E os ventos da política desarmam a tempestade…

Imagem capturada no Jornal GGN, do Luis Nassif
Imagem capturada no Jornal GGN, do Luis Nassif
por Sulamita Esteliam

O problema do dia seguinte costuma ser a ressaca.

Sou capaz de apostar que a presidenta Dilma Roussef, como governante responsável – e boa sagitariana – que é, não conseguiu pregar os olhos à noite. Tamanha a ansiedade pela repercussão do novo pacote de ajuste da economia, que o A Tal Mineira ontem tratou como um convite para frevar.

Na contramão das expectativas mais pessimistas, ou dos agouros mais terríveis. Iam da capitulação total aos desejos da casa-grande – para não ser defenestrada num impeachment forjado – ao suicídio literal – o que vem a ser a mesma coisa, ou quase.

Experimente colocar-se no lugar desta mulher. Mesmo que ela venha exercitando a capacidade de ignorar a condição de alvo – e que alvo – no, nem tão novo assim, esporte nacional preferido: arremesso de pedras. Não obstante, para quem sobreviveu ao pau de arara…

No entanto, afora as reações previsíveis dos setores previsíveis – e não falo só da oposição golpista, mídia venal incluída – , até que não sobreveio a tempestade anunciada pelos trombeteiros do apocalipse. E a lona não soçobrou.

As nuvens carregadas acabaram desviadas, pasmem, pelos ventos da política.

Isso mesmo.

Senão, vejamos.

  • Dezenove dos 27 governadores, de partidos da base aliada, se reúnem com a presidenta da República e garantem apoio à volta da CPMF. Vão trabalhar pela aprovação, com um “plus” que garanta aos estados e municípios um naco do bolo. Se governadores têm ascensão sobre suas bancadas no Congresso, é hora de a gente conferir.
  • Parlamentares e presidentes dos partidos da base de apoio do governo também se encontram com Dilma e entregam em suas mãos o manifesto Declaração em Defesa da Democracia e do Mandato Popular. Dentre eles o PT, partido da presidenta. Vamos combinar que demorou. O espetáculo já está no terceiro ato.

Eis a íntegra do documento.

  • Se Eduardo Cunha duvida da aprovação na Câmara, Renan Calheiros crê que a pauta é passível de trabalho.
  • Aliás, exatamente no Senado se aprovou nesta tarde lei oriunda de medida provisória do governo, que cobra dos bancos e assemelhados uma parte do ônus do ajuste: eleva de 15% para 20% a Contribuição sobre Lucro Líquido.
  • Claro, os movimentos sociais, sindicatos incluídos, parte substancial da base eleitoral da presidenta, se mantêm na ofensiva para garantir direitos sociais e dos trabalhadores.

Cada qual no seu papel.

Bom não esquecer de que este não é apenas um governo em disputa – como de resto o são os governos populares, que ousam tornar menos desigual a vida do povo. Mundo afora.

Este é um governo fustigado pelo inimigo e pela parcela teleguiada da população. Se não houver contraponto, não tem como resistir, nem por quê.

Dilma correu o risco.

Ah, vai ter greve geral, o serviço público vai parar?  Até cheguei a comentar no Twitter, que o governo dispensa coveiro. Precipitei-me. Afinal, greve é um instrumento de luta e de negociação.

É parte da trama.

Nenhum trabalhador é suicida. Sabe que quem são os eventuais substitutos de plantão. Já estiveram sob suas botas, seus chicotes, seu desprezo.

Há várias categorias em campanha nacional. Os petroleiros, por exemplo, abrem mão de reivindicar reajuste salarial para manter a integridade do patrimônio e das obras da Petrobras. Lição de cidadania e/ou visão de futuro.

A CUT, central a que se filia a FUP, acaba de lançar uma campanha nacional unificada, meta antiga, até  então não viabilizada. Estão nela bancários, metalúrgicos, químicos, além dos petroleiros e dos servidores: Em defesa da democracia, do emprego e do salário.

No mote da Frente Brasil Popular lançada há dez dias em Belo Horizonte, Minas Gerais.

E, ainda que naturalmente crítico ao pacote, o movimento sindical acena com proposta alternativa, que socialize a conta, a ser levada ao governo.

Tem muito enredo ainda pela frente.

E Dilma promete mais capítulos, e a gente torce para que o suspense não seja longo, e nem o desfecho seja trágico.

Pode me chamar de Poliana.

Antes, porém, sugiro que leia a análise do colega Luis Nassif, crítico rigoroso das ações do governo, sobretudo na economia:

 

Compartilho, também, o editorial de Carta Maior:

 

Para os inconformados pelo sopro de tranquilidade, recomendo o comentário de Bob Fernandes, na TV Gazeta, na segunda:

 

 

 

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Postagem revista e atualizada dia 16.09.2015,às 9:22: correção de erros pontuais de digitação em diferentes parágrafos e ajustes no visual: e novamente às 21:54 hs, para correções de erro de concordância verbal em duas frases de trecho final do texto, antes da introdução do vídeo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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