Por que querem a cabeça do Lula, a gente já sabe

Lula fala aos bancários no seminário O Brasil que a gente quer - Foto: Ricard Stuckert / Instituto Lula
Lula fala aos bancários no seminário O Brasil que a gente quer – Foto: Ricard Stuckert / Instituto Lula
por Sulamita Esteliam

Até as pedras de contenção de maré da Praia de Boa Viagem, posto 8, sabem que o objetivo da Laja Jato é pegar o Lula e inviabilizá-lo politicamente. O “sapo barbudo” tem 70 anos e, portanto, 2018 seria seu canto de cisne. Teoricamente.

Pelam de medo do Lula. Morrem de inveja do Lula. Querem esfolar o Lula.

Simplesmente por que um Lula só acontece a cada 100 anos. Lula “é o cara”, e quem disse isso foi o cara mais influente do planeta.

Destarte, não há qualquer surpresa na decisão de transformá-lo em réu, por suposta tentativa de interferir na condução do processo que se arrasta há dois anos. E que corrói as bases da nossa indústria produtiva e de infraestrutura.

Uma caçada desarvorada e frenética, arbitrária, que nega os princípios fundamentais do direito, e que resulta em nada do que se propunha, de fato.

Que se investigue, se prove, se julgue e se condene a quem deve, com base em provas concretas, e com respeito ao estado de direito. Não é o que acontece.

E é por conta disso que Lula recorre ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, com toda razão. É regra do direito internacional: “juízes não podem ser acusadores”.

 

 

Reviraram mundos e fundos, usaram da parcialidade e do arbítrio, não acharam Lula. Assim como não encontraram Dilma.

“Não encontraram rigorosamente nada capaz de associar Lula aos desvios na Petrobras, investigados na Operação Lava Jato, ou a qualquer outra ilegalidade. Nenhum depósito suspeito, nenhuma conta no exterior, nenhuma empresa de fachada, nenhum centavo que não tenha sido ganho honestamente e declarado para o pagamento de impostos.”

Mas isso a mídia nativa, venal, esconde.

Então, vale a delação de um escroque confesso, vale qualquer coisa. Até porque, a Justiça brasileira jamais se preocupou em fazer justiça. Nasceu, cresceu e se prevaleceu a serviço da plutocracia, e em cima dos famosos e tristes ps: pobre, preto, prostituta.

Com a conivência e o beneplácito da mesma mídia venal, que sempre serviu aos mesmos senhores, e que é covarde, e tem rabo preso – política, econômica e judicialmente.

Praticar jornalismo, como se há de…?

Nos últimos tempos, todos se arvoram em caçar corruptos – judiciário e mídia golpista. É a história do macaco que enrola e senta sobre a própria cauda. Réus se fazem, desde que venha ao caso.

O juiz federal de Brasília que acatou a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal contra o ex-presidente Lula é conhecido por sua parcialidade.

O próprio MP move denúncia contra sua ações obstrutivas no caso da Operação Zelotes, que investiga sonegação fiscal, segundo o coletivo Jornalistas Livres e também a revista Carta Capital.

Ricardo Leite é juiz substituto na 10ª Vara Federal Criminal de Brasília. No despacho do acatamento da denúncia,  que escreve não tomou conhecimento da defesa escrita, e que o fará no devido tempo. O Tijolaço chama a atenção para o fato que a mídia nativa faz de conta que não vê.

Imagem capturada no sítio do LULA
Imagem capturada no sítio do LULA

A tática é suficientemente clara, escrachada. A estratégia é furada, perceptivelmente. Estão aí as pesquisas de popularidade e intenção de votos para mostrar que é vã.

Não é coincidência que às vésperas de toda grande mobilização popular contra o golpe e em defesa da democracia, como a que acontece no domingo, nacionalmente, os tentáculos do denuncismo se movam. E sempre na mesma e única direção.

Lula sabe disso, tem falado reiteradamente a respeito, e voltou ao assunto nesta sexta, quando participou de seminário sobre o futuro do Brasil, promovido pela Contraf-CUT, em São Paulo: O Brasil que queremos, que também é título de livro produzido em parceria da confederação dos trabalhadores no ramo financeiro com a UERJ.

“Se o objetivo de tudo isso é me tirar de 2018, isso não era necessário, a gente escolheria outro candidato mais qualificado, mas essa provocação me dá uma coceira…”

“Se querem me acusar, terão de provar.”

O tom jocoso e provocativo é próprio de Luiz Inácio Lula da Silva.

Seus advogados ainda não conhecem da denúncia, pois a notificação não chegou a Lula. Divulgaram nota à imprensa, postada no novo sítio eletrônico do ex-presidente, e amplamente difundida pela blogosfera. Eis um trecho:

“Lula já esclareceu ao Procurador Geral da República, em depoimento, que jamais interferiu ou tentou interferir em depoimentos relativos à Lava Jato. A acusação se baseia exclusivamente em delação premiada de réu confesso e sem credibilidade – que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para prisão domiciliar. Lula não se opõe a qualquer investigação, desde que realizada com a observância do devido processo legal e das garantias fundamentais.”

Na fala aos bancários, o ex-presidente manteve o tom que o caracteriza, e que faz o outro lado se arretar.

“Achar que eu vou ficar quieto por causa de ameaça? Não vou. Eu duvido que tenha alguém nesse país que seja mais cumpridor da lei do que eu, que seja mais respeitoso com a Constituição do que eu. A única coisa que quero é respeito. O que quero é que a imprensa não faça o julgamento e dê a sentença pelas manchetes. O que quero é que as pessoas sejam consideradas inocentes até que se prove o contrário. Nós ajudamos a conquistar a democracia, nós não vamos aceitar o que está acontecendo no Brasil sem gritar.”

É claro que Lula se refere ao golpe de Estado em curso, ao desmonte das políticas públicas e de todas as conquistas dos últimos anos, do seus governos e no de Dilma, abortado na reedição.

O ex-presidente resume em duas frases o que o país está vivendo com o golpe do impeachment: “Uma vingança política.”  “Uma vergonha”.

Compartilho o áudio com a íntegra da fala de Lula aos bancários:

soundcloud.com/institutolula/seminario-nacional-do-sistema-financeiro-e-sociedade-contraf-cut

 

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Postagem revista e atualizada à 01:28h: correção de erros de digitação e omissão de palavras; inclusão de frases nos parágrafos 5º: Não é o que acontece, e 10º: Mas isso a mídia nativa, venal, esconde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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