O sagrado, o profano e outras mentiras na ‘nova política’

por Sulamita Esteliam

Marina com burcaA burca de Marina Silva é curta para encobrir tamanho vai-e-vem. Na tentativa de agradar gregos e troianos, ela mente o tempo todo.  A última é tergiversar sobre os direitos trabalhistas. Atualizáveis, por tanto retiráveis, quando fala com empresários, e “sagrados” quando a plateia muda de patamar na escala social.

O problema de Marina é que ela sabe bem o lado que escolheu estar, mas não pode dizer. Se o fizer, não chega aonde quer chegar. De um lado, a sustentação financeira – e não somente em tempos de campanha eleitoral. De outro, a sustentação política, a classe de ingênuos que creem no seu discurso de”nova política” e a categoria dos iludidos, que de ingênuos nada têm, mas precisam acreditar que escolheram o rumo certo.

Quem depende de emprego e salário para viver, deve ficar atento aos sinais de instabilidade, no programa e a cada fala, a cada dia. “Atualizar” ou “flexibilizar” direitos trabalhistas significa retirar direitos – 13º salário, FGTS, hora extra, férias remuneradas, limites à terceirização – em favor do lucro. Isso não se negocia, como diz a Dilma, “nem que a vaca tussa”.

Simples assim.

Paulo Moreira Leite, editor do Diário do Centro do Mundo, lembra a “falácia – amplamente propalada pela mídia – segundo a qual os direitos brasileiros são os maiores do mundo, ou coisa assim.”

“Mentira.”

Cita o exemplo da licença maternidade, que no Brasil é de 120 dias ou 17 semanas. Na Noruega são 56 semanas, com 80% do salário; 46 semanas, com 100%. Pai e mãe compartilham a licença.

O contraponto, reforça, é os Estados Unidos, referência da elite e de quem não consegue conter o complexo de vira-latas: “Os trabalhadores americanos têm direitos esquálidos. Deu certo? Basta ver a crise econômica – e social – dos Estados Unidos para ver que não”, escreve.

MudaMaisEsta semana, Marina foi ao limite ao profanar o sagrado, este sim, direito de opinião. Permitir ou instar que seu PSB ingressasse na Justiça Eleitoral para calar o sítio eletrônico Muda Mais, que apoia a candidatura da adversária Dilma Roussef. A tentativa de censura se deu, certamente  porque o portal faz contraponto à inverdades espalhadas na campanha.

Como disse um amigo meu, contemporâneo do jornalismo nas Gerais, “nunca imaginei que, à essa altura, teria que gritar ‘abaixo a censura’!”. Eu também não. Mas gritamos, toda a blogosfera gritou, todas as redes sociais gritaram: ABAIXO A CENSURA!

E a hashtag #MarinaCensura foi ao topo, e o TSE ouviu, e acatou os argumentos da defesa, e o #MudaMaisVoltou ao ar na tarde de ontem.

A liminar que retirou o sítio eletrônico do ar caiu em menos de 24 horas. O portal, sob o comando do jornalista Franklin Martins, que foi secretário de Comunicação no segundo governo Lula, é ligado ao PT.

Partido, aliás, sob cujo guarda-chuva Marina obteve todos os seus mandatos eletivos – de vereadora de Rio Branco, a senadora pelo Acre – e foi ministra do Meio Ambiente. Quem cospe no prato que come, e renega as origens, do que não seria capaz, afinal.

Até na censura, Marina Silva tinha que copiar o Primeiro Neto. Recentemente, o candidato oficial tucano – a Marina é a segunda via – tentou aplicar a 66 tuiteiros a mordaça que vigora na imprensa mineira há 12 anos. Deu-se mal. O Twitter se recusou a fornecer os perfis. E a candidata da “nova política’ se enrolou na própria burca.

colesterol_Marina e FHcComo escreve o cientista político mineiro, Juarez Guimarães, em Carta Maior,  “Marina não pode fugir da contradição por que ela é, a sua candidatura,  a própria contradição. Tem que documentar que é confiável, “amiga do mercado financeiro”, e ao mesmo tempo cultivar a imagem de “nova política” junto àqueles que defendem direitos sociais mais universalistas, de melhor qualidade. Isto é, está impedida de dizer a verdade.”

Penso, cá, com meus botões, que não estão sozinhos: a continuar nessa toada do mente e desmente, e torna mentir, Marina Silva vai acabar desbancando o mentor, FHC.

É sabido que, por sua formação acadêmica e sua obra – ao que consta em parceria, a qual jamais deu crédito – se julga o ‘Farol da Alexandria’ ou o ‘príncipe dos sociólogos’, como o classifica Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada. No entanto, pego em atitudes avessas ao que pregara, disse e repetiu, “esqueçam o que eu escrevi”.

 

 

 

 


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