É Olimpíadas, e o complexo de vira-latas da mídia ataca novamente

por Sulamita Esteliam

Tenho uma irmã e o único irmão atletas. Lili e Lalá, cada um no seu quadrado. Euzinha passo longe.

Elizethe, que é Lili por opção, foi ginasta artística a vida toda, desde criança. Agora corre meia-maratona.

Alarcone Lalá, que também é compositor e incorpora ao nome “artístico”, o apelido de infância,  é maratonista, desde a juventude. Já entrou para o time dos “sex”.  Corre, como jogava futebol, por prazer e por conta própria.

Lili começou criança, no Sesiminas, chegou a disputar um campeonato mineiro, e ganhou bolsa para treinar em escolinha especializada. Entretanto, as condições familiares não permitiram que aproveitasse a oportunidade.

Nossa jovem mãe viúva era treinada para administrar a escassez para criar quatro filhos, mas não sobrava dinheiro para a condução. Naquela época não existia Bolsa Família.

Gente aprende a driblar as dificuldades, a fazer do limão uma limonada – com ou sem açúcar. Ou se arromba para sempre.

Nossa irmã não conheceu o estrelato, mas fez do talento profissão. Graduou-se em Educação Física, pela Federal, especializou-se em Fisiologia, com pós e mestrado na PUC, tornou-se professora no métier – no fundamental e na graduação.

Integrou com amigos da faculdade grupo para apresentações de ginástica rítmica, e também uma escolinha para formar e treinar ginastas.

Lili não foi à qualquer olimpíada. Mas já madura fez parte do time que representou Minas e o Brasil na Gymnastrada, em Lausanne, Suíça. A mostra não é competitiva.

Por duas vezes esteve lá, a última delas em 2011, na 14ª edição. Apresentou-se com a delegação mineira na Noite Brasileira, participou da seleção que se apresentou na abertura de gala. O A Tal Mineira registrou.

As delegações ficaram hospedadas em alojamentos, os atletas dormiam em colchonetes, usava-se banheiros coletivos. Estavam na Suíça.

Atleta se acostuma à vida dura de exercícios, atenção a regras, disciplina de treino, de alimentação, de sono. Abstenções.

Este o ponto que eu queria chegar, a propósito do noticiário em torno das deficiências estruturais do centro olímpico no Rio.

A mídia carrega nas tintas, como sempre. Passou recibo durante a Copa do Mundo, em 2014, mas não se emenda.

Deveria envergonhar-se, sim, de o Brasil receber atletas do mundo inteiro em pleno golpe de Estado, por que não se respeita mais o voto nem a Constituição nem a Democracia por aqui.

Esta será uma olimpíada sem chefes de Estado, daqui e alhures. Quem vai representar o Estado brasileiro na abertura do evento é o usurpador.

A presidenta Dilma, a legítima, afastada, declinou do convite. E os países participantes não confraternizam com golpistas.

Nisso a mídia faz boca de siri.

É pura “vira-latice”, como bem define o carioca Fernando Brito, do Tijolaço, que bloga do Rio e sabe aonde pisa.

Compartilho o texto:

 

O Tijolaço não entra na onda da “vira-latice” olímpica

por Fernando Brito
vilaolimpica
Vila Olímpica

Para você encontrar meu nível de simpatia pelo prefeito Eduardo Paes, vai ter de pedir uma destas sondas de petróleo e cavar bem fundo. Não é zero, é abaixo de zero.

Mas não vou entrar nessa da mídia de ficar fazendo parecer que tudo é um caos, porque não é verdade.

Há falhas – várias, em vários graus -, há insensibilidade social mo caso de remoções, roubalheiras devem ter sido feitas – e não falo do público só, mas do privado.

Mas é próprio da elite midiática brasileira andar com uma lupa amplificando nossas deficiências.

Os apartamentos da Vila Olímpica – aliás, feitos pela iniciativa privada – não são nenhum pardieiro e, se não fosse a estupidez – perdão, não vejo como fugir da palavra – escrota do Prefeito com a historinha do canguru,  não era nada que 48 h de eletricistas, bombeiros hidráulicos e gasistas não resolvessem.

Eduardo Paes, cujo caráter já ficou evidente no seu comportamento em relação a Dilma Rousseff – que, com Lula, são os responsáveis por grande parte das obras de mobilidade e revitalização que o Rio recebeu – , é um personagem que não vai passar da eliminatória de outubro na Rio 2016 eleitoral.

