E o Sol abriu o sorriso para saudar a nova estrela…

por Sulamita Esteliam

Juro que ontem pensei em ligar para o amigo Ruy Sarinho, jornalista, homem de rádio e ferrenho defensor da cultura popular, nordestina sobretudo,  para arregar um texto sobre Ariano Suassuna, o encantador de tradições. Ninguém mais adequado. Fiquei no pensamento.

E eis que hoje em minha caixa do correio eletrônico, topo com um recado e um texto de Ruy, um libriano devoto de Senhora da Conceição:

“Minha Mineiribucana Sulamita Esteliam,

A pedido de Roberto Almeida, fiz esses escrevinhamentos para o Blog dele.

Envio para vossa mercê, caso queira postar no seu-nosso Blog A Tal Mineira.

É Eu!”

Gracinha de Ruy, meu querido Don Quixote da Comunicação, título a ele conferido pela minha amiga-irmã, a mineira Eneida da Costa. Escreve com a alma, quase sem tomar fôlego.

Eis o texto, postado mais cedo do Blog do Roberto Almeida, desde Garanhuns, no Agreste:

Ariano Suassuna na Bienal de Brasília/2014: Foto de Rogério Tomaz Jr, capturada no Conexão Brasília Maranhão
Ariano Suassuna na Bienal de Brasília/2014: Foto de Rogério Tomaz Jr, capturada no Conexão Brasília Maranhão

Ariano, iluminando as estrelas!

Ao cair da tarde desta quarta-feira, 23 de julho de 2014, o Recife escureceu derramando do céu pesadas lágrimas de despedida do grande paraíbucano Ariano Suassuna.

Apesar da tristeza do momento, não poderiam ser tristes, essas lágrimas dedicadas a esse brincalhão por natureza.

Acabara de se encantar o Mestre, escritor, poeta, dramaturgo…

Um artista completo, da alma mais brasileira da cultura popular, mais irrequieta, irreverente, debochada, buliçosa, moleque.

Um eterno caçador da verdadeira alma-identidade brasileira, radical, polêmico.

Não apenas um caçador.

Mas um criador nato dessa identidade-alma do povo brasileiro.

Teimoso, graças a Deus!

Na defesa dos valores nos quais acreditava, Ariano tinha a teimosia da Mulher do Piolho.

Uma de suas histórias mais engraçadas que tive a felicidade de ouvir, numa entrevista que fiz com ele, ao vivo, para rádios do interior pernambucano, acho que em 1995, 1996, por aí, no Rádio da Secretaria de Imprensa do Governo do seu amigo Miguel Arraes de Alencar.

Certa vez, Ariano disse que gostava mais das histórias que contava em que a polícia saia apanhando.

Eram as que eu mais gostava de ouvir.

Um combatente perpétuo contra a descaracterização da cultura brasileira e a sua vulgarização.

Uma estrela de um brilho do tamanho da luz do sol.

Um Iluminado, iluminante, por natureza.

Sem estrelismo nenhum.

Simplicidade pura!

De gênio!

Para fazer rir, bastava Ariano começar a falar.

E aí, era só olhar pro seu jeito puro e transparente, que a gente começava a rir, aquele riso leve e espontâneo.

Sem nem saber por que, mas sabendo; porque Ariano dominava, como ninguém, a arte de fazer rir, só pelo seu jeito de falar, de contar as coisas.

Mal acabou a sua última Aula-espetáculo, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, na última sexta-feira, tendo como tema o seu amigo Capiba, Ariano já está encantando todas as almas do Céu, as boas e as ruins, com os espetáculos de suas aulas geniais.

Um Viva, muitos Vivas a este genial brincante da vida, Ariano Suassuna.

Obrigado, Ariano Suassuna!

Ruy Sarinho

Olinda, 24 de julho de 2014

******************

O Sol abriu o sorriso de rei para saudar Ariano Suassuna nesta quinta. O Recife acordou cedo para reverenciar o mestre.  Hoje, Pernambuco e o Brasil se despediu dele. O corpo, velado no Salão Nobre do Palácio Campo das Princesas, no Bairro de Santo Antônio, foi enterrado na vizinha Paulista, no final da tarde.

A presidenta Dilma e a viúva Zélia Andrade Lima no velório de Suassuna - Foto: Roberto Stukert Fo/PR
A presidenta Dilma e a viúva Zélia Andrade Lima no velório de Suassuna – Foto: Roberto Stukert Fo/PR

A presidenta Dilma Roussef veio prestar homenagens a Ariano e abraçar Zélia, a companheira de jornada. Dilma divulgou nota de pesar no Blog do Planalto e, no Twitter, escreveu que “a obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil”.

Em torno de Ariano se reuniram, além da presidenta – e alguns ministros, como Aldo Rebelo (PCdoB), dos Esportes -, os governadores de Pernambuco, João Lyra (PSB), da Bahia, Jaques Wagner (PT) e da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB); e o ex-governador Eduardo Campos (PSB), adversário de Dilma nas próximas eleições presidenciais, dentre outros políticos e autoridades.

O ex-presidente Lula não veio, mas divulgou nota de pesar, na qual define Ariano como “paraibano de língua afiada, alma solidária, escrita ao mesmo tempo simples e profunda sempre nos honrou com sua amizade”, e “fez muito pelo povo brasileiro, através de suas palavras, sabedoria e compromisso político”.

Para além dos ritos protocolares, que fazem parte, Ariano Suassuna, que foi secretário de Cultura de Pernambuco nos governos Arraes e Campos, é maior do que toda e qualquer querela. Ou mesmo despudor..

“O mais brasileiro entre todos os brasileiros”, na definição do amigo e colega blogueiro, Rogério Tomaz Jr, cearense que se fez gente no Maranhão e hoje vive em Brasília – ou seria Buenos Aires?

 

 


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