Mulheres Negras: a incontinência da estupidez perdeu mais uma

 

Mulheres Negras em marcha pelo Eixo Monumental de Brasília - Foto Lula Marques/Agência PT/Fotos Públicas
Mulheres Negras em marcha pelo Eixo Monumental de Brasília – Foto Lula Marques/Agência PT/Fotos Públicas

 

por Sulamita Esteliam

“A intolerância é a imbecilidade à procura de uma multidão. É o espetáculo da estupidez com entrada franca, mas todos pagam caro ao final, quando as portas são fechadas, uma após outra. “

Antônio Lassance, cientista político em Carta Maior

 

Quando escreveu o artigo aonde pesquei a frase acima, Antônio Lassance não imaginava que sua máxima seria incorporada e corporificada na manhã do dia da publicação do seu texto em Carta Maior. Deu-se na capital federal, durante a Marcha das Mulheres Negras Contra o Machismo, a Violência e pelo Bem Viver.

Imbecilidade, no caso, tem nome e sobrenome, divulgados nesta quinta, no Twitter pelo mineiro @Regis Gallo: Jorge Vidal, policial civil do Maranhão, acampado nas imediações do Congresso Nacional pelo retorno dos militares ao poder. Sua base de trabalho fica a milhares e milhares de milhas, mas ele estava armado. E disparou contra a Marcha das Mulheres Negras. Foi preso pela segunda vez em uma semana.

A imbecilidade não conhece limites, profissão nem fronteiras.

Você, que não é ativista nem feminista,  pode se perguntar por que marcham as mulheres negras, e não todas as mulheres? Motivos é que não faltam, e o racismo é o detonador da violência sevada pelo machismo. São elas as maiores vítimas da violência sexista, e não só.

A despeito da lei, e das políticas públicas de combate. A violência contra mulher persiste e “assombra as mulheres”, no dizer na ministra Nilma Lino Gome – das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. E é maior, e “assombra muito mais”, contra as mulheres negras. Pior, vem crescendo na última década.

O Mapa da Violência 2015, divulgado no início do mês, traduz a preocupante realidade: os casos de homicídio de mulheres negras aumentaram  54,2% de 2003 a 2013; passaram de 1.864 para 2.875. No período, o número de mulheres brancas assassinadas caiu 9,8%  – de 1.747 para 1.576.

As mulheres negras representam 25,5% da população brasileira, segundo o último censo IBGE (2010). São 49 milhões de mulheres negras (pretas e pardas) Brasil afora. São elas elas os alvos principais da pobreza, da desigualdade social e econômica, da violência institucional, da mortalidade no parto e aborto.  Clique para ler a Carta das Mulheres Negras.

Daí a construção da marcha para trazer visibilidade ao cotidiano sofrido, à luta renhida pela sobrevivência, por respeito, espaço e oportunidades. Foi decidida em 2011, durante Encontro Paralelo da Sociedade Civil no Afro XXI- Encontro Íbero Americano de Afrodescendentes, em Salvador.

A Marcha das Mulheres Negras ocorre  na Semana da Consciência Negra, que se encerra nesta sexta, 20 de novembro, Dia de Zumbi e da Consciência Negra. A Marcha, iniciada dia 14, foi encerrada dia 18 em Brasília. A caminhada pelo Eixo Monumental reunu cerca de 10 mil mulheres dos sete cantos do Brasil.

O imbecil que tentou intimidá-las com tiros, provavelmente, está de volta à rua. Entretanto, conseguiu que as autoridades tomassem a iniciativa de remover os acampamentos de protestos na Esplanada dos Ministérios – de um lado golpistas, de outro defensores da democracia. O prazo para desmontagem é de 48 horas, a partir desta quinta. A decisão foi tomada  em conjunto pelo Congresso Nacional e pelo Governo do Distrito Federal, nesta quinta=feira. Antes que o irreparável aconteça.

 


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