O bom e o dom de ser atleticano, segundo Fábio Chiorino

por Sulamita Esteliam

Tinha resolvido deixar para a manhã seguinte a atualização do blogue. Estou muito cansada para escrever hoje. E aí topei com essa beleza de crônica do Fábio Chiorino no Esporte Fino, ancorado no sítio de Carta Capital.

Ótima chance para mudar um pouco de assunto.

E para acabar de completar, é sobre o meu, o seu, o nosso Galo,  e seus feitos espetaculares – o último na noite da quarta passada contra o Flamengo, no Mineirão. Galo doido!, como diz Mateus, meu neto caçula, mais um apaixonado.

Impossível resistir. Transcrevo, em homenagem a minha nora, Dani, a mãe do Mateus, aniversariante do dia:

 

Atlético Mineiro: a loucura mais divertida do futebol brasileiro

 

atletico-mineiro-torcida
Crédito: Bruno Cantini | Atlético Mineiro

 

Esse Galo, meus amigos. Esse Galo não quer discutir a relação. O Clube Atlético Mineiro se assemelha a uma bomba-relógio desarmada nos últimos segundos. Não importa o que o placar mostre. Os jogadores continuarão batendo na estaca com cada vez mais força. Porque é assim que a recompensa vem. É assim que o Galo deixou de ser figurante e passou a vestir a camisa do protagonismo.

A torcida, que sempre foi uma das mais belas a lotar o Mineirão e adjacências, caiu agora num êxtase coletivo. Como se um hipnólogo deixasse de lado o lateral direito e mirasse suas bolas de fogo e seus cacos de vidro para as arquibancadas. “Eu acredito”, gritam durante os 90 minutos e mais alguns quebrados. Uma crença que é da boca pra dentro, pulsando num ritmo cardíaco que se torna um mantra. Eles acreditam e são conhecedores do papel fundamental que exercem.

Foi assim contra o Corinthians. Foi assim contra o Flamengo. Foram tantas vezes na conquista da Libertadores da América, como também foi na final da Recopa. Talvez possa ser na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro, que promete parar Minas Gerais. As viradas espetaculares, algumas delas só conquistadas após a disputa de pênaltis, transformaram até mesmo os valores mais pessoais do torcedor. Não existem mais ateus atleticanos. Porque isso seria uma contradição por si só. No máximo, um agnóstico encostado na bandeira de escanteio, que não nomeia o seu santo, apesar de não desviar os olhos do goleiro.

Um clube capaz de tirar Ronaldinho Gaúcho da aposentadoria. E que sobreviveu tranquilamente depois que o jogador decidiu retomar as férias no México. Um time que fez Cuca perder o estigma de perdedor e que, tempo depois, trouxe de volta um quase esquecido Levir Culpi. Complacência, resgate, dores, alegrias. O Atlético Mineiro não gasta tempo para descobrir a fórmula mágica. Não há receita certa para um time que encontra a glória através do sofrimento.

Torcida e jogadores chegaram ao estágio inconfundível da simbiose. Se faltam apenas cinco minutos para o final da partida, todos entendem que há uma eternidade pela frente. E que, na verdade, o jogo só termina quando o Atlético Mineiro enfim triunfa. Algumas vezes, basta um gol; em outras ocasiões, um milagre. E o Galo rola a pelota pra frente com a certeza de que o tempo não é um inimigo, e sim mais um cúmplice de uma história grandiosa, que dez anos depois ainda fará aquele garoto chorar pela lembrança daquela noite.

O Galo tem raiva da derrota. Ele simplesmente não a aceita. E justamente por isso não desiste. Porque sabe que tudo é questão de mais algumas gramas comidas. De algumas gotas de suor caindo como bigornas na camisa. Esse Galo é a loucura mais divertida e emocionante que apareceu no futebol brasileiro nos últimos dois anos. Não são só os títulos e as classificações épicas. É, acima de tudo, o espírito da entrega materializado em cada jogador. Esse Galo se esconde nos melhores sonhos de qualquer torcedor. O time que faz da bola a extensão de sua própria vida.


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