O crime ambiental e humano em Mariana, a arte e o papel da mídia

por Sulamita Esteliam
No sentido horário, Ângela Carrato, o mediador do MAB, Sofia Carrato e Geraldo Elízio: para não esquecer Mariana e previnir nos crimes ambientais - Foto: SEsteliam
No sentido horário, Ângela Carrato, o mediador do MAB, Sofia Carrato e Geraldo Elízio: para não esquecer Mariana e previnir nos crimes ambientais – Foto: SEsteliam

Não pude assistir à apresentação sobre o desempenho da mídia convencional na cobertura do crime ambiental e humano da Samarco/Vale/BHP em Mariana, que resultou na tragédia de dimensões ainda não mensuradas, totalmente. As amigas Ângela e Sofia Carrato e o amigo Geraldo Elizio já me perdoaram.

Foi a última mesa do #5BlogProg, no fim da tarde e início da noite do sábado, 21; Euzinha tinha compromisso familiar inadiável, e tive que dar uma escapadela. Retornei, apenas, a tempo de registrar em foto.

Assim, recorro ao trabalho da equipe do Barão de Itararé, e reproduzo a matéria de Raphael Coraccini, com pequenas alterações/acréscimos no texto. Espero não ferir susceptibilidades – linquei o original na assinatura.

Clique para ler, também, a matéria de Aline Frazão para o coletivo  Jornalistas Livres,

Opto, também, por publicar fotos dos colegas Ismael dos Anjos e Lincon Zarbietti, exemplo de talento, dedicação e humanidade da nova geração de fotojornalistas; na verdade, os meninos batem muito bem nas teclinhas, registre-se.

protesto vale-Samarco-MedInc_Ouro Preto_Lincon ZarbiettiZarbietti clicou fotos contundentes em Bento Rodrigues e entorno, e percorreu o Rio Doce até o desemboque, no Espírito Santo. Mas seu o olhar sensível também se volta para a tragédia humana, que não tem tamanho. No último 21 de abril, enquanto cobrir as solenidades de entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto capturou imagens como esta,que publico ao lado.

Fecho com um vídeo do #Gatacine. Um artista formado pela “escola” foi até Mariana, conheceu de perto as famílias atingidas pelo desastre, colheu a lama que arruinou suas vidas e com ela fez seus retratos, que depois foram publicados em locais estratégicos do DF. É impressionante.

Aliás, no aniversário de seis meses do crime, Ismael dos Anjos, que é mineiro, mas vive em São Paulo, espalhou pela área central de suas duas “Macondos”, algumas das dezenas de fotos que colheu na área. Quem gostou, levou pra casa, em menos de 24 horas; e esta foi a intenção segundo ele. No FB vejo que em Beagá permaneceu mais tempo justo o  quadro exposto em frente ao museu da Vale, na Praça da Liberdade.

Tomo as palavras do #Gatacine na descrição do vídeo acima referido: “A Arte não esquece”.

 

#5BlogProg: Mídia compactuou com crime ambiental em Mariana

por Raphael Coraccini – Barão de Itararé.

Os primeiros noticiários sobre o crime ambiental de Mariana excluíram totalmente a Vale da história, e a culpa foi jogada somente para cima da Samarco. Nos dias seguintes, quando a mídia alternativa passou a esclarecer a população sobre o nome das empresas envolvidas (além da Samarco, BHP e Vale), a grande mídia finalmente resolveu envolver a Vale na história. Mesmo assim, as notícias negativas em relação à mineradora vinham acompanhadas de justificativas mirabolantes da direção da empresa.

Em fala durante o 5º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, a engenheira e professora da UFMG, especialista em risco, Sofia Carrato, afirmou que a escolha por privilegiar o nome da Samarco nos noticiários é simples. “Ela tem um capital muito inferior ao da Vale, sua dona majoritária, por isso, a perda de valor é menor. Se a Vale recebesse a devida culpa, o prejuízo à empresa e seus acionistas seria muito maior”, disse a especialista.

A Vale é uma das maiores patrocinadoras da grande mídia, que se tornou cúmplice da falta de ações das empresas na tragédia que deixou 19 mortos e pelo menos dois desaparecidos naquele dia 5 de novembro de 2015. A barragem de Fundão arrebentou, acabando com o vilarejo de Bento Gonçalves, enterrando boa parte da cidade de Mariana, matando o Rio Doce e poluindo o Oceano Atlântico. É considerada a maior tragédia ambiental do Brasil em todos os tempos e a maior no mundo envolvendo rejeitos minerais.

A professora Sofia e a jornalista Ângela Carrato, sua irmã, professora de Comunicação Social também na UFMG, formam o Grupo de Pesquisa Estação Liberdade, que está estudando as causas e consequências da tragédia em Mariana. O grupo vem acompanhando a ação do capital privado na exploração mineral no estado de Minas Gerais. Aponta que campanhas populares contra a ação devastadora das mineradoras acontecem desde os anos 1980. Por exemplo: adesivos de carro que reproduziam o slogan “Olhe bem as montanhas”, alertando o povo para a mudança dramática que a paisagem das serras mineiras estavam sofrendo, com uma planificação causada pela exploração predatória.

Enquanto campanhas gritavam contra as mineradoras, a imprensa fazia vista grossa às provas científicas de uma catástrofe iminente.

Outro estudo realizado pela UFMG mostra que o volume de rejeitos depositados em Fundão reduziria naturalmente o tempo de vida da barragem de 22 anos para 9 anos. O dado contradiz a versão da Vale (acolhida e reproduzida pela mídia hegemônica) de que ela respeitava a porcentagem estipulada de quantidade de resíduos que poderia depositar na barragem.

O grupo de estudo criado pelas professoras, além de trabalhar na responsabilização das mineradoras no crime ambiental, procura alertar sobre a nova barragem que a Vale planeja construir na Serra do Gandarela, tombada como patrimônio ambiental.  Gandarela abrange os municípios de Caeté, Santa Barbara, Barão de Cocais, Rio Acima, Itabirito e Raposos na região metropolitana de Belo Horizonte, MG. Faz parte da Reserva da Biosfera do Espinhaço e abriga a “caixa d’água” que abastece o Rio das Velhas, o Rio Doce, e a Grande Beagá.

A barragem que a Vale é dez vezes maior que a de Fundão. Em caso de uma tragédia semelhante à de Mariana, apontam as pesquisadoras, haveria catástrofe mundial, com a poluição da costa das três Américas e da África Atlântica.  Acabaria o Rio Paraopeba e parte do São Francisco, antes de chegar à costa africana, ao Caribe e à Flórida.

 

 


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