
por Sulamita Esteliam
O problema da ditadura é o guarda da esquina, diz bordão herdado dos tempos da longa noite do arbítrio, que, em 21 anos por pouco sepulta nosso senso de Brasil. A Pátria Amada continua nada gentil.
O guarda da esquina se mantém problema na democracia, talvez por que ainda engatinhante, a democracia. Talvez porque o guarda não conhece seu papel como agente de Estado, ou ache supérfluo pensar, e assim sendo, age como galo na rinha. Talvez porque tenha encontrado na cultura policial o caminho e a desculpa para exercer sua índole. Talvez porque ele próprio não conheça da missa a metade.
“Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar…”
É mais que uma palavra de ordem. É o diagnóstico de uma situação absurda.
Cantada a plenos pulmões, coletivamente, em repúdio à violência gratuita de um policial despreparado durante manifestação no Recife em defesa do Cais José Estelita, na noite da quinta-feira. 1º de outubro. Expressa nossa capacidade de nos livrarmos de um entulho-símbolo de uma época que não podemos esquecer, mas devemos enterrar.
O bom da história é que os jovens mostram estar bem conscientes do que é preciso ser feito. O melhor da história é que nem mesmo a mídia venal se omite diante de tamanha barbárie.
Lamento encerrar a semana com esse tipo de cena, mas impossível omitir:
Com a palavra, o senhor governador, Paulo Câmara.