Somos 54,5 milhões de ‘burros’, então…

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por Sulamita Esteliam

Ontem fui dormir triste, muito triste. Depois do orgasmo da cidadania da noite anterior, é brochante ver grassar o ódio, o preconceito, a discriminação, o desprezo, a tentativa de desqualificar quem tem opção diferente da sua.

Não entra na minha cabeça o que leva as pessoas a se desfazerem das outras, a agredirem moralmente quem sequer conhecem. Simplesmente, porque têm escolhas ou entendimentos que não os seus. Depois falam de “baixaria” na campanha eleitoral.

grafico-resultados-“Burro’ é o adjetivo mais delicado que usam pelas redes sociais para classificar o eleitor que escolheu Dilma Roussef.  Somos, então, 54,5 milhões de “burros”, metade dos quais encravados no Sudeste-Sul.

Muitos deles nordestinos, com certeza. Assim como eu e minha família, por exemplo, somos sudestinos encrustados no Nordeste, há 20 anos. Votamos aqui, nos reproduzimos aqui. Portanto, nordestinos somos, e com muito orgulho.

Faz-me lembrar a reação de coleguinhas quando decidi acompanhar meu parceiro transferido para Fortaleza, deixando para traz,  no Distrito Federal, uma carreira em ascensão. Creio já ter me referido a esse episódio aqui. Alertaram-me para o “suicídio profissional”, e questionaram o tipo de educação que eu esperava dar à minha prole num lugar “atrasado”.

Sobrevivemos todos. E em nossa casa no Recife, a exemplo do que foi em Fortaleza, sempre tem um lugarzinho para um sudestino que queira vir se deliciar com as riquezas da terra. Só não cabe desrespeito nem gente preconceituosa.

O preconceito contra o nordestino embute a arrogância de quem se acha superior, mas, de fato padece do tal complexo de vira-latas. É preconceito social, na verdade, fruto do racismo não dissimulado na nossa sociedade, construída em cima da opressão da chibata e dos grilhões.

A casa-grande e a senzala continuam de pé. A diferença é que é na casa-grande, ou nos arredores que abrigam quem dela julga partilhar, ou assim o deseja, onde estão os escravos do pensamento único. Acham-se donos do mundo e da razão.

Reis sem súditos, ou vice-versa, é o que são. Só que a ficha ainda não caiu.

Muito triste ver gente jovem, que em tese deveria ter ideias mais arejadas, se comportar como robôs incapazes de raciocínio lógico além do programado pelos arautos de plantão. E se acham os inteligentes, e bem-informados.

Aonde a generosidade própria da juventude?

Quando jovens somos capazes dos melhores sentimentos e gestos. Costumamos reservar o egoísmo para as relações familiares. Ou não?

De resto, que sentido faz mudar o mundo se não for para ter mais igualdade entre as pessoas? Que sentido faz mudar o mundo se não tivermos liberdade de escolha? Que sentido faz se comunicar se não for para dizer algo que ajude a melhorar o seu entorno?

É bom não esquecer, você é responsável por seus gestos, palavras e omissões.

Clique para denunciar o preconceito e o racismo nas redes – também aqui.

 

 


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