Aleitamento solidário não é piada de mau gosto

por Sulamita Esteliam
Michele com as crianças mais novas, e a benção do aleitamento solidário - Foto capturada no FB
Michele com as crianças mais novas, e a benção do aleitamento solidário – Foto capturada no FB

A Tal Mineira inicia a semana que antecede o Dia Internacional da Mulher com um triplo libelo: o direito da mãe amamentar suas crias, pela solidariedade àquelas que não podem fazê-lo, e pelo fim da imbecilidade em nome da liberdade de expressão.

Se amamentar é ato de amor e garantia de saúde para mãe e bebê, doar leite materno é compartilhar uma dádiva.

Custa-se a crer que tudo isso esteja em pauta em audiência judicial que acontece nesta quarta, no Fórum de Olinda, às 13 horas. Mas é fato – decorrente da mistura de misoginia, oportunismo grotesco e  ignorância, nesta ordem.

Explico: a pernambucana Michele Maximino, 33 anos, técnica em enfermagem recordista em doação de leite materno, move ação de danos morais contra o apresentador, Danilo Gentili, à época no Agora é Tarde,  na TV Bandeirantes – atualmente no SBT.

Piadista de mau gosto, Gentili crê que não há limite para o humor
Piadista de mau gosto, Gentili crê que não há limite para o humor

Aquele que exerce o vale-tudo em nome do que chama de humor. Em 03 de outubro de 2013, o apresentador usou a notícia do recorde solidário de Michelle para praticar o que é seu costume: achincalhe.

Dentre outras comparações, associou o tamanho dos seios da moça ao ator pornô Kid Bengala, e a facilidade que ela tem de produzir e ordenhar leite ao ato de masturbação. O vídeo se espalhou pelas redes sociais.

O resultado é que a vida desta mãe de três filhos virou-se pelo avesso. A ponto de ela e a família terem que deixar a pequena Quipapá, na Mata Sul de Pernambuco, tal o nível do assédio a que Michele passou a ser alvo:

“As pessoas passaram a me chamar de vaca, vaca do Gentili, depois da piada da TV”, conta em matéria publicada no blogue Pragmatismo Político, em outubro de 2013, quando ingressou com a ação judicial. Obteve liminar, e o vídeo do trecho do programa foi retirado do ar. Gentili recorreu duas vezes, em vão.

O material exibido na TV e compartilhado nas redes sociais é uma violência simbólica contra a mulher. Além do que, presta um desserviço público quando incita a inibição do aleitamento materno e a doação a bancos de leite.

“Acionamos a justiça, mas nos mantemos em silêncio para evitar maior exposição e todo aquele sofrimento de novo.  No entanto, chega um momento que precisamos visibilizar o caso para que ele não se repita com outras pessoas e destrua suas vidas”, afirma o professor Ederval Trajano, marido de Michele no texto de divulgação da audiência.

Trajano se refere aos danos psicológicos sofridos por Michele, há dois anos. Ela entrou em depressão, um peito secou, e teve reduzida sua capacidade de produção de leite materno, e portanto de doação. Dos  quase 2 litros por dia que fornecia ao banco de leite da Maternidade de Caruaru, a 80 km de Quipapá, passou a entregar cerca de 600 ml.

Com a paz da família ameaçada, ela e o marido – que é professor de História – e as criança retornaram a Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, no início do ano passado. Deixaram para trás o sonho de uma vida tranquila no interior, vivenciados durante cinco anos – clique para ler o relato de ambos.

Michele começou a doar leite quando teve a segunda filha, Mariana, hoje com dois anos. A menina nasceu prematura, e ela e o marido constataram o quanto o aleitamento foi importante no desenvolvimento da bebê. Em 11 meses, doou 427 litros de leite materno, o que a tornou recordista mundial.

Além de Mariana, Michele é mãe de Gabriel, de 04 anos, também filho de Trajano, e de Richard, um adolescente de 13 anos, fruto do primeiro casamento.

Ana Veloso, professora de Jornalismo na UFPE, enviou a pauta; que está nas redes sociais na mídia pernambucana – aqui – nas redes sociais, na blogosfera e até no mineiro Estado de Minas.

Que se faça justiça.

No auge produção de leite materno, Michele e o marido rodavam 80 km para exercer a solidariedade - Foto: arquivo pessoal
No auge produção de leite materno, Michele e o marido rodavam 80 km para exercer a solidariedade – Foto: arquivo pessoal

 

 

 

 

 


8 comentários sobre “Aleitamento solidário não é piada de mau gosto

  1. Minha Amiga-Ídola Mineiribucana Sulamita Esteliam, esse imbecil não é humorista, nem jornalista, nem repórter, nem porra nenhuma. Não passa de um imbecil, um autêntico cafajeste, com cérebro menor do que aquelas bolas de gude bem pixototinhas. Que ele se foda com a Justiça na sua cabeça medíocre que carrega de enfeite (de muito mau gosto) acima do pescoço fino. Como sempre, que beleza de artigo-comentário-crônica que você escreve aqui. Um grande abraço!

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