Mas o Rio não é este personagem e nosso país não é o caos que apregoam.

O El País mostra, hoje, que confusões de última hora foram comuns em Londres, Atlanta e Sochi, na Olimpíada de Inverno, na Rússia, há dois anos. “Dá pra se hospedar na Vila Olímpica, não há nada traumático“, dizem os atletas da delegação espanhola.

O fracasso das Olimpíadas pode ser político – a ausência de metade dos chefes de Estado que se previa, por conta do impeachment –  e pelo clima de apreensão pela onda de violência mundial, na qual nossas autoridades fizeram questão de embarcar, em troca de mídia.

Esportivo não é – até porque nessa aí 7 a 1 não nos trespassa a alma – como foi o único fracasso da Copa, a dois anos atrás, com uma campanha de que tudo seria um caos. Ou alguém se esqueceu do “imagina na Copa”.

O resto é a louvação do “sport business”, interessadíssimos em explorar comercialmente a atração da competição e, com isso, promover os esportistas a uma espécie de subcelebridades.

O mundo do esporte – aliás,  o mundo e a vida real – passa muito bem sem isso.

Recomendo a todos a leitura da matéria do Globo Esporte, da qual reproduzo um trecho abaixo, sobre a frugalidade com que se hospedam e comem os atletas cubanos de luta olímpica, que estão entre os favoritos da modalidade.

É o que a inculcação dos valores da classe média que pensa ser elite não consegue assimilar: é possível e bom viver com simplicidade. Não é ser escravo, é ser livre. Escravidão é aquela que coloca as pessoas, como dizia Noel Rosa, tendo dinheiro sem comprar a alegria.

E viver eternamente sendo escravo desta gente que cultiva a hipocrisia.

Vida em hostel, almoço em bar: astros
cubanos desfrutam Rio sem glamour

delegaocubana

Um grupo de homens altos, fortes e que andam sempre uniformizados tem chamado a atenção da vizinhança de um agitado hostel na Tijuca, bairro residencial da Zona Norte do Rio. É lá que a seleção cubana, dos multicampeões Mijain López, Ismael Borrero e Yasmany Lugo, escolheu para ficar nas duas primeiras semanas do período final de preparação para a Olimpíada. A rotina dos atletas tem sido treinar em dois períodos na Confederação Brasileira de Wrestling (CBW) e descansar nas horas vagas. As grandes refeições (almoço e jantar) têm sido feitas em um conhecido bar e restaurante especializado em petiscos no mesmo bairro.

A escolha do hostel como QG da seleção cubana de luta olímpica se deveu à proximidade com o centro de treinamento da CBW, que fica a cerca de 2 km. O translado para os treinos tem sido feito através de uma van, alugada pela federação cubana. Inaugurado em 2013, o hostel – que fica a dez minutos a pé do Maracanã – vem sendo a casa de alguns atletas de luta olímpica nos últimos anos, os quais se hospedam no local para se deslocarem com facilidade para a CBW. Habitué do hostel, a lutadora goiana Keila Calaça, que é suplente da seleção feminina, foi quem indicou o local aos cubanos, que não têm do que reclamar nestes primeiros dias de estadia.

– Cubanos e brasileiros são muito parecidos. No hostel e nas ruas todos nos cumprimentam. No restaurante, muitos param para tirar foto com a gente. Essa energia tem sido espetacular. Quando estamos aqui é como se estivéssemos na nossa segunda casa. O clima também ajuda muito, porque não é tão diferente de Cuba. Temos passado dias muito proveitosos, pois, como temos gasto pouco tempo para deslocamento, estamos aproveitando ao máximo o nosso tempo de treino – afirmou o chefe da delegação cubana, Raúl Trujillo.

Todo o primeiro sábado do mês, o local recebe uma concorrida roda de samba. A direção do hostel prepara uma festa de despedida para os cubanos no último fim de semana da delegação no local. A seleção de Cuba fica no hostel até o dia 2 de agosto. A partir de então, os atletas se mudarão para um hotel de grande estrutura, possivelmente na Zona Oeste. A luta olímpica da Rio 2016 começa no dia 14 e vai até o dia 21. A competição será na Arena Carioca 2, na Barra da Tijuca

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s