De direitos, consumo, revoltas e panelas

por Sulamita Esteliam

PRIVATARIAComo é possível comprovar com um clique, para quem segue este blogue, o A Tal Mineira anda meio fora do ar, por motivos de força maior. Expliquei as razões nos prolegômenos da postagem anterior. Fato é que, até hoje quando se completam exatamente sete dias do pedido, não consegui que a operadora GVT regularize meu contato com o mundo digital, telefônico e televisivo.

E olha que foi uma simples mudança de quarteirão, em área urbana, imagine se fossem léguas na casa do caixa-prego? Tive que apelar para a Anatel, a agência que regula as telecomunicações no país. Fiz a reclamação pela rede – o portal está de cara nova para celebrar um ano de RGC – Regulamento Geral dos Direitos do Consumidor e a entrada em vigor de novas obrigações das operadores do setor.

Reclamei aproveitando um adicional do pacote de dados do meu celular que vi-me obrigada a contratar, para não ficar completamente à míngua. Aguardemos para as próximas providências. Claro que não posso ficar no prejuízo, mas surtar é que Euzinha não vou. Conto pois, com sua compreensão para eventual inadimplência nas postagens.

Ora, diria você, fosse eu trocaria de operadora. Digo que não adianta: é trocar seis por meia dúzia. Já estou na terceira, e há sempre uma dor de cabeça nova para o “milagre da privatização” no setor, “no limite da responsabilidade”, como admitiu um tucano de bico azeitado.

E FHC, “o príncipe da privataria”, continua aí, velho, fagueiro e boquirroto.

As telefônicas e que tais ganharam de bandeja o sistema Telebras, reformado para os leilões de faz-de-conta,  e não investiram o suficiente para sustentar a expansão, que de fato ocorreu, mas com qualidade sofrível.

E cadê a Lei dos Meios que continua na gaveta do Planalto? Regulação inclui, além da quebra do latifúndio eletrônico – à beira do colapso, como e vê pelo Ibope do JN (quem precisa de censura?) – uma atualização das regras de todo o setor. Os códigos atuais são do tempo da água de pote.

No mês do consumidor, fica aqui meu veemente protesto. Verbal, por enquanto.

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Sim, a propósito de inadimplência e protesto: meu amigo Márcio Metzker, que é colega jornalista, me envia das Gerais, por correio eletrônico, algumas considerações e duas sugestões para esses tempos de redescobrimento das ruas – janelas e varandas também.

Recebi-as semana passada, mas se mantêm atuais.

Bastante apropriadas, aliás, para a eventual falta de panelas inox que coloque em risco o surto protesteiro da elite verde-amarela-e-azul e classe média mimetista. Incorporo-as, depois de consultar o autor (o título eu capturei no texto).

 

‘Ceis é tudo revortado’

Slide1PANELAÇOAchei divertidíssimo o “panelaço” das elites coincidindo com o pronunciamento de Mrs. Rousseff na TV. Não assisti os gorjeios de Sua Excelência, nem tampouco ouvi panelaço, porque moro num bairro classe média sem muitos prédios ao redor.

Sempre associei panelaço com um protesto do proletariado para reclamar da fome ou da carestia, e não com uma manifestação dos ricos batendo em suas panelas inox Tramontina nos espaços gourmets dos prédios. Houve madames que não protestaram para não riscar o teflon das panelas ou a cerâmica refratária. Também houve ricaços que se omitiram porque não sabem onde fica a cozinha de seus enooormes apartamentos. Houve gente que, sem ter panelas, tamborilou nos microondas e nos multiprocessadores. Outros milionários não foram ouvidos porque brandiram as caçarolas a partir das janelas de seus apartamentos de Coconut Drive, em Miami, para espanto de Mr. Barack.

Sabesp

Outro dia assisti, bestificado, no Bom Dia Brasil, uma matéria sobre a Sabesp, que é a Copasa de São Paulo. Havia várias reportagens sobre vazamentos nos encanamentos das ruas, por falta de pessoal de manutenção da empresa, que havia demitido 400 técnicos operacionais, justamente no período de estiagem, em que essa manutenção é mais necessária. Mas depois os jornalistas esclareceram a razão.

A Sabesp é uma empresa pública de capital aberto, e com isso negocia ações na Bolsa. No último trimestre, deu lucro de R$ 95 milhões, muito inferior ao lucro de R$ 300 milhões do mesmo período do ano passado. A razão foi que a população atendeu aos apelos do Governo e diminuiu o consumo, ou seja, comprou menos água. Vendendo menos, a Sabesp deu menos lucro. Com a queda dos dividendos, os acionistas reclamaram e a empresa demitiu 400 para poupar custos.

Não dá vontade de pegar esses rentistas pra uma boa esfola com faca cega, mas primeiro capar?* Não dá vontade de esganar os políticos que transformaram uma concessionária de serviço público em empresa de capital aberto com ações na Bolsa?

Como dizia o sargento Pereira, nos tempos da ditadura:
“Ocêis, istudantes, cês é tudo revortado!”

Amplexos,

Márcio Metzker

 

* eu deveria ter posto entre aspas,
porque esse final é do Guimarães Rosa, no Grande Sertão: Veredas.
É um dos jagunços descritos pelo autor:
“Aquele Joé Cazuzo, que já velho, meio cego, perna lazarenta,
depunha saudade era de pegar um soldado pra uma boa esfola,
com faca cega. Mas primeiro, capar!”

 

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Postagem revista e atualizada em 25.03.2015, às 15:33: “ponto” e não vírgula no penúltimo parágrafo; acréscimo da frase “e classe média mimetista”.


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