Morte de jovens brasileiros exige mobilização nacional

por Sulamita Esteliam*
Charge capturada na rede
Charge capturada na rede

O IHA – Índice de Homicídio na Adolescência, divulgado em meados desta semana, não traz novidade, infelizmente. Só confirma, e agrava, os resultados do Mapa da Violência, série histórica realizada desde 2005, com base em dados do DataSUS e do IBGE: o risco de um adolescente negro ser assassinado é três vezes maior do que de um adolescente branco.

Como bem se expressou a ministra Ideli Salvatti, dos Direitos Humanos, traduz e resume o foco da violência no Brasil – em cima de três “p”: “pobre, preto e da periferia”. E isso “é inaceitável” considera o Unicef , um dos parceiros no estudo realizado pelo LAV -Laboratório de Análise da Violência da Uerj – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o governo federal e a ONG Observatório das Favelas.

De acordo com a pesquisa, os jovens negros de 12 a 18 anos correm 2,96 vezes mais risco de ser vítimas de homicídio. A taxa de risco é obtida da relação entre a taxa de homicídios em adolescentes brancos e negros. Em 2011, o número ficou em 3,08. Tais índices nos colocam, somente, atrás da Nigéria.

A diferença é a segunda menor da série iniciada em 2005. A maior foi em 2008, quando a possibilidade de homicídio era quatro vezes maior para negros. Os homicídios representam 36% das mortes de jovens no Brasil.

Resumo da tragédia, segundo o Unicef: a cada hora morre um adolescente negro no país, e a probabilidade de um menino ser assassinado é 12 vezes maior do que uma menina. A diferença cresceu: em 2011 o índice era de 10,2.

cuidando da nossa infância perdidaO que o estudo não diz é que, no percentual absurdo, certamente, incluem-se as execuções pelas forças policiais do próprio Estado. Grande parte delas por conta do famigerado “auto de resistência”, uma espécie de licença para matar que dispensa inquérito policial, e precisa ter fim.

Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo e Paraíba continuam sendo os estados onde mais se mata jovem no país. O município de Itabuna, na Bahia, é considerado o mais perigoso. Já a capital que tem o número mais alto é Fortaleza/CE..

Dado importante é que a violência letal em estados do Nordeste aumentou em relação às demais regiões do país. A explicação, segundo os pesquisadores, está no crescimento econômico e demográfico mais acelerado na região, na redução da pobreza. Ou seja: “O crime organizado busca onde há mais dinheiro, e desconhece fronteiras”, observa a ministra Ideli Salvatti.

O recorte da desigualdade – de raça, gênero e de classe – é patente. O que “reafirma a urgência do debate sobre a igualdade racial e o enfrentamento do racismo. É uma questão de Estado, e não de municípios ou de determinados grupos”, conclui a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nina Gomes.

Fato é que o diagnóstico se mantém preocupante e alarmante, a revelar que o esforço de políticas públicas, como o Plano Juventude Viva, tem-se mostrado insuficiente. A requerer, como destaca o representante do Unicef, “uma mobilização nacional”.

O governo acredita que a integração das forças públicas estaduais e federais, proposta pela presidenta Dilma Roussef, possa vir a brecar o crescimento da violência no país. E, de acordo com a ministra Nina Gomes, por determinação da presidenta Dilma, o combate à violência terá tratamento interministerial.

Ou isso, ou o lema do segundo governo Dilma, Pátria Educadora, não se efetiva. Como bem lembra Jorge Barbosa, do Observatório de Favelas: “Nós não teremos uma pátria que educa se não tivermos uma redução da violência letal contra jovens e adolescentes. A agenda da valorização da vida deve ter metas de redução da violência.”

A pesquisa, divulgada na quarta-feira, 28, abrange 288 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e tem como base os censos 2000 e 2010. O IHA faz parte do Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens.

* Com Agência Brasil e Jornal do Brasil/Agência Patrícia Galvão

 

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Postagem revista e atualizada às 23:12, hora do Recife: correção do título – “corrige”, no singular; e às 21:11, do dia 30.01.2015 : eliminação de frase repetida no sétimo parágrafo.


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