Pegadinhas da política e do tempo

por Sulamita Esteliam

A Tal Mineira transcreve postagem do Tijolaço, que expõe o tratamento diferenciado que vigora na politização da Justiça e na judicialização da política nesta terra de meu Deus. Aliás, o Todo-Poderoso, ao que parece, anda cansado de ser brasileiro.

Faço-o por que hoje é dia de Euzinha migrar de São Paulo para Curitiba, depois de seis dias na Pauliceia desvairada. Aproveitei para rever amigos e parte da parentada que reside por aqui. Por essas e outras, ontem, por exemplo, não consegui chegar ao blogue.

Não, não vou a Curitiba entrevistar o juiz Moro nem os promotores da força-tarefa da república curitibana – todos têm microfone cativo na Globo. Até que seria uma boa saber o porquê de a Lava Jato ter sumido do mapa do PIG, enquanto o golpe anda em velocidade supersônica também no Senado, e o STF finge de morto.

Clima curitibaNada disso.

Simplesmente, vou matar as saudades da caçula, que passa lá uma temporada, em mobilidade acadêmica.

Em minha homenagem, o clima virou de ponta cabeça e a temperatura caiu abaixo de 10º na capital do Paraná. Também em São Paulo, desde ontem à noite, girando de 14 a 19 graus.

Isso porque eu amo frio, daquela moda que roda, e minha mala só tem roupa para meia estação… Haja cana!

Mas vamos ao texto do Fernando Brito no Tijolaço, que meu tempo urge:

 

O Brasil dos dois pesos e duas medidas

 

Liga um amigo gozador e diz que a democracia no Brasil deveria ser aferida pelo  Instituto de Pesos e Medidas.

“Brito, ninguém passava no teste da balança”

E dá exemplos.

O ex-possível ministro da Justiça de Michel Temer foi advogado de réu da Lava-Jato e assinou manifesto comparando o tribunal de Moro à Inquisição.

Por muito menos, no meando promotores menos fanáticos, Dilma teve duas ações suspendendo sua posse. Se indica alguém como Antonio Mariz de Oliveira – que não disse mais do que competia a um legalista e por isso “rodou” -corre o risco de amanhecer com o japonês na porta.

E o PSDB, que não explicou gastos de R$ 1,1 milhão na campanha de 2010 vai poder pagar a diferença, a partir do ano que vem e em seis vezes sem juros. Já as supostas irregularidades das contas de Dilma são para perder o mandato, se os deputados e senadores não lhe tiram antes.

Aliás, segundo Monica Bergamo, na Folha, já se arranjou uma “fórmula” genial, melhor que separar (como?) os gastos da campanha de Dilma dos da de Temer.  Cassada Dilma, arquiva-se, porque com Temer “não vem ao caso”.

Da balança para o relógio, a coisa é igual. Há quatro meses o pedido de afastamento de Eduardo Cunha dorme no STF, ocupadíssimo em saber se os espectadores podem comprar pipoca na carrocinha e entrar na sala de projeção comendo.

Na Câmara, nem se fala. Como registrou hoje o ótimo Bernardo Mello Franco: “Enquanto o impeachment corre como uma lebre, o processo contra Eduardo Cunha caminha a passos de tartaruga (…)O processo contra Cunha já bateu um recorde. É o mais longo da história da Câmara, arrastando-se há mais de 170 dias.” E não vai dar em nada.

Acabo tendo que concordar com meu amigo. Não é ele quem faz piada

 


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