do paulista Lúcio Barbosa.

Nada mais pertinente ao momento em que vivenciamos no Recife, inclusive a comunidade de Brasília Teimosa – e outras como o Coque – aquiaqui e aqui neste blogue.

Lá também se trava árdua luta contra a especulação imobiliária, que ameaça o direito à moradia de milhares de famílias, e o direito à paisagem. Direito conquistado, a duras penas, por sua gente em meados dos anos 50 do século passado, mas sempre cobiçado – e defendido com unhas e dentes.

Acolá, mantém vivo o movimento que já pode compartilhar experiências bem-sucedidas com as lutas emergentes neste século. E é o que aconteceria na noite desta quinta, no #OcupeEstelita: um bate-papo com o pessoal do coletivo Coque Vive sobre Comunicação e Vínculo. Pena que a chuva obrigou o cancelamento.

De pertencimento todo esse pessoal entende. De comunicação têm revelado prodígios. Sabem muito bem o que querem, conhecem a força da união, ferramentas indispensáveis à conquista de cabeças e corações.

E começam a entender que não podem estar à mercê dos interesses da mídia convencional, comercial, venal.

Situada na orla, margeando o paredão de arrecifes que se estende até Olinda, passando pelo porto, Brasília Teimosa é uma comunidade guerreira, formada originalmente de pescadores e marisqueiras. Consta que é a maior ocupação urbana do Recife.

Da parte que margeia o estuário – encontro dos rios Capibaribe, Beberibe e Pina com o mar –  se avista o Cais José Estelita, ligação do sítio histórico do Recife com a Zona Sul – e que eu chamo de mirante – aqui neste blogue.

A Brasília recifense tem como vizinhos, de um lado, os bairros do Pina/Boa Viagem. Bem na entrada, um paredão empresarial chamado JCPM (iniciais de João Carlos Paes Mendonça), que lhe bloqueia a paisagem e o vento, infiltrado há poucos anos: depois da retirada das palafitas, e urbanização da orla.

Como se fosse um arauto do que viria…

Do outro lado, tem a companhia de nada menos que o Iate Clube do Recife, que domina amplo espaço à beira do estuário. A elite que o frequenta, há 60 anos perdeu para a comunidade o acesso privado ao mar, e ao Buraco da Veia, uma piscina de água salgada e corrente.

Nos domínios do clube está a antiga “Casa de Banho”, hoje um restaurante-palafita – aberto ao público -, a meio caminho para o Parque de Esculturas de Brennand. A Casa de Banho é camarote para a vista panorâmica do Marco Zero, no Recife Antigo, parte da zona portuária da Cidade, e de onde se pode vislumbrar o próprio Estelita.

Espaços em disputa, desde sempre. E que a casa-grande acha que são prerrogativas sua.

Hora de cobrar a fatura.

Bom, a letra de Cidadão, que se pode ler na imagem postada no início, fala por si. Trata da exclusão do trabalhador, no caso da construção civil, dos benefícios da cidade que ele ajuda a construir.

Eis o clipe:

 

 

Um vídeo, compartilhado por minha filha que mora em Beagá, ajuda a clarear as ideias sobre como se dá a expansão urbana na capital de Pernambuco. O que não é muito diferente do que acontece em outras cidades Brasil afora. As exceções, se as há, só confirmam a regra.

Ei-lo:

 

 

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Postagem revista em 27.06.2013, às 11:26: substituição de palavra repetida no nono parágrafo.

 


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