Memórias de uma negra e uma peça em busca de apoio

por Sulamita Esteliam

Bora mudar um pouquinho o rumo da prosa e de estética:

 

Pense em uma mulher preta e favelada ser escritora em 1960.

Pense nessa mulher sendo mãe solteira de três filhos, um de cada pai.

Pense na revolução que foi essa vida.

 

Três atrizes-cantoras representam Carolina Maria de Jesus na peça  a ser  encenada em junho - Foto: Cida Reis
Três atrizes-cantoras representam Carolina Maria de Jesus na peça a ser encenada em junho – Foto: Gabriel Nogueira

Quarto de Despejo é o título do livro escrito por Carolina Maria de Jesus. Um livro de memórias de uma favelada, negra, mineira, e sua perspectiva a partir da vida em seu quartinho de madeira, lata e papelão. Um livro sobre as pessoas, os princípios e/ou sua traição, sobre a luta pela sobrevivência.

Toda a vida de Carolina é um questionamento. Uma plataforma de resistência. Espelho de outras vidas de centenas de milhares de mulheres negras dos sete cantos deste nosso Brasil. Mulheres que desafiam a ordem vigente. Sobreviventes.

É uma história que precisa ser contada, e recontada – centenas, dezenas, milhares de vezes. Contada por vozes diferentes, de mil formas diferentes, para que não se perca. E inspire Carolinas e Marias a trazerem seu testemunho, a tornarem pública sua marca no mundo.

A narrativa em destaque  encontrei no perfil da amiga mineira Eda Costa Renzulli, atriz, cantora e mestra de canto, duas semanas atrás. Extrato de um texto bem-escrito, que compartilho na sequência da abertura, em livre adaptação – por respeito e vício.

Agora, assista ao vídeo:

 

Eda, de turbante, integra o grupo Circo Teatro Olho da Rua, de Beagá; junto com as também atrizes e cantoras Carlandréia Ribeiro e Laís Lacôrte – pela ordem de entrada em cena, no vídeo.

Convidaram a produtora Aláfia Cultura para somar-se ao projeto da vez: bancar o desafio de representar a vida e as memórias de Carolina: Memórias de Bitita – o coração que não silenciou.

Sem recursos ou incentivo cultural, saíram em busca de financiamento coletivo, através do Variável, sítio belo-horizontino que busca sustentação financeira para projetos culturais – a exemplo de outros, Brasil afora.

O espetáculo teatral está previsto para estrear dia 16 de junho próximo, no Teatro Espanca, sob o Viaduto Santa Tereza, centro de Beagá.  O prazo, portanto, está nos calcanhares da produção. O projeto custa R$ 16 mil 500, e você pode contribuir dentro das suas possibilidades: as cotas vão de R$ 20 a R$ 4 mil, abertas até dia 11 de junho.

Vá lá: http://variavel5.com.br/projetos/bitita/

Memórias de Bitida

 

Ficha Técnica

Elenco:

Carlandréia Ribeiro
Eda Costa Renzulli
Laís Lacôrte

Direção: Jacó do Nascimento
Direção musical: Junim Ribeiro
Preparação corporal: Dulce Beltrão
Preparação vocal: Eda Costa
Idealização do projeto: Carlandréia Ribeiro
Realização: Circo Teatro Olho da Rua
Produção executiva: Aláfia Cultura

 

 


4 comentários sobre “Memórias de uma negra e uma peça em busca de apoio

    1. Muito bem. Correção feita no blogue, com minhas desculpas, Gabriel. Mas sugiro à assessoria do projeto dar os créditos quando postarem nas redes sociais. Vi uma foto da Cida e estendi o crédito à que escolhi para postar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s