Beagá 118 anos em duas traduções

por Sulamita Esteliam

Belo Horizonte completou 118 anos neste 12 de dezembro, e para variar, perdi o dead line no sono vespertino que avançou a noite e quebrou o relógio.

Meu abraço à minha Macondo de origem.  A cidade tão bem traduzida em duas imagens que compartilho para celebrar: a foto, do amigo Carlos Avelin, fotojornalista de primeira estirpe e o poema de Wagner Merije. Colheitas emocionantes deste fim de noite e início de madrugada.

A foto me foi enviada, há 20 anos, com missiva no verso. Letra miúda e bem-traçada pela querida Izabel Zóglio, jornalista, ex-parceira de trabalho, como eu e Avelin- com quem partilhava a vida, então: em 09 de fevereiro de 1995. Nossa amizade, assim como nosso amor por Beagá, transcendem o tempo, e tais particularidades, por isso ouso citar.

O poema capturei na busca pela rede, no blog do autor – que é escritor, jornalista, empreendedor cultura e social, homem multimídia. Euzinha incapaz que sou de traduzir Beagá em versos, ainda… Pura identidade com a dupla relação e os sentimentos múltiplos e diversos que fervilham quando se trata da nossa cidade – cordial e severa, que nos seduz e repele, encanta e subjuga.

Feliz idade nova, Belo Horizonte!

 

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Beagá pelo olhar de Carlos Avelin em 1995

POEMA PARA BELO HORIZONTE

Wagner Merije

 

BELO HORIZONTE
É por ti, para ti
Meu poema
Tempestade com furacões
Dança com escorpiões
Cova de leões
Unicamente por ti
BELO HORIZONTE

No Curral do Rei, onde a terra era fértil
E as sementes nasciam fortes
Fincaste teu nome, teu nascimento e morte
Cidade Jardim

BELO HORIZONTE
Na madrugada em que adentrei sua história
Os anjos da igreja da Boa Viagem
Cantaram como loucos pela capital
Anunciando a todos os que passavam:
Nasceu! E seremos felizes para sempre

BELO HORIZONTE
Seu útero me acolheu
E me preparou para cuidar de ti
Com amor materno
Com admiração paterna
Na alegria e na tristeza
Na ternura e na loucura
Na dor e na ira
Na humildade e na ganância
Na fome com a vontade de comer
Nos delírios e nas recompensas

BELO HORIZONTE
Crescemos juntos
Com transformações e crises
Crescemos, mudamos
Nossas cabeças são cabeçonas agora
Somos todos cabeções na cidade cabeçona
Mas nem um rio tem
Nem um Tejo, um Ganghis, um Thames, um Seine
Não temos
E a falta nos faz muita falta
Como o mar!
Ó palavra mágica e irmã do horizonte!!!

Entre indas e vindas
Te tornastes esbelta e elegante
Inconstante e desvairada
Conservadora e tímida
Burguesa e desprendida
Como não notar a boa forma do seu corpo
Como montanhas a se destacar no horizonte
Como não notar sua boca molhada querendo me beijar
Como não desejar fazer festa com você
Mesmo que o para sempre não dure

BELO HORIZONTE
Seus vícios e virtudes
Qualidades e defeitos
Preguiça e malícia
Seu temperamento ácido, sua prepotência
É fácil desanuviar e te perdoar pelas cicatrizes
Leves e profundas
Mas as cicatrizes fazem parte de mim e de você
Cidade mia!

É que me és fundamental
Mesmo na amargura
Abandono e solidão
Me ofereces seus braços para partidas e chegadas

É que sou-te fundamental
Quando pedes por meu carinho
Quando pedes que eu te cuide sem comparação
Te faça de meu amor e de minha amada

E sabes que tem
Tu tens o meu amor
Incondicional

Por isso devo dizer que não quero esperar muito
Para ter seu amor de volta

BELO HORIZONTE
Seus monumentos, edifícios e praças
Avenidas e bairros
É tudo pouco para tão grandes aspirações
O mundo é grande e maravilhoso
Mas não conheço ninguém tão bem quanto a ti

Louca
Demos voltas e voltas na Contorno buscando esplendor
Pulando do alto das montanhas
Querendo sentir alguma emoção
Para descobrir que o esplendor mora dentro de nós
E somos esplendorosos, BELO HORIZONTE
Somos deslumbrantes, aqui e acolá
Não devo ter vergonha de dizer nem de admitir
Afinal estamos falando de amor e vida conjugal
Eu e você somos carne e unha
Somos tudo que somos
E tudo que podemos ser

BELO HORIZONTE
Um poema merece uma vida inteira para ser escrito
Uma cidade demora uma vida inteira para ser amada
Uma cidade demora uma vida inteira para ser poema
Um poema merece a idade de uma cidade para ser feito
Vou te reescrever a cada dia
A cada passo, a cada esquina
E vou fazer como se cada dia fosse o último
Pois quero deixar-te o poema mais lindo e profundo
Que a minha idade permitir fazer
Mesmo sabendo que serás eterna
Depois de mim

BELO HORIZONTE
Uma cidade sempre será eterna
Um poema efêmero, efeméride
Mas toma, que esse poema vem do coração
Pulsando
Cheio de veias ativas
Sangue bom nas artérias

BELO HORIZONTE
Esta é uma ode aos discípulos da imperfeição
Deus te dá um dom e junto um chicote
Para sua diversão
BELO HORIZONTE
Nosso caso tem duas versões
Ódio e paixão

BELO HORIZONTE
Para sempre
Serás horizonte, meu horizonte
Belo
E este é um poema para os que lhe amam ou lhe são simpatizantes


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