Av Augusto de Lima, em frente ao Minascentro e ao Mercado Central, Belo Horizonte - Foto: Sulamita Esteliam

O frio, o moço desnudo e a literatura na feira

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por Sulamita Esteliam

O inverno resolveu dar as caras na terrinha. A semana fecha com máxima de 21 graus ao longo do dia e à noite vai até 12 graus ou menos, na virada para o dia seguinte, segundo alerta a Defesa Civil. O clima esfriou com a chegada de junho.

A previsão é de que fique nesta toada, com tardes amenas, entre 21 e 25 graus, noites, madrugadas e manhãs mais frias. Mas a metereologia prevê frio menos intenso para a média histórica na capital mineira. O clima é de secura de sangrar nariz.

Quem sofre, mesmo, é a população em situação de rua, que só faz crescer, a despeito das políticas assistenciais. A gente tem um teto sobre a cabeça, roupas confortáveis, comida e bebida quentinha para nos manter estáveis.

Os “noiados”, como são chamados pela gente tida e havida como “normal”, estão por sua conta e risco. Mais risco do que conta.

Há uma semana estou no coração da cidade, em casa da minha filha terceira. Hoje não o vi, mas ontem à noite, topei pela terceira vez com um moço seminu, apenas de cueca, quando tornava à casa, a pé. E já era perto das 23 horas, e estava bem frio.

Negro, alto, corpo bem proporcional, sem nada fora do lugar, ele desce a rua perpendicular, onde há dois supermercados, no intervalo de três quadras em ladeira respeitável, comum em Beagá.

Não mendiga. Caminha olhando para um lado e outro e para o chão. Costuma parar nas laterais da banca de revistas que fica em frente ao prédio onde me hospedo, e conferir os títulos, rapidamente. Depois segue adiante, sem falar um ai, sem tomar conhecimento de quem o observa.

A senhora da banca me disse que “ele está assim há dias, coitado”. E o traje vai só encurtando: no primeiro dia que o vi, era uma cueca box creme estampada de bichinhos. No dia seguinte uma azul marinho, padrão. Na noite da quarta, se reduzia a uma tanga indigo, diminuta.

Era dia claro nas primeiras vezes que o vi, e em situações assim, digo que estou velha, não cega. Deu vontade de cantar aquela canção dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, de 1970, eternizada por Eliz Regina: “Black is Beatiful .

Na carioca Rua do Ouvidor ou na extensa e acidentada Rua dos Timbiras, que corta a capital mineira de Leste a Oeste, centro expandido das Alterosas. Quem tem olhos para ver, que veja. Eu tenho.

Ao contrário do belo e triste moço desnudo, sou friorenta, embora menos que outrora. Ainda bem que, para mim, é a despedida. Só para não dizer que não vi a cara do outono. Porque o inverno só começa mesmo no dia 21, às 5h24m da manhã, horário de Brasíia.

Então, estarei de volta ao meu canto no Recife, sob chuva a cântaros, mas com o maridão e temperaturas mais agradáveis, 23 a 28 graus – para nim que sou filha do verão. Junho e julho costumam ser os meses mais aquosos na capital pernambucana, e este ano não é diferente.

É meu último fim de semana nessa longa estada aqui na Macondo de origem, desde 18 de abril. Com direito a uma escapadela a São Paulo, para ver a caçula e visitar a Bett Brasil, a maior feira latino-americana de educação. Meu livro infantil, “Para que serve um irmão” esteve exposto lá, no estande da Asinha/Ases da Literatura.

Vim para lançar o livro aqui, o que aconteceu dia 25 de abril, no Parque Municipal. Mudei o voo de retorno, que seria no final de maio, para dia 13 de junho, que é quando termina a Fliminas – I Feira Literária Internacional de Minas Gerais, que começa domingo, 7, logo cedo – programação e ingressos aqui.

Recebi o convite de um dos gestores da Biblioteca Estadual, me cadastrei, fui aprovada, e estou feliz com a oportunidade. Quanto mais que a querida Madu Costa, mana especialíssima, é autora homenageada. Márcio Borges, um dos integrantes do Clube da Esquina, é outro.

Sou uma das duas centenas de autoras e autores, que divulgam suas obras de forma independente, presentes na Fliminas. Ainda que, eventualmente, possam ter suporte, em deterninados eventos, dos selos que as publicam; naturalmente que remunerado.

Autores e autoras consagrados, obviamente, integram a programação temática, com palestras, rodas de conversas, bate-papos, contação de histórias e sessão de autógrafos. E as principais editoras e livrarias do país estão lá.

A feira vai de 8 horas até as 21 horas, menos no sábado, 13, devido a estreia da Copa do Mundo. Nós, independentes, estamos em espaço logo a entrada do Expominas, em horários revezados. A coordenaçao é do Plin – Palco da Literatura Independente, gerido pelo também escritor, Juliano Loureiro e outros.

Procure por Autoras e Autores Independentes, estande no foyer, à esquerda da entrada.

Meu dia é na terça-feira, 9, de 17h a 21h, com minhas duas últimas obras: o infantil “Para que serve um irmão” e o romance “O livro de Dora e suas irmãs”. Se você está e Beagá, apareça para o abraço.

Ah, sim, na quinta-feira, 12, de meio dia às 17 horas, estarei com a jornalista, escrfitora e historiadora, Cândida Lemos e com meu editor mineiro, Marcelo Freitas, ajudando na divulgação do livro que conta a história do jornal Hoje em Dia. Sou uma dos 15 que escreveram o livro “Na dúvida, ouse”,editado pela Comunicação de Fato.

Cândida também expõe seu livro “Se baterem, cantem!” que relata a repressão ao primeiro Encontro Nacional de Estudantes em , na Escola de Medicina, em plena ditadura civil-militar, em 1977.

Sim, também sou uma das entrevistadas pelo Juliano Loreiro no Palco Plin, também no foyer, às 15h30. Depois conto aqui como foi tudo.

Acompanhe também pelo Instagram: @fliminas e @plin_fest .

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