Dia 31 tem #ForaTemer: povo na rua contra o golpe e pela democracia

Liberté, Ègalité, Fraternité - ideais que não sobrevivem fora da democracia - Imagem captuada no FB
Liberté, Ègalité, Fraternité – ideais que não sobrevivem fora da democracia – Imagem capturada no FB
por Sulamita Esteliam

Domingo, 31, é dia de povo na rua nos sete cantos do Brasil. Protesto contra o golpe, em defesa dos direitos e pela radicalização democrática. Em síntese, eis o que move a convocação, desta vez, capitaneada pela Frente Povo Sem Medo, que é protagonista na luta para desmascarar a fraude anti-democracia que levou ao afastamento da presidenta legítima, Dilma Rousseff.

Eu disse povo. Porque o pessoal que atende ao chamado do MBL certamente não se inclui nessa perspectiva, e ficou na mão. O “movimento” cancelou o ato nacional convocado também para o dia 31, antes mesmo da Frente Povo sem Medo. Alegam tudo – aqui, na Fórum -, menos o que provavelmente explique o refluxo: grana (o financiamento deve ter-se esgotado) e gente.

O Zé Povinho que se preza não tem esse tipo de problema. Usa o combustível da consciência e da necessidade de sobreviver com um mínimo de dignidade e respeito.

Assim, no Recife, a concentração para o #ForaTemer se dá a partir das 15:00 horas, na Praça do Derby, área central. A gente mineira da capital se reúne a partir das 10:00 horas, na Praça 7, coração de Beagá. Em Fortaleza, na Praça Cristo Redentor, Centro, às 15:00 horas. Em São Paulo, a mobilização é a partir das 14:00 horas, no Largo do Batata, Centro.

Em Brasília o povo se reúne na Feira de Planaltina, a partir das  nove da manhã. Em Curitiba, a mobilização acontece na Praça da Mulher Nua (19 de Dezembro), Centro Histórico, também a partir das 15:00 horas  Há manifestações previstas também no exterior, como tem acontecido (confira a lista dos locais confirmados até então, no portal Vermelho).

Importante registrar: a capital do Paraná recebeu nesta quarta, 27, o Seminário Democracia na América Latina. Reuniu milhares para ouvir e aplaudir, sem demérito de outros convidados, Pepe Mujica, senador e ex-presidente do Uruguai.

Com a sabedoria que lhe é própria, e que o faz ícone em diferentes gerações brasileiras e latino-americanas – para ficar em nossa Macondo. Ele resume em dois pontos cruciais as razões que colocam a democracia em risco no mundo inteiro: “a concentração da massa financeira nas mãos dos ricos e a crescente desigualdade na terra”.

“Nunca o homem teve tantos recursos e meios científicos e técnicos para erradicar a fome e a miséria dos povos. Temos 80 senhores que possuem o mesmo que outros 3 bilhões de habitantes”.

Então, enfatiza Pepe, o problema não é econômico, é político. Lembra que a mudança cultural deve ser o motor das novas gerações:

“A luta não é só por democracia, é por uma outra civilização.”

O bom e velho Mujica não conhece desânimo. Mesmo diante do avanço da direita e das trevas que emolduram o atual contexto político no Brasil e na América Latina.

“É preciso levantar e começar de novo.”

O coletivo Jornalistas Livres fez a cobertura do evento, e é a fonte das falas referidas.

A Frente Povo Sem Medo é boa de luta. Nesta foto, mobilização #ForaCunha, em São Paulo - Foto capturada no portal Vemelho
A Frente Povo Sem Medo é boa de luta. Nesta foto, mobilização #Foracunha, em São Paulo – Foto capturada no portal Vemelho

A Frente Povo sem Medo sabe bem que o levante popular é o caminho. Fez de julho um mês de resistência País afora. A mobilização nacional do próximo domingo, coroa um processo.

“A grande tarefa das forças populares é derrotar este governo e, com ele, o golpe”, diz um trecho do manifesto divulgado nesta quarta.

Sabe, também, que o (des)governo, que chama de “biônico”,  tem uma agenda de retrocessos. Todos sobre a cabeça dos trabalhadores e da arraia miúda para quem as políticas públicas de redução das desigualdades faz diferença – por que traz um mínimo de dignidade, de cidadania.

O lema dos desgoverno do usurpador Temer é “nenhum direito em pé”. Palavras da presidenta legítima, Dilma Roussef, em ato contra o golpe e pela democracia, em Aracaju, promovido pela Frente Brasil Popular em Sergipe, na terça, 26.

“O povo deve ser chamado a decidir”,  conclama o manifesto do Povo sem Medo.

O plebiscito, “sobre antecipar ou não as eleições”, é o ponto de convergência, que soma forças contra o golpismo, defende. Nisso até Dilma Rousseff concorda, ressalta – embora Dilma não explicite os termos da convocação, agrego.

Fato é, e o próprio manifesto o explicita, que “não há saída mágica numa conjuntura tão complexa”.

Sim, é preciso mais, como a reforma política, “profunda”,  por exemplo, que está dentre as bandeiras “fundamentais” expressas no manifesto da Frente Povo sem Medo.

“O problema não é apenas Temer. É o sistema político brasileiro que faliu e perdeu qualquer vínculo de representação efetiva com a maioria da sociedade. É preciso radicalizar a democracia, enfrentando a influência do poder econômico nas eleições e construindo mecanismos de maior participação popular na política, permitindo que a maioria do povo possa decidir sobre os rumos do país.

Defesa intransigente dos nossos direitos. Estamos diante da ameaça de uma regressão social grave, com desmonte dos direitos trabalhistas e dos programas sociais conquistados pelo povo brasileiro, além da entrega do patrimônio público. O golpe é duplo: um presidente que não foi eleito, aplicando um programa que também não o foi e jamais seria.

A agenda Temer envolve o projeto das terceirizações, Reforma da Previdência, privatizações, desmonte dos serviços públicos, redução drástica dos programas sociais e entrega do pré sal às petroleiras internacionais, dentre outras perversidades. Tudo isso com o objetivo de privilegiar os de cima, despejando a crise sobre os ombros dos de baixo.”

É assim que a banda toca.

E se, como se diz aqui no Nordeste, o povo não se coçar para defender o que é seu de direito, o que inclui essa tal de democracia, tudo que está feio vai ficar muito pior.

O movimento sindical, depois de uma parada estratégica, para beber água, está em pé de guerra. A CUT e demais centrais sindicais se articulam para uma extensa agenda de mobilizações ao longo de agosto, centrada no repúdio ao golpe e à retirada de direitos.

Miram uma greve geral ainda sem data para acontecer.

Aos sindicatos se juntam outros movimentos sociais reunidos na Frente Brasil Popular, e que se movem pela Jornada Fora Temer. Aproveitam as Olimpíadas para seguir denunciando ao mundo o golpe em curso no Brasil.

O cenário principal dos acontecimentos políticos é, claro, o Rio de Janeiro, arena do evento esportivo internacional. Um Acampamento da Democracia concentra as forças ao longo dos jogos. Na abertura, dia 05 de agosto, o comitê de boas-vindas se traduz num mega-protesto.

As manifestações prosseguem até o fim do mês, quando deve acontecer a votação final do impedimento da presidenta Dilma Rousseff pelo Senado Federal.

O mês de agosto promete, e que o Universo seja bom cúmplice do que é justo e necessário.

*****************

Enquanto isso, no reino do faz de conta, Dilma está “cansada” e à beira da renúncia…

View story at Medium.com

 

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s