Passada a fúria, resta a vergonha: perdoa, Chile!

por Sulamita Esteliam
Mineirão lotado desreeitou hino do Chile - Foto: Marcelo Casall Jr-Agência Brasil/Fotos Públicas
Mineirão lotado desreeitou hino do Chile – Foto: Marcelo Casall Jr-Agência Brasil/Fotos Públicas

Deixei passar a fúria, a decepção e a amargura. Não gosto de escrever com o fígado. Ainda que às vezes seja inevitável.  Só que aprendi, com o contar dos anos, a respirar fundo, debrear e contar até mil, se for o caso.

Você não faz ideia – ou talvez o faça, sim: o que é para alguém exilado, mesmo que voluntariamente, e em seu próprio país, assistir a espetáculo tão deprimente quanto ao que nos mostrou, a torcida no Mineirão no último sábado.

Quedei-me paralisada. Como assim, a gente da minha terra, primeiro agride a presidenta da República, em São Paulo – aqui neste blogue. Não contente, vaia o hino do país da seleção adversária, em Belo Horizonte!?

É esta a imagem de Brasil que querem replicar Planeta afora!?

Aonde foi parar o respeito, a educação o bom senso?

São princípios que o dinheiro não pode comprar. Talvez, aí sim, resida o detalhe que faz diferença. No estádio não há lugar para o Zé Povinho.

Atitude inexplicável, fosse qual fosse o hino. Mas justo o hino do Chile, uma Nação com alma e lições de cidadania indeléveis, com senso de pertencimento como poucas?

Como essas pessoas têm coragem de, no minuto seguinte, cantar o próprio hino, com a mão no peito? Entre outras mil, és tu Brasil …!

Deu no que deu.

Energia, minha gente, é combustível de poder. Energia é a matéria da qual somos feitos. É preciso cuidado, e uma dose, ainda que mínima, de humildade.

Minha terra, minha gente, é bem maior e melhor do que isso. Perdoa, Chile!

Por minha terra leia-se Brasil, pois que de Copa do Mundo se trata. A torcida verde-amarela, em Beagá como em São Paulo, reúne gente de todos os quadrantes desse nosso país continental. Gente que se acha diferenciada…

Mas, conceda-me: em particular, leia Belo Horizonte, minha Macondo-Minas Gerais. Que vergonha!

Aonde a minha cidade cordial!? Aonde a terra-síntese do Brasil?

Talvez, devamos buscá-las no ferro de que é feita a nossa Serra, a Curral Del Rey soterrada na prancheta de onde emergiu a nossa capital…

Alguns dirão, hipocrisia. Desconfio, porém, que a explicação pode ser buscada na soberba, aquela que os emergentes de sempre traduzem como superioridade, que acreditam partilhar com a elite. Falta o refinamento da polidez.

Triste, muito triste.

 

 

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s