Nas filas e nas ruas, ecos e equívocos

Mobilizações de 2013 voltam à pauta - Foto: Beto Oliveira/Lumem
Mobilizações de 2013 voltam à pauta – Foto: Beto Oliveira/Lumen

 

por Sulamita Esteliam

Um amigo me contou. Na fila da lotérica, no Bairro de Boa Viagem, Recife, duas senhoras de idade já avançada entabulam uma conversa sobre política. Falam dos reajustes nos preços de produtos e serviços, desde o fim do ano, e logo no começo do novo:

– Sobe gasolina, sobe água, sobe luz, agora vai subir a passagem dos ônibus, também. Foi só ganhar a eleição. Vôte!

– E a tal “Valente” ainda diz que não vai ter passo atrás…

– Passo atrás foi votar nela. Mas o povo é abestalhado, não aprende.

A dona Maria segunda, se volta, e sorri em busca da aprovação do imediato na fila, que por acaso era o meu amigo. Ele faz cara de paisagem, mas ela não desiste:

– O senhor não acha?

– Desculpe, senhora, mas não tem o que achar…

– Ôxe, quer dizer então que ao senhor não afeta que aumente o combustível?

– Afeta, claro. Mas o  governo federal deixou os preços dos combustíveis congelados por um ano, e foi cobrado por isso. Falaram que a Petrobras estava sendo prejudicada. Agora reajusta, e falam de estelionato eleitoral, é preciso decidir se é uma coisa ou outra…

A dona Maria primeira volta a entrar na conversa, com cara de deboche: “É tudo a mesma cambada, só gente abestalhada acha que pode ser diferente…”

– Mas e o aumento da conta de luz, e de água, e das tarifas de transporte, o que o senhor diz? – retrucou a colega Maria ao meu amigo.

– Digo que a Celpe e a Compesa são responsabilidade do governo do estado. Da mesma forma, a empresa que cuida dos transportes urbanos é um consórcio coordenado pelo governo estadual, mas que envolve o Estado, as prefeituras metropolitanas e as empresas de ônibus. O governo federal não tem nada com isso. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa…

– Eita, já vi que o senhor votou na outra …

– Votei, claro. Mas os pernambucanos também elegeram o governador do PSB com quase 70% dos votos, e no primeiro turno.

Quer dizer: quase deram um cheque em branco pro homem fazer o que bem entende. Agora têm quatro anos para chorar e protestar, mas é bom cobrar do governo certo: de Paulo o que é de Paulo, e de Dilma o que lhe compete.

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Nesta sexta, 09, há protestos Brasil afora contra o reajuste nos preços das passagens de ônibus, a exemplo do que ocorreu ano passado. São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e outras capitais já aumentaram as tarifas.

Aqui, no Recife e área metropolitana, o aumento deve ser discutido em reunião nesta sexta-feira, mas o local foi alterado o Centro de Convenções, bem longe do protesto. A Frente de Luta pelo Transporte Público marcou, e mantém, a manifestação em frente ao Consórcio Grande Recife, no Cais de Santa Rita, a partir das 8:00 horas.

Na campanha eleitoral, o governador Paulo Câmara prometeu unificar o preço das tarifas em R$ 2,15, que é o valor da tarifa do Anel A.  A criatura seguiu o mote do criador.

Em junho de 2013, para conter as mobilizações pelo passe livre em seu território, o então governador Eduardo Campos, de olho em 2014, não apenas cancelou o reajuste que havia sido aplicado em janeiro. A tarifa foi reduzida em mais 10 centavos.

 

 

 

 

 

 


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