A resistência sem tréguas ao desgoverno provisório

por Sulamita Esteliam

O funcionários do Palácio do Planalto podiam seguir o exemplo dos colegas da CGU – Controladoria Geral da União, que, no desgoverno provisório, e golpista, recebe a denominação de Ministério da Transparência: lavar escadarias, rampa e vidraças da casa-símbolo da Presidência da República, e assim, quem sabe, acelerar a queda do presidente interino, Michel Temer.

Desinfetar para desinfestar.

Na CGU funcionou. Até porque, além da lavagem, nunca antes neste país servidores em postos de direção entregaram seus cargos em protesto contra um mandatário.

Temer havia anunciado que não demitiria seu ministro Transparência, pego em mais um vazamento das delações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, divulgadas no fim de semana. Antes do fim da tarde, Fabiano Silveira, homem da área de influência do presidente do Senado, Renan Calheiros, pediu demissão.

Mais ligeiro do que Jucá, que teimou em ficar, mas foi defenestrado depois da bronca da Globo ao presidente interino do desgoverno provisório –  a tempo de sair no Jornal Nacional.

A boa e velha tática de protesto do movimento sindical – inspirada na tradicional lavagem do Bonfim, em Salvador, para afastar as energias negativas e pedir Axé! Sempre funciona com a mídia venal, que raramente dá espaço para as reivindicações trabalhistas, mas adora um show.

Era pauta com cobertura garantida. Tanto mais que as denúncias contra Silveira – pego em crítica contra a condução da Lava Jato pela PGR, e orientando seu mentor e Cia em como safar-se do garrote -, foram objeto de matéria exclusiva no Fantástico global.

E a edição de O Globo desta segunda já sustentava a “inviabilidade” da permanência do “conselheiro”.

É assim que a banda toca. A mídia disseminadora do golpe tem que vender a faxada de que, age “pelo bem” do Brasil.

Difícil é colar.

A resistência está nas redes e nas ruas.

Por mais que o mesmo PIG tente esconder ou minimizar. Todo e qualquer protesto ou celebração leva à reafirmação da ilegitimidade do desgoverno usurpador.

Tem sido assim nas ocupações das sedes da Funarte e outras representações do Minc país afora, que permanecem, a despeito do recuo sobre a extinção da pasta.

Tem sido assim nas manifestações de indignação contra a cultura do estupro, deflagradas pelo estupro coletivo da adolescente no Rio de Janeiro.

Tem sido assim nas marchas do MST, do Povo sem Medo, dos trabalhadores do campo e da cidade.

Tem sido assim nos protestos estudantis e dos coletivos da juventude.

E foi assim na Parada do Orgulho LGBT em São Paulo neste domingo e até na Festa do Pau da Bandeira, em Barbalha, no Ceará.

O povo não é bobo. Sabe que este desgoverno, além de ser fruto do golpe, que não está consolidado, é símbolo do retrocesso sobre direitos sociais e civis. As medidas anunciadas fazem terra arrasada sobre conquistas históricas e sofridas.

Tem sido assim e assim permanecerá, até que a democracia seja restabelecida  em sua integridade, com o retorno da presidenta Dilma ao posto que conquistou nas urnas, com 54 milhões de votos.

‪#‎AmarSemTemer‬

Vídeo: Bruno Miranda e Adolfo Garroux  – Edição: Iolanda Depizzol – especial para os Jornalistas Livres

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E por falar em resistência, enquanto Temer e sua turma não pode botar a cara na rua, a presidenta legítima, Dilma Rousseff, afastada pelo golpe em curso, é celebrada onde quer que vá.

Nesta segunda, foi recebida por uma multidão no Beijódromo da Universidade de Brasília, que ali estava para o lançamento do livro Resistência ao Golpe de 2016.

Reúne textos-denúncia sobre o ataque à democracia que o Brasil vivencia, escritos por advogados, professores, jornalistas, cientistas políticos, artistas, escritores, arquitetos, líderes de movimentos sociais – brasileiros e estrangeiros.

De acordo com a organização do evento, ouvida pelo coletivo Jornalistas Livres,  “a complexidade do golpe em curso precisa ser denunciada de forma multifacetada porque não se resume à abreviação do mandato constitucional da Presidente da República por um processo de impeachment sem crime; mas inclui ataques e desmonte das conquistas sociais, políticas e jurídicas fruto de lutas permanentes ao longo de mais de 30 anos desde o fim da ditadura civil-militar”.

A abordagem dos escritos, assim, vai “do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo; da função dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato; da crise de representatividade à ofensiva golpista contra direitos e políticas sociais. São inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe de 2016 que, em muitos aspectos, já se consumou”.

Crédito fotos:

Alto: 1 e 3/Ocupa Brasil BH e Fortaleza/Mídia Ninja; 2/Ocupa Brasil Pará/Jornalistas Livres

Rodapé: Dilma/Jornalistas Livres; Título Eleitoral/Jaqueline Lisboa-Mídia Ninja


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