Entenda o que é cultura do estupro – em vídeo e texto, didáticos

Mulheres contra o estupro no Rio de Janeiro - Foto: Jornalistas Livres
Mulheres contra o estupro no Rio de Janeiro – Foto: Jornalistas Livres
por Sulamita Esteliam

Euzinha ia escrever sobre a cultura do estupro, o que é, como fazer para evitar a perpetuação da barbárie que naturaliza a violação do corpo de uma mulher, ou de qualquer pessoa. Começaria pela síntese de um meme que circula na rede. Diz: “Não culpe a mulher. Eduque o homem”.

Não pode ser considerado normal um estupro a cada 11 minutos.

Mas aí, minha navegação diária me levou ao coletivo Jornalistas Livres – já não vivo sem… – e no FB topei com o vídeo que posto a seguir. É da Juliana Tolezano, uma garota de 24 anos, que na rede atende pelo codinome Jout Jout. Esforço desnecessário se eu insistisse no intento original; não alcançaria o nível de didatismo e da empatia dela.

Pois Jout Jout, muito prazer, em ver e ouvir você falar como se comportar diante de uma situação de estupro sem expor a vítima.

A reportagem da Globo e o delegado encarregado da investigação do caso da garota vítima de estupro coletivo no Rio, deveriam assistir seu vídeo.

A propósito, perguntinha que não quer calar: por que a investigação do estupro coletivo não está a cargo de uma Delegacia da Mulher? Ou será que no Rio não tem delegacia da mulher que atenda as mulheres da periferia?

 

 

No coletivo Coalizão MG, ora rebatizado de Vigília Feminista MG, outra garota, Natália Menhem, escreveu um texto que acompanha a postagem do segundo vídeo da campanha, que é nacional e vai durar 33 dias. Um vídeo por dia, até chegar ao número dos estupradores da garota carioca. Presos, todos presos, é o que se exige – aqui no blogue, o primeiro vídeo, publicado ontem.

Um bom resumo da dimensão da causa, e do que nos move:

Fim da cultura do estupro“Nossa luta é longa e vai continuar.

Contra a cultura de estupro que não está só no estupro, mas em todos os pequenos abusos e violências que nós, mulheres, sofremos no dia a dia.

Uma cantada na rua, um comentário maldoso sobre uma mina em rodas de amigos, o questionamento de “que roupa ela estava vestindo” ou de “mas ela estava sozinha?”, um agarro não permitido pela garota que o cara estava ficando, qualquer pensamento ou menção sobre uma mulher “merecer ou não merecer” ser estuprada.

Todos esses atos fazem parte de uma cultura de estupro.

O adesivo para carros feito com a presidenta eleita, a recepção de Alexandre Frota no Ministério da Educação, o abusivo PL5069, de Eduardo Cunha, que retira os direitos das vítimas de estupro.

Todos esses atos constituem a cultura de estupro.

E é a ela que dizemos o nosso NÃO.

#nãopassarão #estupronuncamais #vigiliafeminista #vigiliafeministaMG”

 

 

 

Clique para ler Nota da CUT em que a maior central sindical do país repudia a cultura do estupro e da violência contra a mulher no Brasil.

Em tempo: projeto da senadora Vanessa Graziotim (PCdoB-AM) altera o Código Penal, Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940, acrescentando-lhe o art. 225-A. Estabelece o aumento de pena para o crime de estupro cometido por duas ou mais pessoas.

Você pode opinar sobre o projeto no Portal do Senado. O voto desta reles blogueira foi o de número 788 a favor. Às 21:00 desta sexta havia cinco votos contra.


2 comentários sobre “Entenda o que é cultura do estupro – em vídeo e texto, didáticos

  1. ​Valeu Sulamita… assino embaixo e concordo com todo o texto! ​Também me perguntei, porquê a delegacia da mulher do Rio não está investigando! E os primeiros suspeitos não foram presos de imediato?

    Essa maldita norma da polícia contribui mesmo é para impunidade, isso sim!

    Beijos

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