O 1º de Maio e a barbárie em nome da lei

A truculência em ação - Foto: Agência Paraná/Fotos Publicas
A truculência em ação – Foto: Agência Paraná/Fotos Publicas
por Sulamita Esteliam

Às vésperas de mais um 1º de Maio, os trabalhadores do Brasil têm mil e uma razões para sair às ruas e protestar. E é o que farão país afora, convocados pela CUT e por outras centrais sindicais que ainda cumprem o dever de defender  os direitos da classe trabalhadora.

A SD fica de fora das manifestações. Afinal seu líder, o deputado Paulinho, antes da Força Sindical, é um dos responsáveis pelo acinte à Constituição e à CLT representado pelo PL da terceirização, por exemplo.

PL 4330 aprovado pela Câmara, a pretexto de regularizar o trabalho terceirizado, institucionaliza a precariedade das contratações trabalhistas quando permite sua extensão às atividades-fim.  A palavra está com o Senado.

É a bárbarie, em nome da lei.

 

 

Tal e qual se sucede no Paraná, onde o Estado gerenciado pelo tucano Beto Richa extingue direitos dos professores, os massacra em praça pública e ainda comemora.

 

 

Quem paga por isso?

A mídia venal fala de confronto. Como assim?  A PM paranaense usou cães pitbuls contra os manifestantes, jogou gás lacrimogênio e de pimenta, baixou o cassetete, atirou com balas de borrachas e arrastou mestres, homens e mulheres, indistintamente, pelas ruas. Até sangrarem.

São duas centenas de feridos, quantos soldados?

E nas redes sociais, há quem corrobore a violência, absurda e desnecessária. E ainda usam termos chulos contra quem ousa discordar. Perdeu-se de vez a noção de civilidade.

O colega jornalista e blogueiro, Leonardo Sakamoto, que também é cientista político e dirigente da Repórter Brasil, além de conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão vai na mosca: “Ignomínia” é a palavra para definir o que aconteceu no, ironicamente, chamado Centro Cívico de Curitiba – onde estão a Assembleia Legislativa, o Palácio do Governo e os principais prédios governamentais da capital paranaense – na quarta, 29

Degradação. Humilhação. Desonra. Vergonha.

 

 

É do Sakamoto, também, artigo lapidar sobre o uso da palavra no Jornalismo em situações-limites. “Palavras grávidas de significado”. A exemplo de “confronto” – que rima com “covardia”, massacre, truculência, “estupidez”, bárbarie ou, como ele também escreve, “crime”.

 

 

É assim, com afronta aos direitos humanos elementares, que vamos construir a “Pátria Educadora” que pretende o segundo governo da presidenta Dilma Roussef?

Ou será o desrespeito e a violência o contraponto que os  governos tucanos, desde sempre, têm a oferecer quando se trata de Educação? Neste caso, terão sido os professores paranaenses os cristãos desses tempos, jogados aos leões para confrontar a doutrina adversária?

E o governo federal não vai se manifestar a respeito?

Vale-tudo no Estado Federativo?

Feliz Dia do Trabalhador!

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Ah, sim, não posso deixar de tocar no assunto: não acredito que a presidenta Dilma Roussef vai abrir mão do direito constitucional de falar à Nação em cadeia nacional de rádio e TV neste 1º de Maio. O que circula na blogosfera é que a fala presidencial vais se restringir à internet.

Por covardia, medo dos paneleiros ou pirraça contra os abusos dos meios eletrônicos  – à revelia da Constituição – não pode ser. Quem, como Dilma, enfrentou e sobreviu à prisão, pau-de-arara e todo tipo de tortura, não pode temer dúzia e meia de coxinhas destemperados verbais e políticos e suas panelas inox  ou de cerâmica.

Também não se pode crer que a estratégia política e de comunicação do governo federal, definitivamente, seja o tiro no pé. Afinal, mais da metade da população brasileira ainda não tem acesso à rede mundial de computadores. Coisa de 110 milhões de pessoas.

Será que é preciso desenhar?


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