Sob a força das ancestrais, nós mulheres levamos a vida… na labuta

por Sulamita Esteliam

Definitivamente, virei abóbora.

Peguei pesado na faxina, a ponto do maridão parar de reclamar que eu tenho mania de limpeza e se mexer para ajudar. Limpou a cozinha e a área de serviço que ficou uma beleza. Encerrei os trabalhos já passava muito das dez da noite. E estou aqui, tomando uma cervejinha para baixar a bola antes de entrar no chuveiro. Sim, a caçula, única da prole a habitar o ninho, encarou o banheiro, e sem reclamar – olha só que maravilha!

Enquanto descanso, me ponho a par dos acontecimentos.

Ótimo que a presidenta Dilma entrou com recurso no STF questionando as irregularidades do acatamento do processo de impeachment contra ela pelo Cunha, ainda presidente da Câmara dos Deputados. Tomara receba um bom presente de aniversário: sossego para governar. Dilma Vana Roussef completa 68 anos no dia 14, segunda-feira.

Ótimo que o Janot, que vem a ser o procurador-Geral da República, portanto chefe do Ministério Público Federal, tenha se manifestado ao mesmo Supremo, quando a inconstitucionalidade da votação secreta para eleger membros da comissão de parlamentares encarregados de analisar o processo de impedimento.

Pena que o mesmo procurador-Geral não se manifeste quanto a outros tantos abusos do presidente Cunha da Câmara, demolidor da Constituição e do Brasil, denunciado por ele próprio como escroque achacador do dinheiro público.

Brinco com as teclas para não amanhecer o sábado com o blogue desatualizado, numa semana que já teve feriado – e no feriado, como no fim de semana, Euzinha folgo, porque ninguém é de ferro. Exceções são tratadas como tais.

Não posso repetir Cazuza e dizer que esta minha vida é “louca”, muito menos “vida breve” e. nas circunstâncias gerais da Nação, leve mesmo é que não é…

Mas garanto que deixo que a vida me leve, quando não posso levá-la eu… E me junto ao Zeca Pagodinho, que fez brilhar a maravilha de composição de Serginho do Meriti, para dizer que “sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.

Gratidão é a palavra.

Não vale à pena reclamar por qualquer dê cá o que é isso?, como dizia minha avó materna.  Todavia, protesto quanto a injustiça, o desrespeito e o abuso; e começo dentro de casa, que é para dar exemplo. É imperioso ir à luta. De rame-rame é tecida a nossa história.

Mãe Ceição aos 65 anos
Mãe Ceição aos 65 anos, única foto profissional em 86 anos que viveu. Reoroduzi da foto emoldurada com vidro, daí a sombra vertical
Vó Liscínia2
Vó Liscínia também aos 65 anos, numa reprodução da reprodução pintada de uma foto 3×4. A filha mandou pintar, ao lado do pai – costume dos idos do século XX

Minha avó, Mãe Ceição era mandona, e era obedecida – ou se corria o risco de pagar o preço de não fazê-lo… Preferia, em determinadas ocasiões,  fazer sozinha, por que quem quer faz, quem não quer manda… Modesta, ela, não? Quem não a conheceu que compre …

Minha avó paterna, Liscínia, com quem tive pouca chance de convivência, por que encantou-se logo depois do meu pai, e eu ainda era menina, lá pelos sete anos…tinha fama de resmungona. Arrastava os chinelos noite adentro, falando sozinha, batendo panelas. E fazendo cuscuz doce, de farinha de mandioca, na panelinha de ferro – disso eu me lembro, e era uma delícia…

Tinha mania de virar a noite nas tarefas domésticas. Para loucura da minha tia mais velha, Mundica, que sobreviveu aos pais, à irmã e ao irmão – para morrer, miseravelmente, aos 83 anos, num AVC no meio da madrugada. Mas isso é outra história…

Como se vê, tenho a quem puxar.  Até porque, as duas avós são minhas madrinhas: Liscínia me batizou, junto com meu avô materno, João; Ceição carregou toalha e consagrou. Mais importante, ajudou-me a vir ao mundo, inteira, como parteira exímia que era. Detalhe: o trabalho do meu parto levou 36 horas. Costumam dizer, “pobre da sua mãe!’. Digo, pobre de mim também, que sofri junto. E imagine o tamanho do aperreio da minha vó-parteira!

E isso não é da missa o começo…

Se serve de consolo, fato é que quem sai aos seus não degenera.

Levo a fama, e deito na cama.

Só o que não falta na família é mulher absoluta. Que eu saiba, a partir de Conceição, estamos na quinta geração de mulheres a perder de vista, porque somos Coelho – tem Gonçalves antes – no sobrenome e na reprodução.

Liscínia, que era Pinto Pereira, foi econômica no parir, e tem seguidores na descendência, entretanto chega à quarta geração. Representada, até o momento, por uma única mulher: Larissa, minha única neta em quatro, filha do meu único filho em quatro, que chega aos 18 anos após o Carnaval.

Mineiras, ou não, somos guerreiras, todas.

Tenho que ser feliz, e agradecer, por tudo que Deus me deu.

E já que estamos no espírito, deixo dois vídeos para fechar a semana: Zeca Pagodinho-Serginho do Meriti/Deixa a vida me levar e Clara Nunes-João Nogueira e Paulo César Pereio/Guerreira.

 

 

 

 

 

Postagem revista e atualizada dia 12.12.2015, às23.28 horas, hora do Recive: correções de erros de digitaçãpo e pontuação em diferentes parágrafos.

 


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