Dedos cruzados: semana começa com boas notícias

por Sulamita Esteliam

A semana começou quente e até, colocadas na balança, com algumas boas notícias na seara política e também econômica e social – aquiaqui e aqui. Há boas novas, também, no Legislativo, com parlamentares à esquerda e da base governista se movimentando para sair da defensiva.

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Ainda não há substituto para Traumann – Foto: Antônio Cruz/AgBR/Fotos Públicas

Fico com a bomba do dia: o pedido de demissão do ministro das Comunicações, Thomas Traumann, que também deveria exercer o papel de porta-voz. Pedido aceito pela presidenta Dilma Roussef.

Não o conheço pessoalmente, mas, com todo o respeito, já era sem tempo.

Na função, o colega conseguiu superar Helena Chagas no capítulo anti-anódino, justo no calcanhar de Aquiles de um governo sob ataque cerrado, diuturnamente. Se o efeito “voz das ruas” de 2013  derrubou sua antecessora, a abulia e inércia de Traumann o colocou na agulha; essencialmente não disse a que veio em um ano de chuvas e trovoadas.

A lembrar que ele foi porta-voz no primeiro governo Dilma, e assumiu a titularidade da pasta no início de 2014.

Parece-me coisa articulada: Traumann deixa a Secretaria de Comunicação após o vazamento de controvertido documento interno, a ele atribuído, com críticas à comunicação “errada e errática” do governo, com ampla repercussão na mídia venal e também na blogosfera.

À primeira vista, muito conveniente. Mas consta que o ex-ministro é “homem de caráter” e “profissional ético”. Então, armaram pra ele.

De qualquer forma, o tal documento, que a presidenta afirma não ter sido discutido no Conselho Político, não deveria ser autocrítica!? Afinal caberia a ele a definição da política de comunicação do governo. E comunicação é política, disputa de hegemonia, e isso é o que, definitivamente, o governo Dilma, não tem feito – desde sempre.

Cabe ao gestor da pasta definir a estratégia, previamente discutida e acertada com a direção – e não raro a custa de duros embates. Tem que diagnosticar os problemas e apontar soluções, mostrar consequências dessa ou daquele caminho, antecipar-se ao incêndio, mas quando necessário saber apagar o fogo.

Critica-se a postura de Dilma, que seria avessa ao diálogo, mandona, centralizadora, gerentona, inapetente política, e outras referências pouco elogiosas. E daí? Quem trabalha com política e comunicação não pode ter medo de cara feia, muito menos ser vaca de presépio. Alguém tem que botar o guiso no pescoço do gato.

Ora, ninguém é secretário de Comunicação ou assessor, impunemente. Tem que apresentar o projeto e ter fibra para defendê-lo e sustentá-lo, até mesmo contra a teimosia do chefe, no plural – no caso da chefona e do núcleo central do governo.

É preciso ter coragem para mostrar a cara, enfrentar a fera e segurar o tranco. É como o diz o ditado, quem não pode com o pote não carrega a “rudia”.  No limite, a porta da rua é serventia da casa.

Que Dilma tenha melhor sorte em sua escolha desta vez. E que ajude o sucessor ou sucessora de Traumann a ajudá-la e a seu governo a se comunicarem com mais efetividade.

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Vanessa Graziottim, senadora pelo Amazonas (PCdoB), uma das integrantes da recém-criada Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras, no Vi o Mundo:

“Não se debate, nem se leva em conta a venda, a preço vil, de 108 milhões de ações da estatal na Bolsa de Nova York, em agosto de 2000, pelo governo do PSDB.

Aquela operação reduziu de 62% para 32% a participação da União no capital social da Petrobras e submeteu a empresa aos interesses de investidores estrangeiros sem compromisso com os objetivos nacionais. Mais grave ainda: abriu mão da soberania nacional sobre a Petrobras.

O valor de mercado da Petrobras, que era de 15 bilhões de dólares em 2002, é hoje de 110 bilhões de dólares, apesar dos ataques especulativos. É a maior empresa da América Latina.”

Para fechar, compartilho, a partir do Vi o Mundo, um vídeo que a Globo escondeu: em fevereiro deste ano, Jean-Paul Prates, especialista em petróleo, em entrevista a Leilane Neubarth, da Globo News, fala sobre a polêmica em torno da compra da Refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, e outras celeumas em torno da Petrobras. E diz que, em se tratando da estatal e do mundo de petróleo, não se pode fazer “contas de padaria”.

 

 

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Postagem revista e atualizada às 23:40: Incorporação adequada dos links da parte final. Nova atualização dia 26, às 18:03 horas: substituição de palavra repetida na penúltima linha do penúltimo parágrafo da primeira parte: “carrega” ao invés de “segura a rudia!; correção de erros de ortografia e digitação no último parágrafo da segunda parte do texto.


3 comentários sobre “Dedos cruzados: semana começa com boas notícias

  1. Sobre o secretário de comunicação. Ele escreveu no tal documento que a comunicação era o “mordomo” da crise. Eu discordo que seja ou tenha sido o mordomo. Sempre fiz crítica pesada à comunicação governamental dos governos do PT. Diante do de Dilma, o do Lula é um sucesso. Acho o governo tímido na missão de encarar a comunicação como uma política pública tão essencial como a educação, a saúde,a economia. Sempre perguntei, quando é que o governo vai entender que comunicação governamental é para especialistas. Gente que estuda e estudou o assunto. Comunicação governamental é diferente de comunicação pública. A comunicação não foi o mordomo. É a corda do enforcado.

  2. Sobre o “vídeo que a Globo escondeu”. Quando foi ao ar, ao vivo, eu ainda tinha assistia à Globo News, mas o uso intensivo de homeprazol estava prejudicando meu estômago e me fez bloquear esse canal e o aberto da Globo. Mas, essa trolada que a Leilane levou e vi e ri a valer. na época eu comentei: É coisa de produtor. De vez em quando um produtor fura o bloqueio do monopólio da fala, do amém, e coloca em cena alguém que tem voz dissonante.

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