Ser pai é uma trilha de mão dupla

por Sulamita Esteliam
Pai-filho
A relação afetiva pai-filho constrói vínculo para toda a vida – Foto capturada na Internet

Houve um tempo em que minhas crias, exceto a caçula, me abraçavam ou ligavam para mim no segundo domingo de agosto. Invariavelmente, me saudavam: “Mãe, feliz Dia dos Pais!”

Achava divertida, e – não vou negar – justa, a deferência.

Confesso que fiquei viciada.

Dos quatro que eu pari, apenas a caçula não tinha razão para tal. E jamais o fez.

Tempos idos, anos avançados, prole crescida e re-aconchegada com o pai, achei que teria que recorrer à terapia para curar a abstinência.

Ledo engano. Os telefonemas ou mensagens continuam a vir, carregando o elixir do cumprimento. E recarregando meu prazo de validade, embora de mim não mais dependam, cotidianamente, a não ser pelo cordão afetivo enlaçado.

Não sou ilha.

Há muitas mãepais neste mundo de  meu Deus. A começar, fiel ao meu umbigo, pela senhora minha mãe, que me pariu e a mais três, e viúva ficou aos 26 anos.

Sem eira, mas com beira – traduzida num teto para lhe e nos cobrir a cabeça e uma pensão baseada no salário mínimo, seus braços, pernas e cabeça. Criou-nos a todos, e quatro somos. Educou-nos como pôde, a dona Dirce. Formou-nos, formamo-nos quantos quiseram.

Sim, também há pais e há paipães. Raros é verdade, na primeira e segunda categorias, mas os há com louvor e distinção. Conheço vários e alguns.

Tenho um amigo querido, pai de quatro filhos: três do primeiro casamento, uma do segundo. A primeira mulher deixou as crianças com ele para estudar no exterior. Foi e nunca mais voltou.

Ele criou os meninos, arrastando-os para baixo e para cima, na vida incerta da profissão com a qual ganhava a vida. Sobreviveram, todos, e algum deles já lhe deu netos.

No meio do caminho, veio a segunda, mulher nova, atirada, bonita e faceira. Com ela teve a filha. Uma alegria que só. A menina ia pelos 10 anos, quando a mãe resolveu desfazer a parceria e ganhar rumo: “Toma que a filha é tua”.

Sei que você deve estar matutando: “Pense num dedinho podre…!”

Mas o meu amigo sequer piscou. Tomou de conta do que já era dele, nada mais, nada menos. Filho é para o resto da vida, sua mãe já lhe dizia. E ser pai pode ser uma trilha de mão dupla. Encarou.

E é capaz de dar nó em pingo d’água para responder às vicissitudes de criar uma filha, ser pai de três marmanjos que ainda lhe demandam atenção difusa, curtir os netos, além de batalhar a multiplicação do pão nosso de cada dia – e sem ter que vender a alma.

Não conheço mãe melhor. Conheço pais do mesmo naipe. São pães, amorosos e diligentes.

Não basta ser pai, tem que fazer a diferença. Em nome desse(s) pai(s), homenageio todos os pais dignos de nome. Emano bons fluidos para aqueles que precisam aprender a sê-lo.

Espero que todos tenham tido um dia feliz e harmônico nesse domingo dedicado aos pais.

 

 

 

 

 


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