Estreias benditas no Prêmio Literário Biblioteca Nacional

por Sulamita Esteliam

Está difícil, mas vou mudar o rumo da prosa. Ando numa roda-viva dos diabos – a Marina e seu coordenador de programa, Malafaia Misógino Homofóbico Lima Pastor, que não me ouçam. Seria mais cômodo ater-me ao girar da roda e falar do jogo eleitoral, e, no mote da falta de tempo, compartilhar um ou dois textos já publicados por colegas mais habilitados.

Bernardo Kucinsky, escritor, jornalista, cientista político e professor de Comunicação - Foto capturada na Rede Brasil Atual
Bernardo Kucinsky, escritor, jornalista, cientista político e professor de Comunicação – Foto capturada na Rede Brasil Atual

Voce vai voltar pra mim - B.KucinskyTodavia, a boa notícia do dia – que me chegou via Roberto Azoubel, da Representação do Minc em Pernambuco -,  deixou-me feliz. É o resultado do Prêmio Literário da Biblioteca Nacional, anunciado nesta quarta. São nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio literário, ensaio social, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil.

Parabéns ao grande Bernardo Kucinsky, vencedor na categoria Conto, com seu Você Vai Voltar Pra Mim e outros contos. É o primeiro livro do autor no gênero, e o primeiro prêmio literário na categoria ficção.

Ele que é escritor profícuo, de ensaios em torno da comunicação pública, e também do jornalismo econômico – ganhou o Jabuti 1997 nesta categoria – e assessorou a Comunicação do primeiro governo Lula. Amo suas impertinentes, e necessárias, Cartas Ácidas/Críticas, das campanhas de 1998/2002.

Falta um Bernardo Kucinsky no governo e na campanha Dilma Roussef. Pronto, falei.

No entanto, é na ficção que Bernardo se realiza. Confessou-o em almoço entre amigos na sua São Paulo, recentemente, durante o IV Encontro Nacional de Blogueiros. Foi quando tive o prazer de conhecê-lo, olho no olho.

A obra premiada traz 28 histórias curtas sobre ditadura militar e repressão. Inclusive a narrativa que a nomeia. Você Vai Voltar Pra Mim, não é um apelo romântico, mas sim a frase de um torturador à sua vítima. Kucinsky se inspira em depoimento ouvido na Comissão da Verdade.

Editado pela Cosaic Naify, foi publicado em conjunto com seu romance K. (Expressão Popular, 2011), agora relançado sob novo selo também em formato digital. Ocasião e memória, a propósito dos 50 anos do golpe militar nestas terras. Devo a mim mesma a leitura.

Dois outros dos vários laureados pela Biblioteca Nacional são pernambucanos, aos quais já me referi aqui neste blogue. Marcelino Freire, romance, e Samarone Lima, poesia.

mf-ossosContista e poeta dos melhores, Marcelino Freire vence com o livro de estreia na categoria romance: Nossos Ossos, editado também pela Cosaic Naify, levou o Machado de Assis.  O sítio literário Vacatussa.com fala sobre o livro, lançado em meados deste ano.

Não li, ainda, mas ao que parece faz ponte com o episódio da crônica publicada aqui neste blogue.

samarone-aquarioSamarone de Oliveira Lima, na verdade, nasceu no Crato, Ceará, mas vive há 23 anos o Recife, com rápida passagem por São Paulo. Conquistou o Alphonsus Guimarães com O Aquário Desenterrado, Confraria do Vento, 2013.

É jornalista, cronista e poeta, com alguns livros publicados nas três especialidades. É também blogueiro, e filantropo: mantém (ou mantinha) uma biblioteca comunitária no Poço da Panela, bairro de classe média alta na Zona Norte do Recife, e também comunidade.

Os vencedores recebem 30 mil reais cada um. Conheça os demais premiados, aqui.

 

 


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