Os movimentos sociais reagem à política econômica

por Sulamita Esteliam
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O presidente da CUT, Vagner Freitas, tem razão quando diz que o papel da central e dos movimentos sociais é combater o retrocesso. Foi para evitar o retrocesso que reelegemos Dilma Roussef. E como elegemos, apoiamos, mas também cobramos e criticamos. É assim que tem que ser.

Como diz o ex-presidente Lula, em visita recente à escola Florestan Fernandes, do MST: “O  papel do movimento social é não ser subserviente ao governo. Não se pode abrir mão de defender os interesses do movimento que representa”.

Na berlinda, o princípio de derrubar a economia para conter a inflação. O mesmo disco, arranhado, chiando num vitrola velha. Ou, se preferem, “a volta do cipó da aroeira” no lombo de quem sempre levou…

É disso que trata o malfado ajuste fiscal patrocinado pela equipe econômica do segundo governo Dilma: retirada de direitos previdenciários dos trabalhadores, sob pretexto de conter desvios; aumento de impostos para a classe média; e o favorecimento do rentismo com a elevação dos juros, a engordar as burras dos mesmos, de novo – mais uma decisão que a CUT considera “lamentável”.

A consequência, não aceita, diz Vagner Freitas em entrevista publicada no sítio da CUT: perda de empregos, desaceleração do desenvolvimento, e recuo nas conquistas dos últimos 12 anos. É contra isso que os trabalhadores vão às ruas na quarta-feira, 28 – mais aqui neste blogue.

Vagner freitas_Roberto
Vagner Freitas, presidente da CUT

Ensaio de diálogo com o governo, iniciado na segunda 19, não resultou grande coisa. Tão somente um novo encontro, no dia 03 de fevereiro, para manter ativa a conversa, quiçá a esperança. Entretanto, o governo disse que não revoga as MPs 664 e 665, estopins do processo de disputa.

“O papel da CUT e dos movimentos sociais é empurrar para a esquerda, dar condição para a presidenta Dilma colocar em prática o discurso que fez quando ganhou as eleições e que era completamente diferente do discurso do candidato derrotado”, afirma o dirigente sindical.

Discurso afinado com o do líder do MST, João Pedro Stédile, que ontem esteve no Barão de Itararé, em São Paulo, em bate-papo com blogueiros, jornalistas e ativistas digitais. Para ele, eis o desafio dos movimentos sociais neste novo governo Dilma: manter a coerência com as bandeiras histórias e levar o debate para a sociedade, com mobilizações de rua e aplausos, no que couber, traduz reportagem do Vermelho.

“Nós vamos cobrar uma postura mais à esquerda do governo, como sempre fizemos, mas também vamos aplaudir as ações que eles acertarem. É assim que o MST atua, com autonomia para criticar quando for preciso e bater palma quando merecer”.

A fala de ambos, guardadas as especificidades do lugar que ocupam no tabuleiro ideológico, encontra eco na postura de Guilherme Boulos, líder do MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

Embora crítico do governo, ele não se nega ao diálogo – e tem conversado com Lula na frente de esquerda mesmo acreditando que o contraponto à agenda conservadora “é debater políticas públicas e ocupar as ruas para fazer pressão” – clique para ler a entrevista ao Página/12, republicada por Carta Maior.

 

 


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